PESQUISA ELEITORAL

Pré-campanha de Flávio Bolsonaro aciona TSE contra pesquisa Atlas/Bloomberg

Levantamento é o primeiro divulgado após áudios vazados, e aponta que 51,7% dos entrevistados consideram que as conversas vazadas trazem indícios claros de participação do senador no escândalo financeiro ligado ao Banco Master

A coordenação jurídica da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) ingressou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contestando a integridade da pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19/5). A ação pede a suspensão imediata do levantamento e a apuração de possível crime eleitoral. Também foi solicitado que a Corte avalie a eventual ocorrência de irregularidades na divulgação e na formulação do estudo.

Segundo a equipe do senador, a metodologia utilizada pela pesquisa teria sido estruturada de forma a induzir uma percepção negativa sobre o parlamentar e teria sido desenhada para "contaminar" as respostas dos entrevistados. “Para a coordenação jurídica, a pesquisa revela precedente manipulativo grave e deixou de observar a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais destinados à divulgação pública”, diz trecho da nota divulgada à imprensa.

O levantamento é o primeiro divulgado após áudios e mensagens enviados por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, dono do banco Master, divulgados pelo site Intercept Brasil, e aponta que 51,7% dos entrevistados consideram que as conversas vazadas trazem indícios claros de participação do senador escândalo financeiro ligado ao Banco Master.

A pesquisa também aponta que, para 54,9% dos entrevistados, o vazamento das mensagens representa evidências legítimas obtidas em uma investigação sobre possíveis fraudes. Já 33% consideram que houve perseguição política contra o senador. Ainda de acordo com o levantamento, 45,1% dos brasileiros afirmam que o caso enfraqueceu muito uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Nos cenários eleitorais simulados na pesquisa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, Lula teria 47% contra 34,3% do senador. Em um eventual segundo turno, os números seriam de 48,9% a 41,8%, respectivamente.

A pesquisa Atlas/Bloomberg ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio, por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-06939/2026.

Nota na integra da pré-campanha

A coordenação jurídica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ingressou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma representação contra a pesquisa registrada pelo instituto AtlasIntel, sob o nº BR-06939/2026.

A ação questiona a metodologia adotada no levantamento e sustenta que o questionário teria sido estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro. Segundo a representação, a sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados.

Para a coordenação jurídica, a pesquisa revela precedente manipulativo grave e deixou de observar a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais destinados à divulgação pública. O pedido afirma que o instrumento não apenas mediu a opinião dos eleitores, mas apresentou estímulos capazes de influenciar a percepção do entrevistado antes de perguntas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral.

A representação também pede a apuração de possível prática de crime eleitoral, diante da gravidade dos vícios apontados e do risco de divulgação de pesquisa considerada fraudulenta pela defesa. O processo foi protocolado no TSE como representação sobre “Pesquisa Eleitoral - Divulgação de Pesquisa Eleitoral Fraudulenta”, com pedido liminar.

A pré-campanha defende que pesquisas eleitorais devem seguir critérios técnicos rigorosos, com transparência, equilíbrio e imparcialidade, para não serem utilizadas como instrumento de direcionamento da opinião pública. O pedido apresentado ao TSE inclui medida liminar para suspender a divulgação da pesquisa.

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