
A primeira-dama Janja Lula da Silva participou nesta quinta-feira (11/6) do III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas, realizado no Gama, no Distrito Federal. Acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ela discursou cobrando o fim da violência contra as mulheres.
Em um discurso emocionado, Janja começou sua fala lendo nomes de mulheres assassinadas recentemente em casos de violência de gênero e se emocionou ao abordar o tema diante de mais de 600 lideranças quilombolas reunidas no evento.
“O que eu acabei de falar são nomes de apenas algumas mulheres que tiveram suas vidas interrompidas em nosso país nos últimos dias. Sabemos que a violência não atinge todas da mesma forma. As mulheres e meninas negras são historicamente as maiores vítimas das desigualdades, da exclusão e das diversas formas de violência”, afirmou.
Janja citou dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e destacou que cerca de 62% das vítimas de feminicídio registradas entre 2021 e 2024 eram mulheres negras. Em um dos momentos mais fortes do discurso, ela criticou a invisibilidade enfrentada por essas vítimas. “Não se fala mais que a mulher que morreu é uma mulher negra. Até nisso as mulheres negras estão sendo invisibilizadas”, declarou.
A primeira-dama também ressaltou as ações do governo federal no enfrentamento à violência contra as mulheres e mencionou os avanços obtidos com o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios. Segundo ela, o esforço conjunto entre os Poderes tem permitido reduzir o tempo de análise de medidas protetivas e ampliar mecanismos de proteção às vítimas.
“Não podemos permitir que mulheres sejam mortas por homens que não aceitam que não são donos das mulheres. Não podemos permitir que mães, filhas, tias, irmãs e amigas tenham suas vidas arrancadas”, disse. Janja também destacou a ampliação do uso de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores e o fortalecimento das redes de acolhimento.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que as mulheres quilombolas ocupam papel central na defesa dos territórios tradicionais e no enfrentamento das desigualdades históricas. “Não há democracia sem reparação, não há justiça social sem combate ao racismo e não há justiça climática sem garantir os direitos dos povos e comunidades tradicionais”, declarou.
Promovido pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), o encontro reúne representantes de 24 estados brasileiros e delegações internacionais. Com o tema “Mulheres Quilombolas na Defesa da Justiça Climática, por Reparação e Democracia”, o evento segue até o próximo dia 14 de junho com debates, painéis e atividades voltadas ao fortalecimento das comunidades quilombolas.

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