
O PT iniciou, ontem, o 8º Congresso Nacional, encontro que vai definir as diretrizes de atuação da sigla com foco nas eleições presidenciais de outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da abertura, já que foi submetido a procedimentos médicos ontem, mas mandou uma mensagem em vídeo. A expectativa é de que ele participe presencialmente do ato amanhã.
O evento reúne dirigentes, governadores, prefeitos, parlamentares e até ministros. Entre os temas em debate estão as possíveis alianças com partidos de centro-direita para enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que vem avançando nas pesquisas.
O programa de governo do partido destaca que as eleições serão novamente um embate da democracia contra a ditadura. "Não se trata apenas de impedir a volta dos golpistas nem de dar continuidade às políticas retomadas a partir de janeiro de 2023. O que está em jogo é mais profundo, traduzido em contradições existenciais: democracia contra ditadura, soberania contra entreguismo, bem-estar contra sofrimento, desenvolvimento contra retrocesso, esperança contra medo, vida contra morte", diz o texto.
Ainda segundo o documento, a estratégia é combater a desinformação. "Nossa tática eleitoral para o próximo ciclo deve ser de ofensiva programática e unidade popular. Não podemos permitir que as forças da reação utilizem novamente a máquina da desinformação para sequestrar o debate público. A reeleição de Lula é o eixo em torno do qual devemos organizar a resistência contra a hegemonia financeira e a extrema-direita", destaca.
O fim da escala 6x1 também aparece como uma das bandeiras. A medida é apresentada como uma forma de enfrentar a "exploração do tempo de vida da classe trabalhadora". Sobre segurança pública, o partido propõe uma mudança estrutural na forma como o país lida com o crime e a violência. O plano defende a "criação de um Ministério da Segurança Pública e de um Sistema Único que integre as ações federais, estaduais e municipais".
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) participou do evento e disse que, mesmo não sendo filiado ao PT, sempre foi recebido “com enorme afeto e consideração”. Ele discursou na abertura do congresso. “O presidente Lula salvou a democracia no Brasil. Se perdendo as eleições tentaram dar um golpe, imagine se tivessem ganhado”, disse, em crítica ao bolsonarismo. Edinho Silva, presidente do PT, discursou defendendo a manutenção do legado de Lula.
Soberania
Personalidades tradicionais do PT discursaram ontem, como José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, e Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula. Eles fizeram críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao destacar a ideia de soberania do Brasil — lema do Planalto. Também cobraram do governo norte-americano a liberdade de Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, sequestrado pelos EUA, no início do ano.
No evento, ministros palacianos saudaram a decisão do governo de restringir bets de "predição" — apostas que oferecem cota fixa para prever eventos como condições climáticas ou até a morte de uma pessoa — e o bloqueio de sites irregulares. Essa movimentação foi avaliada como estratégia do governo para atrair parlamentares e eleitores evangélicos.
Enquanto o próprio presidente diz publicamente que "jogatinas" devem ser proibidas, a base aliada do governo na Câmara vê no tema convergências para uma junção entre o PT e parlamentares evangélicos.
A fiscalização de casas de apostas, inclusive, será uma das bandeiras levantadas pelo congresso do PT. Para o partido, casas consideradas "predatórias" devem ser proibidas. Como exemplo é citado o "Jogo do Tigrinho".
Já casas de aposta não consideradas predatórias, ainda segundo o documento do partido, deve-se aplicar imposto seletivo superior às taxas que incidem sobre o tabaco.
Assim como preveem as discussões no Congresso do PT, a proposta de banir as "bets" consta em um projeto de lei de autoria do líder do governo na Câmara, deputado federal Pedro Uczai (PT-SC).
