MERCADO FINANCEIRO

Fuga de dólares: Maio tem maior saída de investidores estrangeiros desde 2022

Dados levantados pela Elos Ayta Consultoria mostram que fluxo negativo de capitais chegou próximo a R$ 15 bilhões

A queda histórica do principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no último mês de maio foi intensificada pela saída massiva de recursos de investidores estrangeiros.

Nesse período, eles retiraram R$ 14,91 bilhões da B3, considerando apenas operações no mercado secundário e desconsiderando aportes em IPOs (ofertas públicas iniciais — quando uma empresa começa a vender seus títulos) e follow-ons (ofertas públicas que ocorrem quando a empresa já está listada na bolsa).

Os dados foram levantados pela Elos Ayta Consultoria,e mostram que a saída de recursos foi a maior desde agosto de 2023, quando alcançou R$ 13,21 bilhões. Se considerados os aportes em IPOs e follow-ons, a saída líquida em maio atingiu R$ 13,27 bilhões, o que representa o maior fluxo negativo da série analisada desde 2022.

Mesmo com o resultado negativo para maio, o fluxo acumulado de investidores estrangeiros desde janeiro de 2026 ainda segue positivo. Nesse período, o saldo líquido chega a R$ 41,63 bilhões — desconsiderados IPOs e follow-ons. Ao incluir essas ofertas de ações, o ingresso líquido acumulado atinge R$ 43,78 bilhões

A saída desses recursos no último mês é reflexo de uma combinação de fatores externos e domésticos, na avaliação da Elos Ayta. De acordo com a consultoria, a forte valorização dos ativos brasileiros nos primeiros meses do ano, além da migração parcial de recursos para mercados desenvolvidos em meio à manutenção de juros elevados nos Estados Unidos, ajudam a explicar esse movimento.

Cautela com cenário fiscal

Outro fator considerado é o aumento da cautela dos investidores estrangeiros em relação ao cenário fiscal brasileiro. “Embora maio represente uma mudança relevante de direção no fluxo estrangeiro, o saldo acumulado de 2026 continua indicando que os investidores internacionais permanecem como os principais responsáveis pela sustentação da liquidez e da valorização observadas no mercado acionário brasileiro ao longo do ano”, destaca o CEO da Elos Ayta, Einar Rivero.

Em maio, o Ibovespa registrou o pior resultado nominal desde fevereiro de 2023, com uma queda de 7,22%, encerrando esse período aos 173.787 pontos. O movimento baixista teve início ainda na metade de abril, quando a bolsa chegou a ultrapassar pela primeira vez os 199 mil pontos, mas, desde então, acumula sete semanas consecutivas no vermelho.

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