
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou, no fim da tarde desta quarta-feira (13/5), que vai apresentar à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, pedidos de prisão preventiva do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em postagem nas redes sociais, o congressista disse que é fundamental a investigação sobre a negociação envolvendo recursos para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em nota (leia abaixo), o senador reconhece que pediu patrocínio para o filme.
Segundo Lindbergh, a representação será protocolada tanto na PF quanto na PGR. O parlamentar também informou que pedirá o bloqueio total de bens de Flávio Bolsonaro. O pedido inclui ainda a extensão da medida ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e ao Partido Liberal.
A medida tem como base uma reportagem publicada pelo Intercept Brasil. O conteúdo afirma que Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o desembolso de US$ 24 milhões para financiar o filme Dark Horse, descrito como uma produção sobre a biografia de Jair Bolsonaro.
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De acordo com a publicação, o valor corresponde a cerca de R$ 134 milhões. A reportagem aponta ainda que, desse total, ao menos R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações financeiras diferentes.
O site afirma que existem cronogramas de desembolso, comprovantes bancários e cobranças relacionadas às parcelas previstas para a produção cinematográfica. O material divulgado também cita a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Mario Frias (PL-SP) nas negociações relacionadas ao projeto.
Ligação antes de prisão é citada
Outro ponto destacado pela reportagem envolve uma ligação telefônica atribuída a Flávio Bolsonaro. Segundo o Intercept Brasil, o senador telefonou para Daniel Vorcaro em 16 de novembro, um dia antes da primeira prisão do ex-banqueiro, para cobrar uma das parcelas previstas no acordo.
A informação passou a ser usada por Lindbergh Farias como um dos argumentos para defender a necessidade de prisão preventiva. Em manifestação pública, o deputado afirmou que a situação “precisa ser investigada” e alegou que Flávio Bolsonaro, caso permaneça solto e candidato, poderia interferir nas apurações.
Em publicação sobre o caso, Lindbergh declarou: "Vamos entrar na PF com pedido de prisão de Flávio Bolsonaro". O deputado classificou o conteúdo divulgado como "muito grave" e associou os envolvidos ao chamado "escândalo do Master".
Além da prisão preventiva, a representação que será encaminhada às autoridades pede aprofundamento das investigações sobre os recursos usados para financiar o filme Dark Horse. O deputado também quer que os órgãos responsáveis avaliem o fluxo financeiro relacionado às operações mencionadas na reportagem.
Nota do senador Flávio Bolsonaro
Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.
