DECLARAÇÃO

"Se a viúva estivesse lá, eu conversava", diz Bolsonaro sobre ligação

O presidente criticou a imprensa por noticiar a ausência de contato com a viúva do petista morto em Foz do Iguaçu

Ingrid Soares
postado em 13/07/2022 18:22 / atualizado em 13/07/2022 18:22
Bolsonaro ainda criticou a imprensa por noticiar a ausência de contato com a viúva de Arruda -  (crédito: Clauber Cleber Caetano/PR)
Bolsonaro ainda criticou a imprensa por noticiar a ausência de contato com a viúva de Arruda - (crédito: Clauber Cleber Caetano/PR)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (13/07) que o motivo da briga que terminou com o assassinato do guarda municipal e tesoureiro do PT, Marcelo Arruda, ocorrido no último dia 9, pelo policial penal federal, Jorge José da Rocha Guaranho, “não se justifica”. Uma das possibilidades levantadas pela polícia nas investigações é a de intolerância política. A declaração ocorreu durante conversa do chefe do Executivo com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.

“Foi lá o deputado Otoni de Paula, conversei com ele. Ele foi lá, abriu, telefonou para mim na imagem e eu conversei com dois irmãos. Os dois irmãos são eleitores nossos, simpatizantes, e o outro irmão era de esquerda. Tudo bem”, relatou em um vídeo divulgado por um canal de direita ao comentar ligação à família feita nesta terça-feira (13/7) por intermédio do deputado Otoni de Paula (MDB-RJ). A conversa foi realizada por vídeo com dois irmãos de Marcelo, chamados Luiz e José de Arruda, que não estavam presentes da festa de aniversário onde o crime ocorreu.

“Por coincidência, resgatamos uma foto agora, de 2017, eu com o irmão deles que morreu. Que inclusive ele pediu pra mim… eu não lembrava, né… que eu votasse algo com eles e eu votei com eles. Votei a favor desse petista que faleceu lá”, alegou sem especificar qual era a pauta pleiteada.

Bolsonaro ainda criticou a imprensa por noticiar a ausência de contato com a viúva de Arruda. “O que a imprensa fala? 'Não falou com a viúva'. Meu Deus do céu. O Otoni [deputado Otoni de Paula] foi lá e conversou com dois irmãos. Se a viúva estivesse lá, eu conversava com ela também”, alegou.

“A gente lamenta. Pra mim, não justifica o que aconteceu ali… a motivação, uma briga ali do nada. Infelizmente, uma morte, o outro tá no hospital”, completou.

Por fim, voltou a reclamar que ao ter recebido facada em Juiz de Fora em 2018 durante campanha eleitoral, “quando o Adélio me esfaqueou, a imprensa não falou 'Psolista'”.

Nesta terça-feira (13/7), o presidente criticou os convidados de Arruda que estavam na festa de seu aniversário, dizendo que “petistas encheram a cara do atirador de chutes”.

À coluna da jornalista Bela Megale, a viúva Pâmela Suellen Silva disse ver uso político da morte do marido por Bolsonaro. “Acredito que Bolsonaro está preocupado com a repercussão política, porque, tanto no vídeo que fez no cercadinho, como no que conversa com os irmãos do Marcelo, Bolsonaro diz que estão tentando colocar a culpa nele”. Ela contou ainda não ter sido convidada para a ligação por vídeo ou sequer recebido contato por parte do governo prestando solidariedade.

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