
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (15/2), durante a inauguração do Centro de Emergência 24 horas do Hospital Federal Cardoso Fontes, no Rio de Janeiro, que a entrega da unidade representa a devolução de “um pouco de dignidade e decência ao povo brasileiro”. Em discurso, o petista também criticou o que classificou como uso político de hospitais federais ao longo dos anos.
“O que nós estamos entregando aqui hoje é entregando um pouco de dignidade e decência ao povo brasileiro”, declarou. Segundo ele, a estrutura da unidade se assemelha à de um hospital privado, mas deve garantir atendimento público com respeito e qualidade. “Qualquer pessoa que chega aqui, seja quem for, será tratada como se fosse o presidente da República, com respeito e dignidade.”
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Lula afirmou que o hospital “sempre foi utilizado politicamente” e relatou que, no passado, estruturas federais no Rio teriam sido transformadas em moeda de troca eleitoral. “Você colocava um deputado para tomar conta de uma coisa, outro para outra. Até para tomar conta do estacionamento tinha gente que cobrava dos funcionários. Isso é caso de cadeia, isso chama-se exploração do povo brasileiro”, disse, sem citar nomes.
O presidente também defendeu que as unidades sob responsabilidade da União devem se tornar referência para o restante do sistema de saúde. Ele relembrou uma reunião com o então ministro Humberto Costa, em 2003, quando teria defendido a transformação dos hospitais universitários em centros de excelência. “Se está na mão do governo federal, nós temos a obrigação de fazer com que seja modelo para aquilo que faz o prefeito e o governo do estado”, afirmou.
Ao abordar gargalos históricos do atendimento público, Lula destacou a dificuldade da população em conseguir a chamada “segunda consulta”, com especialistas. Segundo ele, muitos pacientes aguardam meses entre o primeiro diagnóstico e exames mais complexos. “Às vezes só tem vaga daqui 10 ou 12 meses. Se der sorte, a pessoa sobrevive; se não der sorte, não vai fazer a segunda consulta”, disse.
Campanha
O petista também citou a criação do Farmácia Popular do Brasil como medida para ampliar o acesso a medicamentos gratuitos e evitar que pacientes deixem de se tratar por falta de recursos. “Quantas pessoas morreram saindo do médico com a receita na mão e sem dinheiro para comprar remédio?”, questionou.
Durante o discurso, Lula mencionou ainda o programa Programa Agora Tem Especialistas, que, segundo ele, busca ampliar a oferta de consultas, exames e diagnósticos. O presidente afirmou que o governo pretende colocar em circulação dezenas de unidades móveis equipadas para realizar exames pelo país, incluindo rastreamento de câncer e ressonância magnética.
Ao lado do prefeito Eduardo Paes, Lula disse que o objetivo é garantir atendimento digno independentemente de renda, religião ou origem. “Não importa quem seja — basta ser brasileiro ou brasileira para ter direito a um tratamento digno neste país”, declarou.

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