Guerra

Embaixada de Israel no Brasil critica resolução do PT sobre guerra: 'Lamentável'

"É muito lamentável que um partido que defende os direitos humanos compare a organização terrorista Hamas, que vai de casa em casa para assassinar famílias inteiras, com o que o governo israelense está fazendo para proteger os seus cidadãos", disse

 Israeli Merkava tanks are positioned in the north of Israel near the border with Lebanon on October 15, 2023. (Photo by Jalaa MAREY / AFP)
       -  (crédito:  AFP)
Israeli Merkava tanks are positioned in the north of Israel near the border with Lebanon on October 15, 2023. (Photo by Jalaa MAREY / AFP) - (crédito: AFP)
postado em 18/10/2023 00:39 / atualizado em 18/10/2023 00:39

A Embaixada de Israel no Brasil divulgou uma nota nesta terça-feira, 17, criticando a resolução do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) que equipara os ataques do grupo terrorista Hamas à reação do Estado de Israel.

"É muito lamentável que um partido que defende os direitos humanos compare a organização terrorista Hamas, que vai de casa em casa para assassinar famílias inteiras, com o que o governo israelense está fazendo para proteger os seus cidadãos", disse.

Na segunda-feira, 16, na contramão de uma orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que a base se afastasse do tema da guerra em Israel e focasse esforços na pauta econômica, o diretório nacional da sigla divulgou uma resolução sobre o conflito. O texto defende o fim das ações violentas e coloca no mesmo patamar os ataques do Hamas e a ação de Israel.

"Condenamos os ataques inaceitáveis, assassinatos e sequestro de civis, cometidos tanto pelo Hamas quanto pelo Estado de Israel, que realiza, neste exato momento, um genocídio contra a população de Gaza, por meio de um conjunto de crimes de guerra", diz a resolução aprovada pela coordenação nacional do PT.

O documento desagradou a Embaixada de Israel. "Qualquer pessoa que pense que o assassinato bárbaro, a violação e a decapitação de pessoas é uma posição política, ou que se trata apenas de uma luta política legítima, possui uma extrema falta de compreensão da atual situação", diz a resposta publicada pelo órgão nesta terça. "Deve ser feita uma forte separação entre a organização terrorista Hamas e os palestinos."

Há resistência no governo e no PT de classificar o Hamas como grupo terrorista. A justificativa é que o Brasil segue o que é determinado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que não classifica o Hamas como grupo terrorista. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chamou os ataques na Faixa de Gaza de terroristas, mas tem evitado citar nominalmente o Hamas.

Conflito em Israel acirra polarização no Brasil e mostra falta de consenso no governo

No Brasil, o conflito em Israel tem se transformado em mote de disputa política entre direita e esquerda. Opositores do governo têm acusado a gestão petista de leniência com o Hamas e os ataques praticados em Gaza. Entre os governistas, não há consenso sobre como lidar com a situação.

Na Esplanada dos Ministérios, apenas André Fufuca, ministro do Esporte, chamou publicamente o Hamas de terrorista. Dois ministros próximos do presidente, Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Paulo Pimenta (Secretaria Especial da Comunicação) já assinaram um documento, em 2021, contrário à essa classificação.

Um grupo de deputados apresentou na Câmara um indicativo para que a Casa sugira ao Ministério das Relações Exteriores que passe a chamar o Hamas de terrorista. Como é uma sugestão, o documento não provoca obrigações para a pasta, mas amplia o desgaste do governo em torno do assunto.

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