PRESIDENTE EM MINAS

Ida de Lula a Divinópolis provoca divergência até na família de Cleitinho

Visita do presidente para inauguração do Hospital Regional ainda nem foi confirmada, mas divide, além de governo e oposição, também o clã Azevedo

A vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, no próximo dia 19 de junho, ainda não foi oficialmente confirmada pelo Palácio do Planalto, mas já provoca divergências entre governo e oposição e também dentro da família do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), pré-candidato ao governo do estado.

A agenda, que tem como objetivo a inauguração do Hospital Regional de Divinópolis (HRD), gerou manifestações distintas entre Cleitinho e seu irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL). O senador defendeu a presença do presidente, enquanto o deputado criticou a visita e questionou o papel do governo federal na entrega da unidade.

Já o ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Republicanos), que renunciou ao mandato em abril para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, adotou um tom conciliador em relação aos irmãos.

Da tribuna do Senado Federal, Cleitinho afirmou que a visita estava causando polêmica, mas que, da parte dele, Lula será “muito bem recebido” na cidade. “Ele tem que ir, uai. É o presidente da República. Qualquer outro presidente que estivesse em exercício e fosse à minha cidade, eu teria que ficar feliz, honrado”, disse.

Ele defendeu a presença do presidente e agradeceu ao senador Camilo Santana (PT-CE), que foi ministro da Educação entre janeiro de 2023 e abril de 2026, por ter ajudado na articulação para finalizar as obras da unidade hospitalar e colocá-la em funcionamento. 

“Não é do estado, não é do governo federal. É dinheiro do povo para o povo”, disse Cleitinho, que criticou a disputa sobre a autoria da obra. 

“Uma coisa que o meu pai me ensinou, graças a Deus, é ter educação com as pessoas, ter civilidade, ser republicano. Então, se ele está indo em Divinópolis, que seja muito bem-vindo. E que ele possa ir mais a Minas Gerais, ao Vale do Jequitinhonha, ao Norte de Minas, que são regiões para as quais eu sempre peço ajuda. Então, presidente Lula, pode ter certeza de que vai ser muito bem recebido", discursou.

A declaração foi contestada por Eduardo Azevedo. Ao comentar, nas redes sociais, uma reportagem do Estado de Minas sobre as declarações do senador, o deputado afirmou que o presidente não é bem-vindo nem por ele “nem pela maioria dos divinopolitanos”.

Em nota enviada à redação, o deputado disse que não tem como acolher o presidente. "Respeito a posição do meu irmão Cleitinho. Mas de minha parte não posso acolher um presidente que envergonha os brasileiros pelo mundo e que não cuida do nosso povo como deveria. Quanto ao hospital regional, Lula vem se aproveitar eleitoralmente de uma obra concluída e entregue pelo Governo do Estado", afirmou Eduardo.

O deputado já havia compartilhado anteriormente, em suas redes, um vídeo do ex-governador Romeu Zema (Novo), que afirmou que a obra do hospital foi realizada com recursos do governo de Minas Gerais, “que era o pai e a mãe da obra”.

Em sua publicação, afirmou que a entrega da obra ocorreu sob gestão estadual. “Mais importante é o hospital pronto, porém a verdade tem que ser dita. Quem inaugurou foi o governo do estado”, escreveu.

O ex-prefeito de Divinópolis também se manifestou sobre o assunto nas redes e disse que, caso seja convidado para a inauguração, pretende comparecer, independentemente da presença ou não do presidente.

“Se eu vou estar presente no dia da inauguração do hospital, porque o presidente Lula vai estar aqui, quero deixar bem claro que não sei se eu vou ser convidado, porque não sou mais prefeito de Divinópolis, mas se for convidado, com certeza estarei presente, porque o hospital regional, ele não é do governo federal, do estado municipal, ele não é do prefeito, do presidente, nem do governador, ele é do povo", disse Gleidson, que é gêmeo do senador. 

Ele disse ainda que, enquanto prefeito, acompanhou as etapas do projeto e realizou ações institucionais para viabilizar o andamento do hospital juntamente com a tesoureira nacional do PT, Gleide Andrade, também de Divinópolis e candidata a deputada federal.

“Esse cronograma foi construído com a participação da Gleide Andrade, que ajudou nesse trabalho de articulação para que o hospital avançasse”, disse o ex-prefeito, citando a ajuda da adversária petista na conclusão dessa obra.

A visita do presidente foi anunciada em primeira mão por Gleide e também foi confirmada pelo vereador de Divinópolis, Vitor Costa (PT).

Disputa pela paternidade

A divisão entre execução da obra e custeio da operação tem sido utilizada por diferentes grupos para sustentar versões sobre a participação de cada ente federativo.

A unidade teve as obras interrompidas e foi concluída com recursos do estado, provenientes do acordo judicial firmado após o rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019. A operação do hospital ficará sob responsabilidade da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), com financiamento do governo federal.

Em fevereiro deste ano, Zema, então governador, acompanhado de seu vice, Mateus Simões (PSD), atual governador, participou na cidade de uma cerimônia de conclusão das obras do HRD.

Paralisada desde 2016, a obra foi retomada em 2023 e concluída em dezembro de 2025. Para viabilizar a entrega da unidade, o governo de Minas investiu cerca de R$ 134 milhões, sendo aproximadamente R$ 49 milhões na execução das obras e outros R$ 85 milhões destinados à aquisição de equipamentos, mobiliário hospitalar e adequações necessárias ao funcionamento do hospital. A manutenção ficará a cargo da União.

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