SABATINA

Magno Malta questiona Gonet sobre voto pela inelegibilidade de Bolsonaro

Indicado para a PGR foi responsável por parecer em julgamento que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível. Sabatinado afirmou que o posicionamento foi baseado nas provas do processo

"A liberdade de expressão não é absoluta e deve ser analisada caso a caso, conforme o ambiente em que esse direito está sendo invocado", disse Gonet. -  (crédito:  Pedro França/Agência Senado)
"A liberdade de expressão não é absoluta e deve ser analisada caso a caso, conforme o ambiente em que esse direito está sendo invocado", disse Gonet. - (crédito: Pedro França/Agência Senado)
postado em 13/12/2023 15:32

O senador Magno Malta (PL-ES) questionou, nesta quarta-feira (13/12), o candidato para a Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, sobre seu posicionamento a favor da inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o parlamentar afirmou que não havia motivos para a condenação de seu aliado. No entanto, o subprocurador afirmou que seu parecer foi proferido levando em consideração todas as provas reunidas no processo.

Magno Malta afirmou que não vê problema nos ataques ao sistema eleitoral brasileiro. “Eu não entendi o voto do senhor que deixou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível. Alguém ser condenado e perder seus direitos políticos porque ele reuniu com embaixadores? Qual é o problema? E porque ele falou mal da urna? Eu continuo falando mal da urna”, disse.

Gonet, então, ressaltou que o trabalho foi técnico e minucioso. “Como todos os outros pareceres que eu proferi, resultaram de uma convicção depois de um estudo apurado dos fatos que estavam relatados nos autos. O parecer tinha mais de 40 páginas. Seria difícil eu, agora, no tempo exíguo que eu disponho de tréplica, expor todas as razões que me levaram a essa convicção. Mas o que eu posso afirmar a vossa excelência é: os fatos foram apurados, pareciam estar enquadrados na hipótese prevista na lei. A lei ligava a esses fatos com a consequência da inelegibilidade”, explicou.

A favor da inelegibilidade

Paulo Gonet atuou no julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tornou Jair Bolsonaro inelegível em junho deste ano. Ele foi responsável por um duro parecer a favor da inelegibilidade do ex-chefe do Executivo por oito anos por conta dos ataques ao sistema eleitoral brasileiro durante uma reunião com embaixadores, em Brasília.

No documento apresentado, Gonet defendeu que o ex-presidente deveria ser enquadrado nos crimes de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Em outubro deste ano, o subprocurador defendeu uma nova condenação a Bolsonaro por promover a candidatura durante a celebração oficial do Bicentenário da Independência, no ano passado. "A interferência desses atos sobre a lisura do pleito é inequívoca, com favorecimento da candidatura dos investigados, em detrimento dos seus concorrentes”, disse à época.

No entanto, no mesmo mês, Gonet apresentou um parecer no TSE contrário à procedência de três ações que pediam uma nova inelegibilidade de Bolsonaro nas ações sobre o uso da estrutura pública para a realização de lives no Palácio da Alvorada durante a campanha presidencial.

Gostou da matéria? Escolha como acompanhar as principais notícias do Correio:
Ícone do whatsapp
Ícone do telegram

Dê a sua opinião! O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores pelo e-mail sredat.df@dabr.com.br

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
-->