
A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP), presidente da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados, reconheceu nesta segunda-feira (30/3) que exagerou ao reagir a ataques nas redes sociais e chegou a classificar sua postura como “leviana” em determinados momentos, incluindo o episódio em que chegou se referir em uma publicação o termo "imbeCIS" às pessoas que lideram as ofensas contra ela. A fala foi amplamente criticada por deputadas da oposição na Casa Legislativa.
A declaração foi dada durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Durante questionamento da jornalista Clarissa Oliveira, da CNN Brasil, sobre o impacto de respostas mais duras no ambiente político, a parlamentar afirmou que agiu sob forte pressão diante de ameaças e ataques virtuais. “Nesse ponto eu reconheço que eu fui um pouco ingênua, eu fui um pouco leviana”, disse.
Erika explicou que a reação ocorreu em meio a um cenário que classificou como “doloroso” e “desgastante”, marcado por ameaças de morte, exposição e circulação de imagens ofensivas nas redes sociais. Segundo ela, o uso de ironia e deboche foi uma forma de defesa. “A única reação que eu tive foi a da ironia, foi a do deboche. Fiz pensando em me proteger, em colocar uma posição firme”, afirmou a deputada que também mencionou episódios de embates com outros parlamentares, como a deputada Julia Zanatta (PL-SC), e admitiu que poderia ter adotado outra postura.
“Talvez eu devesse ter me precavido mais, pensado se não iriam tirar de contexto. A gente não pode se nivelar por baixo. Ignorar é uma opção”, disse.
Apesar da autocrítica, Hilton rejeitou a ideia de que suas falas alimentem o chamado “discurso de ódio” no ambiente político. Para ela, essa dinâmica já está instalada e é explorada estrategicamente por adversários. “Não fiz pensando em alimentar o jogo político-eleitoral, mas em me proteger diante da violência e da barbárie”, declarou Hilton que também criticou o que chamou de uso descontextualizado de suas falas para gerar engajamento nas redes e ampliar ataques.
“Teia” de provocações
Ao longo da entrevista, Erika Hilton afirmou que enfrenta uma estratégia coordenada de provocação nas redes sociais, que comparou a uma “teia”.
“Em alguns momentos é preciso ter sangue frio, mas eles conseguem usar ferramentas muito profundas. Cabe a gente respirar, calcular e não se permitir ser envolvida por essas teias”, concluiu.
A participação da deputada no programa ocorre em meio ao debate sobre os limites do discurso político nas redes sociais e o impacto dessas manifestações no ambiente eleitoral.

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