O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa está em tratativas finais para firmar o acordo de delação premiada com a Polícia Federal, segundo fontes ligadas ao caso ouvidas pelo Correio. A previsão é de que, na próxima semana, ele assine um termo de confidencialidade com os investigadores — período em que fornece as informações a que teve acesso, cita envolvidos nas fraudes e compartilha provas. Em seguida, a defesa apresenta a proposta de delação. A previsão é de que até o fim deste mês a colaboração premiada seja protocolada oficialmente e aceita pela corporação.
Na atual fase, PHC está definindo com os advogados o material que será apresentado. A avaliação é de que há um conteúdo robusto, especialmente sobre o caminho do dinheiro, além da participação de autoridades do Distrito Federal no esquema criminoso. Ele também cita autoridades federais.
A delação do ex-chefe do BRB é vista como complementar, pois vai ao encontro de provas obtidas no curso da Operação Compliance Zero, reforça o setor documental da apuração e ajuda no desenho do organograma do sistema de corrupção generalizada que atingiu o Master e o BRB.
De acordo com a legislação que rege a delação premiada, o réu colaborador deve apontar criminosos com mais relevância que ele e chefes do esquema, para, então, obter os benefícios válidos pelo acordo. Além disso, deve apresentar documentos e provas que comprovem sua versão.
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No começo do mês, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) chegaram a rejeitar os termos da delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por considerar o material apresentado como "fraco" e que não descreveria sequer autoridades sobre as quais os investigadores já sabem que existe algum nível de envolvimento. Com isso, a avaliação de fontes ligadas ao caso é de que ele amargaria uma pena pesada, além do sequestro de patrimônio, bloqueio de bens em contas bancárias e de recursos no exterior.
No entanto, a PF e a PGR decidiram dar oportunidade a Vorcaro, assistido por seus advogados, de apresentar um material mais consistente.
PHC é considerado uma peça importante, pois foi presidente do BRB em um momento em que as fraudes e as práticas criminosas corroeram o caixa e o patrimônio do banco público, deixando um prejuízo bilionário.
A iniciativa da delação partiu do ex-chefe do BRB, no mês passado. Ele trocou de advogados para negociar a colaboração. A transferência de PHC para o 19º Batalhão da PM, conhecido como Papudinha, deu praticamente um aval ao início das tratativas. No local, ele tem acesso facilitado aos integrantes da PF que conduzem o caso, consegue obter melhor logística para prestar depoimento e deixa o presídio até que sua situação final seja definida.
Nessa sexta-feira, em reunião com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores pediram mais tempo para concluir o inquérito que apura o envolvimento entre Master e BRB. A equipe apontou que surgiram novos fatos, novas linhas de investigação e que o prazo para entregar o material, no próximo dia 18, é insuficiente. Mendonça se mostrou disposto a autorizar a prorrogação. Ele pediu aos agentes que formalizem o pedido.
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