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Em telefonema a Bolsonaro, Zelensky pede união de sanções contra a Rússia

Essa foi a primeira vez que Zelensky e o chefe do Executivo brasileiro conversaram desde o início da invasão russa na Ucrânia

O presidente Jair Bolsonaro (PL) conversou por telefone, nesta segunda-feira (18/7), com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. A agenda foi confirmada pelo líder ucraniano por meio das redes sociais. No Twitter, Zelensky afirmou que informou ao brasileiro sobre a situação da guerra no país do leste Europeu, disse que os dois líderes discutiram a importância de retomar as exportações de grãos e pediu a união de sanções dos parceiros comerciais contra a Rússia.

"Informei sobre a situação no front. Discuti a importância de retomar as exportações de grãos ucranianos para prevenir uma crise global dos alimentos provocada pela Rússia. Eu peço que todos os parceiros comerciais se unam às sanções contra o agressor", escreveu.

No último dia 11, Bolsonaro disse que está "quase certo" um acordo para a importação do diesel da Rússia. O chefe do Executivo relatou que a expectativa é de que o combustível chegue em 60 dias e que seria "bem mais barato".

“Está acertado. Em 60 dias já pode começar a chegar aqui, já existe esta possibilidade. A Rússia continua fazendo negócio com o mundo todo, parece que as sanções econômicas não deram certo”, afirmou na data.

Dois dias depois, Bolsonaro disse que apresentaria ao presidente da Ucrânia a solução para o fim da guerra durante o telefonema e relatou que a solução para o conflito no Leste Europeu é semelhante ao da Argentina na Guerra das Malvinas, em 1982, que chegou ao fim após a rendição dos argentinos.

“Vou dar minha opinião a ele do que eu acho. Eu sei como seria a solução do caso. Mas não vou adiantar. A solução do caso… Como acabou a guerra da Argentina com o Reino Unido em 1982? É por aí. A gente lamenta. A verdade são coisas que doem, machucam, mas você tem que entender”, completou na ocasião.

Segundo Bolsonaro, foi Zelensky quem o procurou: “Foi ele que buscou conversa conosco. E eu disse, de imediato, que conversaria com ele, sim. Ele tem um país grande para administrar. Tudo que foi acordado com o presidente Putin está sendo cumprido. Da minha parte e da parte dele. Vou conversar bastante com ele. É uma liderança e vou dar minha opinião para ele”.

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Essa foi a primeira vez que Zelensky e o chefe do Executivo conversaram desde o início da invasão russa na Ucrânia. No dia 27 de fevereiro, Bolsonaro afirmou que a população da Ucrânia confiou a “um comediante” os destinos da nação, se referindo a Zelensky.

“Como o Zelensky, que é um comediante que foi eleito presidente da Ucrânia, eu acho que o povo confiou nele pra traçar o destino de uma nação”, afirmou. No dia seguinte, disse que “não tem o que conversar” com o presidente ucraniano. Na data, o encarregado da Ucrânia no Brasil, Anatoliy Tkach, dizer que o chefe do Executivo brasileiro está "mal informado" sobre a guerra e sugerir que Bolsonaro dialogasse com o presidente ucraniano.

“Alguns querem que eu converse com Zelensky, o presidente da Ucrânia, eu, no momento, não tenho o que conversar com ele. Eu lamento, se depender de mim, não teremos guerra no mundo”, enfatizou na data.

“Solidariedade”

Horas antes do telefonema, o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) comentou nesta segunda a respeito do conteúdo da conversa de Bolsonaro com Zelenski. O general caracterizou a agenda como “solidariedade”.

“Eu acho que é solidariedade à situação que a Ucrânia está vivendo, situação difícil. A infraestrutura do país sendo destruída pelo conflito. Acho que é mais ou menos por aí que o presidente vai conversar”.

Mourão também apontou a possibilidade de ajuda humanitária. “Questão de ajuda humanitária, se for o caso. Já tínhamos oferecido desde o começo para receber refugiado ucraniano, temos colônia ucraniana aqui no Brasil, lá no Paraná. Então acho que vai ser por aí a conversa”, concluiu.

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