Legislativo

Bolsonaristas defendem Flávio e cobram instalação de CPMI do Master

Mesmo com Congresso esvaziado, aliados dizem que vazamento é ofensiva política e reforçam pressão por investigação do Banco Master

Apesar do esvaziamento de parte da bancada bolsonarista no Congresso após a divulgação dos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, aliados do parlamentar saíram em defesa do pré-candidato à Presidência e intensificaram a pressão pela instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master.

Parlamentares da oposição passaram a sustentar que não há ilegalidade no pedido de “patrocínio privado” para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A estratégia da direita também incluiu contra-ataques ao governo federal e questionamentos sobre patrocínios feitos por estatais a projetos culturais.

O deputado federal Rodrigo Valadares (PL-SE) afirmou que a repercussão dos áudios reforça a necessidade de investigação sobre o Banco Master e acusou governistas de tentarem barrar a criação da comissão parlamentar.

“Precisamos pressionar os parlamentares do governo que querem impedir a CPMI do Master. As relações obscuras do Master precisam ser investigadas”, declarou.

Valadares também minimizou o fato de Flávio Bolsonaro buscar recursos junto ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, projeto que virou alvo de questionamentos após o vazamento dos diálogos.

“Eu não vejo problema em pedir para um banco privado patrocinar um filme. O Itaú faz isso, o Bradesco faz isso, o Santander e muitos outros”, afirmou.

O parlamentar aproveitou o episódio para direcionar críticas ao governo Lula e anunciou que prepara um requerimento para cobrar informações sobre patrocínios culturais financiados por empresas públicas.

“Esse episódio nos alerta para acompanhar com lupa os patrocínios feitos pelo Banco do Brasil, Caixa, Petrobras e outros órgãos públicos que patrocinam, muitas vezes, produções que nem acontecem. Estou providenciando um requerimento para questionar os patrocínios realizados por essas empresas públicas e investigar isso com rigor”, disse.

Aliados negam irregularidade

A mesma linha foi adotada pelo deputado federal Coronel Tadeu (PL-SP), que classificou a reação da esquerda como uma tentativa de desgastar politicamente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

“Não há qualquer irregularidade no fato de um filho buscar patrocínio privado para a produção de um filme privado. Diferente do que historicamente acontece com a esquerda, não há uso de dinheiro público nem gastos bancados pelo contribuinte”, afirmou.

O parlamentar também citou os investimentos públicos destinados ao carnaval deste ano para rebater as críticas feitas por governistas ao caso.

“A tentativa da esquerda de transformar esse episódio em ataque político faz parte de uma estratégia para conter o crescimento de Flávio Bolsonaro, mas não irá prosperar”, declarou.

Mesmo diante das divisões que começaram a surgir dentro da direita após as críticas do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) ao caso, Coronel Tadeu afirmou que o campo conservador permanece alinhado em torno do nome de Flávio Bolsonaro para 2026.

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