Itamaraty

Lula volta a falar sobre moeda comum em cúpula da América do Sul

De acordo com o presidente Lula, o mecanismo possibilitaria a criação de uma unidade referência comum para o comércio, reduzindo dependências de moedas como o dólar

Rafaela Gonçalves
postado em 30/05/2023 13:29
 (crédito:  Marcelo Camargo/Agencia Brasil)
(crédito: Marcelo Camargo/Agencia Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (30/5), durante a abertura da Cúpula de líderes da América do Sul, que os presidentes reunidos no Itamaraty devem debater sobre 10 temas para retomar instrumentos de integração regional entre os países vizinhos. Entre as questões, o petista voltou a falar na criação de uma moeda comum, para “aprofundar nossa identidade sul-americana também na área monetária”.

De acordo com o presidente, o mecanismo possibilitaria a criação de uma unidade referência comum para o comércio, reduzindo dependências de moedas como o dólar. Além disso, foram sugeridos temas como a criação de uma poupança regional de desenvolvimento, bem como a reaproximação na área energética e de mobilidade.

“Nenhum país poderá enfrentar isoladamente as ameaças sistêmicas da atualidade. É apenas atuando unidos que conseguiremos superá-las. Nossa região possui trunfos sólidos para fazer face a esse mundo em transição. O PIB somado de nossos países neste ano deverá chegar a 4 trilhões de dólares. Juntos somos a quinta economia global”, destacou.

Ainda em seu discurso, Lula demonstrou vontade de retomar instrumentos de integração regional, como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Ele afirmou que as iniciativas mencionadas são apenas sugestões, que devem ser discutidas pelos chefes de Estado ao longo do dia. “Com base no que decidirmos hoje, esse grupo terá 120 dias para apresentar um mapa do caminho para a integração da América do Sul”, apontou.

Confira os temas listados por Lula que serão debatidos na reunião:

  • Economia: colocar a poupança regional a serviço do desenvolvimento econômico e social, mobilizando os bancos de desenvolvimento como a CAF, o Fonplata, o Banco do Sul e o BNDES;
  • Moeda comum: aprofundar nossa identidade sul-americana também na área monetária, mediante mecanismo de compensação mais eficientes e a criação de uma unidade de referência comum para o comércio, reduzindo a dependência de moedas extrarregionais;
  • Regulação: implementar iniciativas de convergência regulatória, facilitando trâmites e desburocratizando procedimentos de exportação e importação de bens;
  • Cooperação: ampliar os mecanismos de cooperação de última geração, que envolva serviços, investimentos, comércio eletrônico e política de concorrência;
  • Infraestrutura: atualizar a carteira de projetos do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (COSIPLAN), reforçando a multimodalidade e priorizando os de alto impacto para a integração física e digital, especialmente nas regiões de fronteira;
  • Meio ambiente: desenvolver ações coordenadas para o enfrentamento da mudança do clima;
  • Saúde: reativar o Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, que nos permitirá adotar medidas para ampliar a cobertura vacinal, fortalecer nosso complexo industrial da saúde e expandir o atendimento a populações carentes e povos indígenas;
  • Energia: lançar a discussão sobre a constituição de um mercado sul-americano de energia, que assegure o suprimento, a eficiência do uso de nossos recursos, a estabilidade jurídica, preços justos e a sustentabilidade social e ambiental;
  • Educação: criar programa de mobilidade regional para estudantes, pesquisadores e professores no ensino superior, algo que foi tão importante na consolidação da União Europeia; e
  • Defesa: retomar a cooperação na área de defesa com vistas a dotar a região de maior capacidade de formação e treinamento, intercâmbio de experiências e conhecimentos em matéria de indústria militar, de doutrina e políticas de defesa.

O encontro

A cúpula dos líderes da América do Sul está sendo retomada após oito anos. O convite para a reunião foi feito por Lula busca retomar a cooperação entre as nações vizinhas. Participam do encontro o presidente da Argentina, Alberto Fernandéz; Luis Arce, da Bolívia; do Chile, Gabriel Boric; da Colômbia, Gustavo Petro; do Equador, Guillermo Lasso; da Guiana, Irfaan Ali; do Paraguai, Mário Abdo Benítez; do Suriname, Chan Santokhi; do Uruguai, Luís Lacalle Pou; e da Venezuela, Nicolás Maduro.

Apenas a presidente do Peru, Dina Boluarte, não compareceu ao encontro, em razão da crise institucional e política vivida no país, que está sendo representado pelo presidente do Conselho de Ministros, Alberto Otárola.

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