O vice-presidente Geraldo Alckmin avaliou, nesta terça-feira (2/6), como “injusta” a recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de taxar em 25% produtos brasileiros, após uma investigação do governo de Donald Trump avaliar que o governo brasileiro adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com o país.
O vice e ministros, como o da Fazenda, Dario Durigan, reuniram-se durante a manhã, estudando uma resposta do governo.
Alckmin afirmou que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tentará dialogar com o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, na quarta (3), em Paris, França, durante um encontro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ele garantiu que envolverá o setor privado para ajudar na resolução do impasse.
“Vamos envolver a iniciativa privada. Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), empresas americanas. Temos quase 4 mil empresas americanas no Brasil, que investem no país. Temos um comércio exterior importante,. Os EUA são o terceiro maior comprador e vendedor para nós. Todo o setor privado, vamos unir todo mundo. Unir do país na defesa da soberania nacional e no interesse do povo brasileiro”, afirmou.
Um dos alvos dos norte-americanos, o Pix foi defendido por Alckmin, que pontuou ser “um patrimônio nacional, uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade, da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população”.
O vice-presidente também destacou que as empresas nacionais e estrangeiras têm o “mesmo tratamento equitativo no Brasil”.
Alckmin declarou que o acordo entre Mercosul, Índia e México não implica ou restringe as compras de produtos norte-americanos ou à atividade de empresas do país. “O que se tem são entendimentos sobre linhas tarifárias, de preferência que não impliquem em nenhuma restrição a nenhum produto ou empresas americanas e dentro da lei", comentou.
Enfrentamento à corrupção
No âmbito do combate à corrupção, ele ainda ressaltou que foram aprovados 30 dispositivos dentro do tema. Já sobre propriedade intelectual, Alckmin apontou que o maior beneficiado pelo trabalho do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com 30% das patentes registradas pertencentes aos EUA.
“Depois, o etanol. Nós temos uma tarifa de 18% para entrada no Brasil do etanol. Nos EUA é de 12,5%, muito próxima. E, no caso do açúcar, nós só temos uma cota de 150 mil toneladas. O que passar disso, para entrar nos EUA, tem US$ 340 a mais por tonelada, o que representa 80% de tarifa de importação. Há um desequilíbrio total em prejuízo do nosso país”, disse.
Alckmin também ponderou que está ocorrendo uma queda nos índices de desmatamento, “a maior queda dos últimos sete anos” nos seis biomas brasileiros. “Na Amazônia, caiu mais de 50% o desmatamento. O Brasil tem o compromisso de zerar o desmatamento até 2030", enfatizou.
