O senador Sergio Moro deixa o União Brasil e oficializa nesta terça-feira (24/3) sua filiação ao Partido Liberal (PL), em um movimento que consolida sua pré-candidatura ao governo do Paraná e reaproxima o ex-juiz do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro. A cerimônia acontece na sede do partido em Brasília e ocorre após entraves regionais com o PP, que dificultaram a construção de uma aliança em torno de seu nome no estado.
A mudança partidária também simboliza um novo capítulo na relação entre Moro e Bolsonaro, marcada por alianças e rupturas nos últimos anos. Em 2018, o então magistrado ganhou projeção nacional ao conduzir a Operação Lava-Jato. Logo, foi convidado para comandar o Ministério da Justiça no início do governo. À época, assumiu com a promessa de autonomia para enfrentar o crime organizado e a corrupção.
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O desgaste, no entanto, surgiu ainda no primeiro ano de gestão. Divergências sobre o pacote anticrime e a transferência do Coaf para o Ministério da Economia evidenciaram a falta de sintonia entre o ministro e o Palácio do Planalto. O ponto de ruptura veio em 2020, com a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, aliado de Moro. O então ministro acusou o presidente de tentar interferir politicamente na corporação, especialmente no Rio de Janeiro, onde tramitavam investigações sensíveis.
A saída do governo foi seguida por uma troca pública de acusações. Moro passou a criticar o ex-presidente, enquanto aliados de Bolsonaro o classificaram como traidor. O embate se estendeu até o período pré-eleitoral de 2022, quando o ex-juiz ensaiou uma candidatura ao Planalto, mas acabou recuando.
A reaproximação ocorreu no segundo turno daquele ano, quando Moro declarou apoio à reeleição de Bolsonaro, gesto que ajudou a reduzir as tensões. Desde então, o senador tem mantido alinhamento com pautas da oposição ao governo federal e adotado um discurso mais próximo ao campo bolsonarista.
No cenário estadual, a aposta é de competitividade. Levantamento recente da Paraná Pesquisas indica Moro na liderança das intenções de voto, com índices que variam entre 40% e 47%, à frente de nomes como Requião Filho (PDT) e Rafael Greca (MDB). A expectativa é que ele divida palanque no Paraná com o senador Flávio Bolsonaro, que já declarou apoio à candidatura e deve reforçar a campanha no estado.
