Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem um cenário melhor do que em 2022 para disputar a reeleição. Dias, apontado como um dos coordenadores da campanha presidencial, com foco no Nordeste, avalia que o chefe do Executivo possui palanques mais fortes desta vez e que não enfrentará o "vale-tudo" do último pleito, citando a liberação de auxílios pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e ações ilegais como o bloqueio de estradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Em entrevista ao Correio, o ministro argumentou ainda que a democracia brasileira está em jogo novamente e que "não quer um rei para o Brasil". Ao comentar falas recentes do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — que pediu uma "pressão diplomática" dos Estados Unidos sobre as eleições brasileiras —, Dias ressaltou que o Brasil quer uma relação soberana com os demais países, e não de submissão, e que a posição da família Bolsonaro sempre foi de "antipatriotismo".
Questionado sobre seu futuro no governo, Dias afirmou que, possivelmente, permanecerá à frente do ministério e que deve se afastar do cargo temporariamente apenas mais perto das eleições. Ele também destacou conquistas de sua gestão, como a retirada do Brasil do Mapa da Fome, e projetou investimentos em tecnologia e eficiência para um eventual quarto mandato de Lula. A seguir, os principais trechos da entrevista.
As pesquisas recentes mostram empate entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Como o senhor avalia esse cenário? Vai ser uma campanha difícil?
Eu digo que eleição desafiadora, eleição difícil, foi a eleição de 2022. Nós estávamos fora do governo, em um momento em que era um vale-tudo. Estamos falando aí de despejar cerca de R$ 700 bilhões no ano das eleições. Olha o que aconteceu com os consignados do Bolsa Família. Olha o que aconteceu com a liberação do Auxílio Emergencial, que era um instrumento importante, porém, com várias provas de uso eleitoreiro. Veja o uso da Polícia Rodoviária Federal (PRF), hoje comprovadamente já com pessoas indiciadas. Então, todas essas coisas ali colocavam uma missão de grandes dificuldades. E o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin venceram as eleições com apoio de um time muito grande, uma vontade do povo muito forte. Em 2026, ainda temos polarização, ainda temos tensões, ainda temos desafios, mas eu sou otimista. Eu avalio que, sim, o presidente Lula deve vencer. Vejo várias pesquisas. Dentre elas, aquelas que colocam já uma situação de empate, e outras que colocam o presidente Lula na frente. A referência que temos é o antigo Vox Populi, que faz um acompanhamento junto ao presidente. Em todas elas a gente faz aquela tracking, que é a pesquisa feita com cerca de 100 mil pessoas, que são ouvidas no Brasil inteiro, zona urbana, zona rural, e todas elas apontam o presidente Lula na frente entre 6% e 7%. Nós temos, além disso, na minha visão, palanques melhores do que tínhamos na eleição lá atrás em muitos estados. No Rio de Janeiro, hoje a gente tem um palanque mais forte sob a liderança do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes. Com uma chapa também muito potente. Em Minas Gerais, estou animado com a possibilidade de o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) compor a chapa. Estão se discutindo nomes como Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar; a Marília (Campos); o (Alexandre) Kalil, vários nomes também bem potentes. Eu acho que sai uma chapa ali de centro, apoiada pela esquerda.
E nas outras regiões?
No Rio Grande do Sul, a gente melhorou muito. Bons palanques também lá no Paraná, em Santa Catarina, no Centro-Oeste. A Região Nordeste é uma região que tem um elo muito forte com o presidente Lula. Mantém, com situações complexas mas, nesse caso, favoráveis ao presidente Lula de ter mais de um palanque em alguns estados. A Região Norte também, no Pará, sob a liderança do governador Helder Barbalho, mas também no Amazonas, onde a gente tinha muita dificuldade em 2022, agora com a candidatura do senador Omar Aziz (PSD-AM), junto com o senador Eduardo Braga (MDB-AM), com outros líderes de muito peso. Meu partido também, há uma condição de bons resultados, no contexto da Amazônia. O Sudeste, em São Paulo, com a presença do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, Simone Tebet, que também estamos lá trabalhando a finalização dessa composição, e a perspectiva de crescimento para deputado estadual, deputado federal, enfim, para que a gente possa alcançar bons resultados. Eu digo que agora, após a semana santa, é que a gente começa propriamente a ter a finalização dessa organização em cada estado. É o período em que se tem a decisão, quem está em que partido, quem se afastou para candidaturas, ou para alguma missão. E eu digo que, todos sabem, quando o presidente Lula entra em campo, com a experiência dele, a experiência do ex-governador, nosso vice-presidente Geraldo Alckmin, são pessoas que têm uma força, pela história de muito trabalho, muito potente. Aqui eu lhe digo: vamos vencer? Sim, eu estou animado que vamos vencer, mas vamos trabalhar com muita humildade, com muito respeito à sua excelência, o povo. E trabalhar com muita, muita determinação aqui, em cada canto, Nós vamos ter ali as células de apoio para fazer uma campanha forte. É a democracia brasileira que está em jogo. Queremos um país democrático ou queremos um rei? Eu quero um presidente democrático. Não quero um rei para o Brasil. Segundo, queremos para o Brasil uma condição de ter uma aliança que possa, sendo ela não só com os partidos de esquerda, mas de centro, com quem defende a democracia, com quem defende soberania. Nós não queremos um país submetido nem aos Estados Unidos nem a qualquer país. Teremos sempre uma ótima relação com o povo americano, com o povo europeu, com o povo de todas as regiões, também da América do Norte, da América Latina e do Caribe, da União Africana, o povo da Ásia, o povo também do mundo árabe, preocupado com este momento de guerras. E o presidente Lula, como um dos poucos líderes na defesa da paz, na defesa do diálogo para que se tenha trégua seguida de entendimento para encerrar a guerra, para que a gente possa usar esse dinheiro que hoje usa para derramar sangue, para matar crianças, mulheres, idosos, possa ser usado, quem sabe, para o combate à fome e a superação da pobreza no mundo.
E o cenário no Nordeste, que será o foco de sua atuação na campanha nacional?
O Nordeste tem uma importância grande por ser a região de origem do presidente do Brasil, do presidente Lula, ele é de Pernambuco, e sempre colocou a sua tese de que o Nordeste é solução, não é problema. O Nordeste, sejamos sinceros, fez talvez a maior contribuição para salvar o Brasil de uma interrupção da democracia, ali colocando próximo de 10 milhões de votos de maioria na última eleição, em que a coragem exigia muito do nosso povo. Eu digo que, nesta eleição, há uma tendência também de o Nordeste dar uma grande votação. Nós temos ótimos palanques, seja na Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, ali no Rio Grande do Norte. A gente está lá tratando como fazer com essa decisão do vice (Walter Alves) de não assumir o mandato com o afastamento da governadora Fátima Bezerra, que estava previsto, ela iria para o Senado. Então, nós vamos ter um olhar todo especial sobre como reorganizar naquela região. O estado do Ceará, o estado do meu Piauí, o Maranhão, ou seja, em vários estados, o nosso campo político, por uma situação local, podem lançar mais de uma candidatura. O que estamos trabalhando no Nordeste, também para o Brasil, como sair das eleições com um número significativo de senadoras e senadores do nosso campo político. Como trabalhar na ampliação para a Câmara Federal e, é claro, elegendo uma quantidade grande de governadoras e governadores, e também nas Assembleias Legislativas. Para isso, a gente vai trabalhar realmente com uma forma de organização que sempre trabalhamos, uma organização que possa envolver, já desde agora, a fase que estamos discutindo, o plano para a carta compromisso do presidente, para o plano de governo, com ampla participação: setor público, setor privado, ter aqui esse compromisso de o Brasil seguir crescendo economicamente, mas, cada vez mais, com inclusão socioeconômica. Cada vez mais com soberania, com democracia, com paz, com respeito às igrejas, respeito às diferenças culturais, enfim, que temos em cada segmento da sociedade.
Qual a sua opinião sobre as declarações do senador Flávio Bolsonaro pedindo uma “pressão diplomática” dos Estados Unidos sobre as eleições brasileiras?
Eu digo que é muito difícil uma onça se disfarçar de gato. O fato concreto é que todas as palavras do ex-presidente (Jair) Bolsonaro, do próprio pré-candidato Flávio Bolsonaro, e isso está presente com os irmãos, está presente em muitas áreas, são de antipatriotismo. Ou seja, de não valorizar a importância de uma relação soberana. É de submissão. O Brasil não quer ser colônia nunca mais. O Brasil quer uma relação de igual para igual. Aqui nós temos uma democracia como poucos lugares do mundo. Então, países que têm seus reis, seus sistemas eleitorais, que são países, com parlamentarismo, enfim, são países que têm a sua soberania lá pela vontade do seu povo. No caso brasileiro, não aceitamos nunca mais ditadura. Autoritarismo, pessoas que acham que podem tudo. Não. Aqui, nós queremos um país de diálogo, um país em que possamos respeitar as instituições, os Poderes, estados, municípios, que possamos trabalhar setor público, setor privado, quem é trabalhador, quem é empresário. E é isso que vem sendo praticado pelo presidente Lula com o vice-presidente Geraldo Alckmin. Se a gente olha o que que era a instabilidade do país, que gerava prejuízos com oscilação, em relação à moeda, em relação às ações das empresas, e essa instabilidade que levava à piora nas contas do país, a gente recebeu com dívidas impagáveis, com pauta-bomba. Ou seja, certamente o que queremos é competência na gestão, garantir um governo que respeite o povo, que respeite, inclusive, a oposição, para que a gente possa seguir crescendo. As pessoas querem crescer. Queremos ser um país que possa criar esperança para as novas gerações. Esperança com oportunidades. Quem está estudando sabe que, lá na frente, vai ter uma oportunidade de trabalhar, de empreender, de crescer. É isso que a gente quer oferecer no Brasil. E, nesse aspecto, não podemos ter essa liberdade quando se trata de um país subalterno, um país de joelhos para outro país, seja quem for. Queremos, sim, manter uma ótima relação diplomática, como fazemos com os Estados Unidos. O presidente Lula sentou-se com o presidente (Donald) Trump, mas de igual para igual. Com liberdade de, inclusive, pedir que se tivesse aqui uma trégua para poder garantir o fim das várias guerras espalhadas pelo mundo. Nós estamos falando hoje de mais de 16 países, 17 países em guerra. Olha o efeito que isso vai ter para os mais pobres. Olha o efeito que vai ter para o aumento do preço dos alimentos. A própria ONU (Organização das Nações Unidas) está colocando preocupação também. Eu sou presidente pelo Brasil, junto com a Espanha, na copresidência da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. A previsão é que, só do que já aconteceu, nós teremos mais 45 milhões de pessoas indo para a miséria, para a pobreza, para a fome. Olha o tamanho do estrago da guerra. E ainda ter alguém apoiando isso? Não é razoável. Eu quero um Brasil que tenha liberdade de defender o que é certo, o que é bom para o povo brasileiro.
O senhor mencionou as guerras, e a no Oriente Médio preocupa o governo pela alta no preço do petróleo, que supera, há dias, a marca dos US$ 100. Seu ministério acompanha o impacto que isso pode ter no preço dos alimentos aqui no Brasil? Há medidas já em estudo?
Sim. E eu coordeno a Caisan, que é a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional. São 24 ministérios, pela confiança do presidente, o MDS é quem coordena. E aqui nós acompanhamos a execução, de um lado, do Plano Brasil sem Fome, do Plano Safra, do Plano de Superação da Pobreza e do Plano de Desenvolvimento Econômico. Como é que está o estoque? Estamos trabalhando para que o Brasil, cada vez mais, tenha ali uma política de estoque mais eficiente. O que exportar? O que garantir para o consumo do povo brasileiro? Tivemos já a adoção de medidas, como essa do aumento do preço dos combustíveis, especialmente o óleo diesel, em que, de forma criminosa, fez-se aumento mesmo sabendo que o presidente Lula tinha dado uma compensação, com a redução de tributos e taxas, para garantir o preço dos combustíveis. Agora também em São Paulo, eu estava lá presente, o presidente Lula já anunciou incentivos e estímulos para garantir a manutenção dos preços dos insumos para a produção de adubo, daquilo que importamos, e estímulo para a produção interna. Naquilo que o Brasil pode produzir, aumentar a produção ou produzir em regiões onde ainda não estamos produzindo. Até aqui, a oscilação dos preços está abaixo das expectativas, que é muito positivo. E o governo do Brasil vai adotar todas as medidas necessárias para proteger o povo brasileiro.
Qual será o papel do senhor a partir de agora? Seu nome foi ventilado para substituir a ministra Gleisi Hoffmann na Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Deve ir para essa pasta? E na coordenação da campanha do presidente Lula, qual será seu papel?
O presidente Lula e o presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, ele será o coordenador-geral. A coordenação é feita pelos partidos que vão compor essa frente ampla, é uma frente de centro e esquerda, para as próximas eleições. O presidente Lula, com o vice-presidente Geraldo Alckmin no comando, e ele quer organizar uma coordenação capaz, de um lado, desse acompanhamento para cada região. E eu quero contribuir principalmente com a região que eu conheço bem, o Nordeste, mas ajudando também nas missões junto à coordenação nacional. E também a meta é como organizar em cada estado, organizar cada município, sempre respeitando as lideranças que são do nosso time em cada local. Sobre a SRI, a ministra Gleisi (Hoffmann), junto com o ministro (Alexandre) Padilha fizeram um excelente trabalho. A gente só compreende a importância do trabalho quando a gente vê os resultados, em uma conjuntura bem complexa. O presidente Lula foi eleito com minoria na Câmara, no Senado, tinha que construir ali uma base de apoio que permitiu aprovar projetos importantes tanto na área social como na área econômica. Eu destaco aqui a reforma tributária, os avanços com a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança, o combate a facções. Instrumentos que permitiram mudar, com o novo Bolsa Família, com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o programa do leite, cozinhas solidárias. Os avanços que tivemos também na área de educação, saúde, na área do Minha Casa, Minha Vida, na área da moradia. Ou seja, de um lado, o presidente Lula compreende que o Brasil é um país que chegou a ser a 7ª, 8ª maior potência econômica do mundo. Ali, após o golpe contra a presidenta Dilma (Rousseff), e hoje eu posso afirmar com base em decisões judiciais, o Brasil decresceu, foi perdendo força econômica, chegou à 12ª maior economia. E aqui, sob a o comando do presidente Lula, eu destaco o (ex) ministro Fernando Haddad (Fazenda), a ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), o ministro Geraldo Alckmin (Indústria, Comércio e Serviços), mas integrado com todas as áreas, nós já conseguimos fechar com o maior crescimento médio. O dobro do crescimento da última década. Nós tivemos, nesse período, acima de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) ao ano, e com crescimento da renda, crescimento de oportunidades de emprego, de mais negócios, melhorias na infraestrutura, em todas as áreas. E uma novidade: o desenvolvimento social como parte estratégica do próprio desenvolvimento econômico. Quanto mais nós tiramos pessoas da pobreza, com inclusão para o emprego, para o empreendedorismo, maior o consumo. Quantas pessoas que lá atrás recebiam Bolsa Família e agora empregam outras pessoas? Então, esse caminho vai acontecer. Eu digo isso para pontuar que, certamente, a ministra Gleisi terá esta semana uma posição de aconselhamento ao presidente, com a experiência dela. Eu diria que ela é quem terá um peso muito importante junto ao presidente Lula, e a escolha é dele. A princípio, eu devo permanecer no MDS. Após a oficialização da coordenação na convenção, eu já deixei reservado para férias, para as condições de afastamento, para me dedicar exclusivamente à campanha no período propriamente das eleições.
Que balanço faz das entregas de sua pasta neste final de mandato?
Neste terceiro mandato do presidente Lula, ele coloca o desenvolvimento social como o coração do seu governo, a inovação é o compromisso, com eficiência no social. Como é que o Brasil, que já tinha saído do Mapa da Fome, voltou ao Mapa da Fome? Ele (Lula) achava que nunca mais voltaria. O ministério já tem uma história de muitos anos de proteção social, proteção básica, proteção especial. Aqui a gente trabalha com uma base muito ampla, de cerca de 94 milhões de pessoas. Nem todo mundo tem problema de renda. Por exemplo, no Bolsa Família, são cerca de 48 milhões. Quando a gente olha pessoas violentadas, pessoas que entraram na dependência química, e têm renda, o problema da família não é renda. O problema da família é a dependência química, o problema de saúde mental, que também geram problema social. Nós temos equipes em todos os municípios, são cerca de 12 mil unidades, equipes dos Centros de Referências da Assistência Social (Cras), dos centros de referências especializados, para lidar com coisas mais complexas, crianças abandonadas, pessoas com deficiências, idosos em situações, muitas vezes, também, de abandono ou dificuldade da família. E o ministério já vinha trabalhando desde o nosso ministro (José) Graziano, Patrus Ananias, com essa parte da segurança alimentar, o combate à fome. Também temos junto com o Suas, o Sistema Único da Assistência Social, o Sistema de Segurança Alimentar. Nesse aspecto, o Brasil acumula, provavelmente, uma das mais importantes experiências do mundo. Por isso que o Brasil lidera a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza. O Brasil é referência hoje para mais de 120 países, com os quais o Brasil cooperou e coopera nessa troca de experiências. E eu destaco duas novidades: a inclusão socioeconômica e a política de cuidados, a superação da pobreza. E, nesse aspecto, eu digo que, sim, temos grandes resultados, para mais eficiência. Um cadastro moderno. Fizemos também aqui mudanças na perspectiva de um Bolsa Família que estimule o emprego, o empreendedorismo, o cooperativismo, ou seja, alternativas de trabalho com perspectiva de superação da pobreza. E tiramos o Brasil do Mapa da Fome. Devemos ter alcançado em 2023, 2024 e 2025 mais de 30 milhões de pessoas que estavam na insegurança alimentar, na fome, e que conseguiram segurança alimentar. São pessoas que não estão mais nem na desnutrição, nem na subnutrição, a partir de cruzamento de dados entre a área do Suas e a área do SUS. Eu destaco que, aqui, esse sucesso é um trabalho integrado. Município, estado, governo do Brasil, juntamente com o setor privado, entidades, empresas, enfim, que têm dado grande suporte e também apoio técnico com organismos internacionais.
O que foi feito para fortalecer o acesso dos beneficiários de programas sociais ao mercado de trabalho, e uma eventual saída da pobreza?
Celebrar contrato de trabalho, regularizar um negócio, deixou de ser motivo para perder benefício. E eu perguntava: se é tirar da pobreza a nossa missão, por que que eu tiro da pobreza alguém só porque tem um contrato de trabalho? Passamos a medir a renda. E são cerca de 4 milhões de famílias que, pela renda, não saíram da linha da pobreza. Então, nesse caso, recebem o salário e o Bolsa Família. Cerca de 2,5 milhões de famílias que, mesmo quando a renda elevou, saiu da linha da pobreza, permanece na regra de proteção, recebendo 50% do Bolsa Família junto com o salário, junto com a renda de trabalho, por 12 meses, para que ela também se sinta segura. E, quando perde o emprego, quando sai do Bolsa Família, não sai do cadastro. Em 2025, alcançamos mais 2.069.000 famílias, que saíram da miséria e da pobreza. Por isso, saíram do Bolsa Família. Agora, devemos ter chegado a mais de 20 milhões de pessoas que saíram da miséria e da pobreza. E um dado animador: com mais de 5 milhões de pessoas que alcançaram a classe C, B e A. Além de sair da miséria, sair da pobreza, saíram da baixa renda e foram para a classe média alta. Então, esse caminho é a grande novidade, porque é o caminho que dá solidez a não mais voltar para a fome. A educação é um ponto destacado, mas também todo o apoio, setor público, setor privado, para abrir porta para essas pessoas. Basta ver que, de 4,9 milhões novos empregos, o saldo positivo do Cadastro Geral do Emprego, Caged, 93% é o povo do Cadastro Único Social, e também é o público do Bolsa Família. Na área do empreendedorismo, já são mais de 5 milhões de pequenos negócios que são do público, do Cadastro Único Social, e cerca de metade, 2,5 milhões de pessoas, que era do Bolsa Família. Então, isso é muito potente.
O que esperar do MDS em um eventual quarto mandato do presidente Lula?
Estamos trabalhando cada vez com mais eficiência. Novidades agora também deste mandato, a Dataprev, e aqui também integrado com a Serpro, elas se tornaram o cérebro de toda a base de dados das mais diferentes áreas. Do MDS, do Ministério da Saúde, da Educação, do Trabalho, várias áreas. Isso permite, por exemplo, e vamos aperfeiçoar cada vez mais, garantir um acompanhamento de pessoas com um cruzamento de dados que chega a 1,7 petabyte de informações, com o uso de inteligência artificial (IA) desenvolvida no Brasil, com o uso de tecnologias modernas, que permite mensagens diretas para as pessoas, tratando sobre os direitos que elas têm. E eu digo que, nesse aspecto, a gente ainda tem como avançar. Por exemplo, como a gente pode acompanhar a melhoria de vida dos informais. Que, nesse aspecto, também é outra vitória. O Brasil está diminuindo a informalidade. O Brasil está reduzindo desigualdades. O índice Gini, que era 0,544, fechou 2024 com 0,506, e acho que, pela primeira vez na nossa história, vamos ter alcançado o patamar 0,4. Ou seja, mais igualdade. Uma potência econômica, como o Brasil, um país grande produtor de alimentos, mas cada vez mais com segurança alimentar, e também cada vez mais com menos desigualdade. E, dentro disso, eu ressalto que o uso de uma base de informações potente permite planejar cada pessoa, cada família, cada município, cada estado, e, a partir daqui, ter mais eficiência para alcançar.
Isso aumenta a eficiência dos programas sociais?
Por que antes pagavam cerca de R$ 180 bilhões e (havia) muita gente na fome? Ineficiência. Hoje, a gente paga menos e alcança melhor resultado. A gente pagaria, por exemplo, R$ 175 bilhões. Com a quantidade de famílias que estavam fora e tinham o direito, o Brasil teria chegado próximo de R$ 230 bilhões do Auxílio Brasil. Com eficiência, tirando pessoas com crescimento da renda da pobreza, garantindo pessoas também saindo para o empreendedorismo, para o cooperativismo, pela educação, com mais saúde, tudo isso garantiu uma eficiência tal que fechamos o ano passado com um pagamento de R$ 168 bilhões. Um total de 18,6 milhões de famílias. E, o contrário, se tivesse permanecido como estava, não seriam menos do que 27,5 milhões de famílias que estariam (no programa). Por que que saíram? Por fraude, pessoas que tinham fraudado, irregulares, mas, principalmente, pela elevação da renda, por mais eficiência na inclusão socioeconômica.
O que esperar então do combate à pobreza?
Eu digo que um passo também importante é o Brasil ser referência para tirar pessoas e famílias da fome e da pobreza. O Brasil, cada vez mais, se torna eficiente para tirar municípios, regiões, da pobreza. Nós estamos com um trabalho, por exemplo, na região do Arquipélago de Marajó, e também em outras regiões do Brasil. Aqui, é uma ação integrada, 24 ministérios. Como é que a gente cuida desde sistema de água, melhoria na rede e na qualidade da educação, na saúde, na infraestrutura, estrada — ali tem muito transporte marítimo, transporte fluvial —, energia, como é que garante segurança na área de energia, a perspectiva de atração de investimento para o turismo, para a industrialização de produtos, que a região é muito rica. Então, esse trabalho eu digo que vai acelerar de maneira muito forte, para o Brasil seguir como um país de oportunidades. Oportunidades para o emprego, oportunidades para quem quer ser empresário, oportunidade para crescer.
O senhor ficaria no MDS em um eventual quarto mandato do presidente Lula? Assumiria outra missão?
Olha, o que eu digo que é seguro é que, pela vontade do povo do Piauí, até 2030 eu sou senador. Eu estou aqui pela confiança do presidente Lula, e ele sabe que eu sou uma liderança de missão. É uma missão compatível com minha experiência e meu conhecimento. Abraço sempre com muito prazer. O que posso lhe dizer é que trabalhar com as equipes competentes que temos no Ministério de Desenvolvimento Social, integrado com uma rede extraordinária do Suas, do Sisan (Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), uma rede integrada com educação, saúde, trabalho, enfim, com estados e municípios, ela é também uma ação muito dura, mas muito prazerosa; Você consegue aqui também comemorar importantes vitórias.
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