O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (20/4) que a parceria entre Brasil e Alemanha ganha relevância em um cenário internacional marcado por incertezas econômicas, conflitos e transformações tecnológicas. A declaração foi feita durante a 42ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha.
Em tom descontraído no início do discurso, Lula relembrou o histórico jogo da Copa do Mundo de 2014, quando a seleção alemã venceu o Brasil por 7 a 1. “No dia 8 de julho deste ano vai completar 12 anos que a seleção da Alemanha ganhou do Brasil de 7 a 1, e que isso não se repita nessa Copa do Mundo agora”, disse, ao cumprimentar autoridades e representantes empresariais dos dois países.
Ao abordar a relação bilateral, o presidente destacou a longevidade e a intensidade dos laços econômicos entre as duas nações. Segundo ele, desde 1974 o encontro reúne empresas e lideranças que sustentam uma das parcerias mais dinâmicas do país. Lula ressaltou que atualmente mais de 1.200 empresas alemãs estão integradas ao ambiente econômico brasileiro, enquanto companhias brasileiras ampliam sua presença no mercado alemão.
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O presidente também enfatizou o papel histórico da Alemanha no desenvolvimento industrial do Brasil. De acordo com ele, a presença alemã contribuiu para a formação de engenheiros, técnicos e para a consolidação de uma cultura de qualidade e precisão na indústria nacional. Ainda assim, alertou que a parceria precisa se adaptar aos desafios contemporâneos.
Lula apontou a mudança climática, a fragmentação da economia global e as transformações tecnológicas e energéticas como fatores que impactam diretamente o ambiente de negócios. Ele destacou ainda a crescente instabilidade internacional, com conflitos armados afetando preços, rotas comerciais e investimentos, além do enfraquecimento de fóruns multilaterais.
Nesse contexto, o presidente defendeu o fortalecimento de alianças estratégicas. “É justamente nesse momento que parcerias sólidas, como a do Brasil e Alemanha, revelam a sua potência, a sua força”, afirmou.
Lula mencionou também a participação brasileira na Feira de Hanôver, considerada a maior feira industrial do mundo, destacando o envio de 440 empresas e startups. Para ele, a escolha do Brasil como país parceiro do evento reflete a confiança internacional na economia brasileira e sinaliza uma reaproximação da Alemanha com o país.
Ao tratar do cenário interno, o presidente afirmou que o Brasil vive um momento econômico favorável, mesmo diante da desaceleração global. Segundo ele, o país registrou crescimento médio superior a 3% nos últimos três anos e atingiu, em abril, o maior patamar histórico da Bolsa de Valores.
Lula atribuiu os resultados à recuperação da capacidade do Estado de formular políticas públicas e destacou impactos positivos no mercado de trabalho e no controle da inflação. “O mercado de trabalho respondeu com mais oportunidades para milhões de brasileiros. A inflação segue controlada e devolvemos o poder de compra às famílias brasileiras”, concluiu.
