CONGRESSO NACIONAL

Nikolas sobre escala 4x3: ‘Se é na dor que aprende, que assim seja’

Deputado reage após PL passar a apoiar proposta mais ampla de redução da jornada e afirma que medida pode "quebrar o Brasil"

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou nessa terça-feira (26/5) que o apoio da sua sigla à proposta de escala 4x3 tem o objetivo de expor o que classificou como uma “medida populista” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da esquerda. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar disse que, “se é só na dor que o brasileiro aprende, então que assim seja”.

A declaração ocorre horas após a bancada do PL na Câmara mudar de posição e anunciar apoio à proposta da deputada Erika Hilton (Psol-SP) que prevê jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso. Até então, o partido vinha adotando postura contrária ao debate sobre o fim da escala 6x1.

No vídeo, Nikolas afirma não ser contrário à redução da jornada de trabalho, mas critica a forma como o tema vem sendo conduzido. Segundo ele, a proposta não teria estudos suficientes sobre impactos econômicos e poderia provocar aumento de custos e desemprego.

O deputado também elevou o tom contra o PT e classificou a medida como “criminosa” e “irresponsável”. Segundo ele, o partido tenta transformar uma pauta de apelo popular em bandeira eleitoral. Nikolas afirmou ainda que o governo federal está há “quase 20 anos no poder” e só agora passou a defender o fim da escala 6x1, tema que ganhou força no debate político recentemente, impulsionado por discussões nas redes sociais e no Congresso.

No início das discussões sobre a mudança na jornada de trabalho, inclusive, Erika Hilton ressaltou que a alteração refletia um movimento global em direção a modelos de trabalho mais flexíveis aos trabalhadores, reconhecendo a necessidade de adaptação às novas realidades do mercado de trabalho e às demandas por melhor qualidade de vida dos trabalhadores e de seus familiares.

Ao justificar o apoio do PL à proposta mais ampla, Nikolas disse que a estratégia do partido é permitir que a medida avance para que a população veja, na prática, os efeitos econômicos do projeto.

“A gente não vai apoiar porque concorda com essa medida populista irresponsável. A gente quer mostrar que, quando der merda, a culpa é deles. E antes das eleições vai dar para a população fazer uma escolha diferente. Porque senão fica muito fácil, ne? A gente vai contra a medida e nós somos inimigos do povo”, disse. “O governo do PT, ele criou esse problema, alimentou esse problema, que é lucrar politicamente com isso", emendou.

Críticas a Erika

O parlamentar também criticou Erika Hilton e afirmou que a deputada não apresentou estudos de viabilidade econômica para sustentar a proposta. Além disso, rebateu críticas feitas à atuação dele no tema e negou que tenha defendido ampliação da jornada semanal para 52 horas.

Na gravação, Nikolas defendeu um modelo de flexibilização baseado em limite semanal de 40 horas, com possibilidade de distribuição da carga horária conforme acordo entre patrão e empregado. Segundo ele, o modelo defendido pelo PL permitiria jornadas mais flexíveis sem impor um formato único de escala.

Recuo

A bancada do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados anunciou nessa terça-feira (26/5) que irá apresentar um destaque de preferência para votar a proposta da deputada Erika Hilton sobre o fim da escala 6x1, em vez do texto que atualmente tramita na comissão especial da Casa.

Os parlamentares mudaram de posição e passaram a defender o fim da jornada atual, além da adoção da jornada 4x3, com quatro dias de trabalho e três de descanso. O anúncio foi feito pelo líder da legenda, Sóstenes Cavalcante, durante discurso no plenário da Casa.

“Nós tomamos a decisão de amanhã, na hora da votação em plenário, apresentar destaque de preferência para votarmos a escala 4x3, porque nós somos a favor do trabalhador trabalhar menos, ficar em casa, descansar com a sua família e não somos hipócritas e oportunistas como este governo", disse Sóstenes no plenário.

Nos bastidores, parlamentares do PL avaliam que a mudança de posição coloca pressão sobre o governo em uma pauta de forte apelo popular. O tema é tratado como prioritário pelo Palácio do Planalto e visto por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma possível bandeira para a campanha à reeleição.

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