
Novas mensagens indicam que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tratou como prioridade máxima os pagamentos destinados ao filme Dark Horse, projeto sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo reportagem do jornal Intercept Brasil publicada nesta terça-feira (2/6), a mudança ocorreu após cobranças relacionadas ao aporte feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
De acordo com o veículo, conversas de janeiro de 2025 mostram Vorcaro acompanhando pessoalmente a liberação de recursos para a produção cinematográfica, mesmo diante de dezenas de milhões em outros pagamentos pendentes e em um contexto de dificuldades financeiras enfrentadas pelo Banco Master.
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Segundo o Intercept, em 20 de janeiro de 2025, o empresário Thiago Miranda, apontado como intermediador das negociações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, enviou mensagem ao banqueiro cobrando a realização do primeiro aporte previsto para o filme.
A reportagem afirma ainda que Miranda encaminhou a Vorcaro uma mensagem atribuída ao senador, na qual Flávio pedia agilidade na resposta do departamento jurídico do investidor responsável pelo financiamento do projeto. Após receber a cobrança, Vorcaro respondeu que verificaria a situação.
Nos dias seguintes, conforme as mensagens reveladas pelo Intercept, o banqueiro passou a monitorar diretamente o andamento dos pagamentos. Em uma conversa com Fabiano Zettel, cunhado e colaborador de confiança de Vorcaro, o empresário questionou se os recursos destinados ao filme já haviam sido transferidos.
Quando soube que o projeto ainda não havia recebido os valores previstos, Vorcaro respondeu que aquele era "o mais importante disparado" e acrescentou que o pagamento "não pode falhar mais", segundo a publicação.
A reportagem destaca que as conversas ocorreram em um período em que o Banco Master já enfrentava questionamentos relacionados à liquidez e à capitalização da instituição.
O Intercept informou ter procurado Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro, Thiago Miranda e Paulo Calixto para comentar as informações divulgadas. Segundo a reportagem, não houve manifestação até a publicação da matéria e o espaço permanece aberto para posicionamentos.
O Correio também tenta contato com Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro, Thiago Miranda e Paulo Calixto. Em caso de manifestação, o texto será atualizado.
Entenda o Caso com linha do tempo
Fim de 2024
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O Banco Master passa a enfrentar maior verificação regulatória relacionado à liquidez e capitalização, segundo informações citadas pelo Intercept.
Janeiro de 2025
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O cronograma do filme "Dark Horse" previa a realização do primeiro aporte financeiro.
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Thiago Miranda cobra Daniel Vorcaro sobre a liberação dos recursos.
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Miranda encaminha ao banqueiro uma mensagem atribuída a Flávio Bolsonaro pedindo agilidade no processo.
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Em conversas internas, Vorcaro passa a acompanhar diretamente os pagamentos ligados ao projeto.
28 de janeiro de 2025
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Após ser informado de que o aporte ainda não havia sido realizado, Vorcaro afirma, segundo mensagens divulgadas pelo Intercept, que o filme era "o mais importante disparado" entre seus compromissos financeiros.
Maio de 2025
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Conforme documentos revelados anteriormente pela série "Vaza Flávio", pelo menos US$ 10,6 milhões já haviam sido transferidos ao fundo Havengate, responsável pela produção do filme.
Maio de 2026
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O Intercept divulga áudios indicando negociações para um financiamento de aproximadamente US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) para o projeto cinematográfico.
Junho de 2026
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Novas mensagens reveladas pelo Intercept apontam que Vorcaro tratou os aportes ao filme como prioridade máxima após cobranças relacionadas ao projeto.
A divulgação dos áudios e mensagens envolvendo o senador o ex-banqueiro gerou desgaste político, com reflexos no esvaziamento da base aliada. O episódio, que gerou incertezas sobre a pré-candidatura de Flávio, resultou na saída de Duda Lima da coordenação da campanha e questionamentos jurídicos de pesquisas eleitorais pela defesa.

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