CASO MASTER

Prisão de Vorcaro reforça ofensiva das CPIs contra esquema no Banco Master

Relatores afirmam que a operação da Polícia Federal valida apurações no Congresso e defendem fim de privilégios a investigados

A prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou reação imediata de parlamentares que comandam investigações no Congresso. Relatores da CPMI do INSS e da CPI do Crime Organizado afirmaram nesta quarta-feira (4/3) que a ação da Polícia Federal confirma a gravidade das suspeitas em apuração e reforça a necessidade de aprofundamento das investigações.

A medida ocorreu na terceira fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que também resultou na prisão de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. As diligências apuram suspeitas de ameaças, articulação de ações violentas e possível corrupção de agentes públicos ligados ao caso.

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Relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) afirmou que a prisão demonstra que o investigado já deveria estar detido. Segundo ele, mesmo monitorado por tornozeleira eletrônica, Vorcaro teria continuado a intimidar desafetos e determinado agressões, inclusive contra jornalistas. “Essa prisão reforça que ninguém está acima da lei”, declarou.

Gaspar também criticou o que classificou como tratamento desigual na Justiça. Para o parlamentar, o país não pode admitir “uma lei flexível para banqueiros e implacável para o cidadão comum”. A CPMI do INSS havia aprovado, na semana passada, pedidos de quebra de sigilo de Vorcaro e do Banco Master, abrangendo o período de 2015 a 2025.

No Senado, o relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira, afirmou que os fatos recentes evidenciam “atuação típica de crime organizado de altíssima periculosidade”. Segundo ele, as informações divulgadas até o momento indicam coordenação de ações violentas e tentativas de cooptação de agentes públicos, o que pode ampliar o escopo da investigação parlamentar.

Vieira também mencionou decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que anulou a quebra de sigilos da empresa Maridt Participações, determinada pela CPI. A empresa pertence ao ministro Dias Toffoli e familiares. Para o senador, os desdobramentos do caso reforçam a necessidade de atuação firme das comissões parlamentares na apuração das conexões envolvendo o Banco Master.

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