O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na noite desta quinta-feira (26/2), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para um jantar no Palácio da Alvorada. O encontro ocorreu em meio a rumores de que o comandante da economia do governo Lula representará o PT nas eleições para governador de São Paulo. Haddad, porém, negou a jornalistas que a decisão estaria tomada.
O ministro disse que, sobre o assunto, não conversou com o presidente da República na viagem à Índia e à Coreia. “Não conversamos sobre (a candidatura em ) São Paulo durante os oitos dias de viagem nem no avião nem nas visitas, não houve nenhuma conversa”, disse ele, após negar a informação da pré-candidatura.
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“Eu não conversei com ninguém do PT sobre o assunto e não conversei com o presidente Lula durante a viagem. Antes da viagem, nós tivemos duas conversas sobre o tema, não conclusivas, e vamos, possivelmente, ter outras conversas”, disse ele.
O ministro da Fazenda também assegurou que não marcou data para sair do ministério, mas não confirmou presença na delegação que acompanhará o presidente Lula na viagem aos Estados Unidos, em março, para retomar a negociação sobre tarifas e abertura de mercado com o presidente Donald Trump. “Eu vou conversar com ele sobre isso também (viagem aos EUA). Não tem agenda marcada ainda”, tergiversou.
Uma possível escolha de Haddad para concorrer ao governo de São Paulo resolveria o problema de palanque a Lula, que vai disputara mais um mandato de presidente. Nas eleições de 2022, Haddad representou o PT na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, substituindo Lula, que estava preso em Curitiba por ordem do então juiz (e atual senador) Sergio Moro (União-PR). Porém, perdeu para o atual governador e possível candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Palanques fortes
O presidente Lula tem estimulado seus ministros a entregar os cargos para disputar as eleições de outubro. A estratégia do Planalto é construir palanques fortes e plurais na sua campanha de reeleição.
Além de Haddad, que já anunciou a intenção de deixar a Esplanada — a princípio, para coordenar a campanha pela reeleição de Lula —, mais 19 ministros devem deixar o governo até 4 de abril, data final de desincompatibilização para quem pretende concorrer ao pleito deste ano.
A marcação de uma data para deixar a pasta da Fazenda, inclusive, foi tratada na conversa de ontem, entre Haddad e Lula, no Alvorada. Segundo ele, essa definição dependerá da viagem aos Estados Unidos. No início do ano, a expectativa era que Haddad deixasse o cargo ainda em fevereiro, mas a presença dele no time que acompanhará Lula no encontro com Trump é considerada essencial. Na pauta do encontro, temas estratégicos, como a exploração de minerais críticos e terras raras, além da negociação das tarifas que ainda incidem sobre produtos brasileiros. Outro tema de interesse bilateral é o combate crime organizado transnacional e ao narcotráfico. Os dois líderes também vão conversar sobre a geopolítica da América Latina.
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