Eleições

Tebet diz que falta coragem para Bolsonaro perguntar a Lula sobre Celso Daniel

Já Lula, em direito de resposta, chamou Bolsonaro de "cara de pau": "Seja responsável. Você tem uma filha de 10 anos vendo o programa que você está fazendo, pare de mentir, o povo não suporta mais"

Ingrid Soares
postado em 29/09/2022 23:50 / atualizado em 30/09/2022 00:29
 (crédito: Reprodução/TV Globo)
(crédito: Reprodução/TV Globo)

O presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) questionou Simone Tebet (MDB) sobre o caso Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André (SP) assassinado a tiros em 2022. A pergunta ocorreu durante o debate presidencial da TV Globo na noite desta quinta-feira (19/9). 

"Sua vice [Mara Gabrili] vem falando que Lula foi o mentor intelectual do assassinato de Celso Daniel. Gostaria de saber a posição da senhora sobre esse episódio".

Tebet rebateu: "Eu confio integralmente em minha vice, o pai dela, já falecido, foi vítima de extorsão da máfia dos transportes na época do governo do PT. Eu lamento essa questão ser trazida num debate nesse momento tão importante do Brasil e ser dirigida a mim. Eu acho que falta ao senhor coragem de perguntar isso ao candidato do PT, que segundo você está envolvido no caso, que está aqui, por que não pergunta ao candidato Lula sobre esse assunto?".

"E vamos tratar do Brasil, dos reais problemas, vamos tratar do problema da fome que o senhor presidente da República diz que não tem porque é insensível, não conhece a realidade do Brasil ou não deve andar pelos grandes centros e ver nos semáforos crianças dormindo com fome e pedindo pelo amor de Deus um prato de comida", emendou a candidata.

O chefe do Executivo rebateu, destacando o Auxílio Brasil. "Nós atendemos aos mais necessitados. Quem por ventura estiver passando fome, que tem gente passando fome, na dúvida, pode se cadastrar e vai receber o Auxílio Brasil de, no mínimo, R$ 600".

Em seguida, Tebet lamentou a falta de propostas no debate e o clima de ataques entre os postulantes.

"Lamento muito. O que vemos aqui não são apresentações de propostas, mas ataques mútuos para ver quem roubou mais, quem é mais incompetente ou insensível. Estou aqui para falar de como erradicar a fome e a miséria, trazer para a formalidade 40 milhões de trabalhadores".

"Será que nós vamos levar e estender esse segundo turno para 31 de dezembro de 2026? Porque é isso que vai acontecer. Esse discurso do ódio de "nós contra eles", essa polarização, ela não vai terminar. Um se eleito não vai deixar o outro governar. E nós deixaremos de resolver os problemas sérios do Brasil por causa disso. Eu vou voltar a falar, o candidato Bolsonaro tinha que fazer essa pergunta para o candidato Lula, que está aqui. Afinal, ele está acusando o candidato Lula e seu partido de um crime. Mas não o faz, talvez por covardia, talvez porque não tenha coragem".

Já Lula, em direito de resposta, ainda sobe o caso Celso Daniel, chamou Bolsonaro de "cara de pau". "Seja responsável. Você tem uma filha de 10 anos vendo o programa que você está fazendo, pare de mentir, o povo não suporta mais".



Último confronto antes do primeiro turno



Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PL), Padre Kelmon (PTB), Felipe D’Ávila (Novo), Lula (PT), Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União) participam, nesta quinta-feira (29/9), do último debate entre os candidatos à presidência da República antes do primeiro turno, no domingo (2/10).

A Rede Globo convidou para o debate os postulantes de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. O debate é mediado pelo jornalista William Bonner e será dividido em quatro blocos, todos com confrontos diretos entre os presidenciáveis. Ao final do quarto bloco, cada candidato fará suas considerações finais.

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