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Bolsonaro diz que Moraes é "totalmente parcial" e "ataca a democracia"

Presidente diz que ministro do STF é "totalmente parcial" e afirma estar "esgotando" todas as peças jurídicas possíveis contra ele por abuso de autoridade. PGR arquiva ação apresentada pelo chefe do Executivo para investigar o magistrado

Cristiane Noberto
postado em 27/05/2022 05:57 / atualizado em 27/05/2022 05:58
 (crédito: Evaristo Sa / AFP )
(crédito: Evaristo Sa / AFP )

O presidente Jair Bolsonaro (PL) acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de ser "totalmente parcial" na condução de processos e disse que está "esgotando" todas as formas judiciais possíveis contra o magistrado, pois "não há dúvidas" de que ele comete abuso de autoridade.

"Nós estamos esgotando tudo dentro das quatro linhas da Constituição Federal. Você tem alguma dúvida de que há um abuso de autoridade para comigo?(...) Quando a gente pensa que vai resolver, complica a situação", criticou. "O que o senhor Alexandre de Moraes quer? Um confronto, uma ruptura? Por que ele ataca tanto a democracia?" O magistrado é relator de processos que envolvem o Planalto, como os inquéritos das fake news e das milícias digitais.

Na semana passada, Bolsonaro apresentou, no STF, notícia-crime contra Moraes por suposto abuso de autoridade. A ação foi rejeitada pelo relator, ministro Dias Toffoli, mas o chefe do Executivo recorreu da decisão. Antes de ter uma resposta final da Corte, porém, o presidente apresentou representação semelhante na Procuradoria-Geral da República (PGR). Ontem, o procurador-geral da República, Augusto Aras, arquivou o pedido. "Tendo em vista o aspecto formal descrito e para evitar duplicidade de procedimentos, determino o arquivamento desta notícia-crime", determinou o PGR.

Direito

Bolsonaro também afirmou, ontem, que não desfere ataques e, sim, é alvo deles por parte do Judiciário, em especial por causa dos questionamentos em relação às urnas eletrônicas. Moraes é vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — hoje comandado pelo ministro Edson Fachin — e assumirá a presidência da Corte durante as eleições.

"Em outro momento, ele (Moraes) também diz que defende a democracia, e eu, não. Da minha parte, você não vê ataques. Agora, desconfiar é um direito meu. Estou num país democrático. Por que o senhor Alexandre de Moraes diz que um candidato que, porventura, duvidar da urna eletrônica terá o registro cassado e será preso? Quem ele pensa que é?", questionou.

O presidente voltou a reclamar que a Corte eleitoral não aceitou as sugestões das Forças Armadas para, supostamente, aumentar a segurança das urnas. "Está difícil conversar com o TSE. Estou pronto para o diálogo, mas eles não aceitam", reclamou.

Questionado se aceitará o resultado do pleito, o presidente desconversou. Disse apenas que "democraticamente" espera "eleições limpas".

Joe Biden

O chefe do Executivo foi perguntado sobre a ida à Cúpula das Américas, em Los Angeles, de 6 a 10 de junho. O Itamaraty confirmou, ontem, a presença de Bolsonaro. Na conversa com a imprensa, ele afirmou que estava "propenso a não comparecer", porque não queria ser apenas "moldura para foto".

"Ele (presidente dos Estados Unidos, Joe Biden) enviou uma pessoa especialmente para conversar comigo (Christopher Dodd), e, ali, pus as cartas na mesa. Falei da mudança de comportamento dos EUA para com o Brasil quando o Biden assumiu", relatou. O chefe de Estado brasileiro apoiou o ex-presidente Donald Trump, derrotado no pleito norte-americano.

Segundo ele, as conversas com o republicano iam "muito bem", com a possibilidade, inclusive, de explorar o nióbio no país, o que, na avaliação de Bolsonaro, agregaria "valor para o Brasil". "Com Biden, simplesmente houve congelamento (das negociações). Da minha parte, não mudei a minha política com ele. Encontrei com ele no G20, passou, e (foi) como se eu não existisse, mas isso foi um tratamento com todo mundo. Não sei se é idade", alfinetou ele, que tem 67 anos, e o norte-americano, 79. "Pelo que eu vi, foi acertado que terei uma (reunião) bilateral com ele. Irei lá para fazer valer o que o Brasil representa para o mundo. Não vou lá para sorrir e apertar a mão. Eu sou o presidente do Brasil", disse.

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