O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (28/1) uma visão ampliada de desenvolvimento econômico para a América Latina e o Caribe, ao discursar na abertura do Fórum Econômico Internacional da região, realizado na Cidade do Panamá. Para o petista, o crescimento sustentável exige estabilidade política e social, redução das desigualdades e enfrentamento direto de problemas estruturais, como a violência de gênero e a concentração de renda.
Em sua fala, Lula ressaltou que a economia não pode ser tratada de forma isolada, como se estivesse desconectada da política e da vida social. Segundo ele, mercados só prosperam em ambientes estáveis, com instituições fortes e coesão social. “Quando o povo tem dignidade e segurança, a sociedade prospera”, afirmou.
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O presidente alertou para os efeitos da concentração de riqueza na região, apontando que o acúmulo excessivo de renda gera pobreza, fome e violência. Nesse contexto, chamou atenção para o que classificou como um “triste recorde” da América Latina: o alto índice de feminicídios. Ele citou dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), segundo os quais 11 mulheres são assassinadas diariamente na região.
Ao tratar do tema, o presidente enfatizou que o combate à violência contra as mulheres não deve ser visto apenas como uma pauta feminina. “Essa não é uma batalha só das mulheres. Nós, homens, temos que nos somar a essa luta e assumir a responsabilidade de acabar com a violência contra as mulheres”, disse, defendendo políticas públicas e engajamento social para enfrentar o problema.
Também destacou a importância de garantir o acesso da população a serviços básicos e de implementar políticas de combate à desinformação e à criminalidade, apontadas como pilares para a estabilidade democrática. Para Lula, sem segurança, informação de qualidade e inclusão social, não há democracia sólida nem ambiente econômico saudável.
No campo da integração regional, o presidente defendeu uma estratégia mais ampla e duradoura, que vá além dos governos centrais. Segundo o chefe do Executivo, é fundamental envolver atores subnacionais, a sociedade civil e a iniciativa privada na construção de uma agenda comum para a América Latina e o Caribe.
Lula citou ainda exemplos práticos de cooperação e inovação, como a adoção de sistemas de pagamentos digitais. Ele mencionou o Pix, criado no Brasil, como uma ferramenta capaz de impulsionar o comércio regional e facilitar transações entre países. Além disso, defendeu programas de cooperação entre universidades e centros de pesquisa, afirmando que parcerias baseadas no conhecimento e na inovação ajudam a criar laços mais sólidos e estratégicos entre as nações da região.
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