CPI do crime organizado

Ausência de Ibaneis em CPI gera críticas de senadores ao STF

Convocado para prestar esclarecimentos sobre tratativas envolvendo o BRB e a tentativa de aquisição do Banco Master, Ibaneis não compareceu após decisão do ministro André Mendonça

Ibaneis falta à convocação sobre BRB e Banco Master após habeas corpus de André Mendonça -  (crédito:  Ed Alves CB/DA Press)
Ibaneis falta à convocação sobre BRB e Banco Master após habeas corpus de André Mendonça - (crédito: Ed Alves CB/DA Press)

A ausência do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha na oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, nesta terça-feira (7/4), elevou o tom das críticas de senadores contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e ampliou a tensão em torno dos trabalhos do colegiado.

Convocado para prestar esclarecimentos sobre tratativas envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e a tentativa de aquisição do Banco Master — operação que acabou barrada pelo Banco Central —, Ibaneis não compareceu após decisão do ministro André Mendonça, que concedeu habeas corpus desobrigando sua presença.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

A medida foi alvo de críticas imediatas dentro da comissão. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que, embora respeite as decisões judiciais, considera que elas têm comprometido o andamento das investigações. “Tenho que me curvar à decisão judicial, porque com ela não se discute, se cumpre. Mas a advocacia do Senado está recorrendo a todas as decisões que vêm, de alguma forma, inviabilizando”, declarou.

Contarato também questionou a efetividade das CPIs diante de decisões como essa. “Não é razoável que a gente aprove a oitiva de uma testemunha e o Supremo diga que não é obrigado a comparecer. Não querem que se apure?”, disse.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), reforçou o tom crítico e afirmou que há uma repetição de decisões que, na avaliação dele, esvaziam o papel investigativo das comissões parlamentares. “Lamento a reiteração de decisões do Supremo Tribunal Federal esvaziando CPIs, porque essa comissão tocou em um ponto sensível em que ninguém havia tocado”, afirmou.

Durante a sessão, Contarato também fez críticas mais amplas ao sistema de justiça, apontando o que classificou como tratamento desigual na aplicação da lei. Segundo ele, há maior rigor em casos envolvendo populações vulneráveis, enquanto investigações relacionadas a crimes de colarinho branco enfrentariam mais obstáculos.

Apesar do episódio e das críticas ao STF, o presidente da CPI afirmou que os trabalhos continuarão. Segundo ele, a comissão seguirá atuando com “isenção e responsabilidade” na apuração de possíveis conexões entre o crime organizado, agentes públicos e operações financeiras consideradas suspeitas.

 

  • Google Discover Icon
postado em 07/04/2026 13:54
x