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Flávio elogia mulheres, mas alfineta Michelle: 'Desinformada'

Em reunião com lideranças femininas, pré-candidato busca melhorar a imagem após ser acusado pela ex-primeira-dama de misoginia. Senador critica a madrasta por ter compartilhado um vídeo que insinua a presença dele em uma festa de Vorcaro

Por Luiza Altoé e Armando Holanda

Na tentativa de melhorar a imagem junto às eleitoras, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu, nessa quarta-feira, com lideranças femininas de direita para discutir propostas do seu plano de governo. O encontro ocorreu em meio ao abalo sofrido pela pré-campanha do parlamentar após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acusar o enteado de misoginia.

Michelle, que anunciou na terça-feira a saída da Presidência do PL Mulher, não participou da reunião. Também não compareceram as principais aliadas dela no partido.

No encontro, Flávio discursou em tom de aproximação. "Respeito demais a Michelle e tenho a convicção de que vamos superar esse momento difícil e que ela vai estar caminhando junto com a gente", afirmou. No entanto, retomou as críticas à madrasta ao chamá-la de "completamente desinformada" por ter compartilhado um vídeo que, na avaliação do senador, insinua que ele teria participado de uma festa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em Miami, nos Estados Unidos. A postagem foi feita pelo ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e fala da festa com conotação sexual chamada "Noite das astronautas".  

"Acho que é algo que, ou ela está sendo induzida, ou não dá para entender muito bem", frisou Flávio sobre a madrasta. "Quando ela pega um vídeo do Garotinho insinuando que eu possa estar numa festa do Vorcaro, ela está completamente equivocada."

Ao negar vínculo com a festa, o pré-candidato disse que sua relação com Vorcaro se restringe ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. O site Intercept Brasil revelou conversas de Flávio com o dono do Master nas quais ele pede R$ 134 milhões para, supostamente, financiar a cinebiografia. Desse total, R$ 61 milhões foram efetivamente repassados. "A única relação que tenho com ele é o filme. Vocês não vão me ver em festinha de Vorcaro. Nunca entrei em avião de Vorcaro e nunca estive em festinha de astronauta", pontuou.

Misoginia

Flávio também disse repudirar "veementemente" as declarações do influenciador Paulo Figueiredo de que as mulheres "votam muito mal". Ele enfatizou que o jornalista estaria "completamente equivocado" e que não faz parte da pré-campanha. Figueiredo, assim como o irmão do senador, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, atua nos Estados Unidos em busca de represálias contra autoridades brasileiras.

"É óbvio que ele é uma pessoa que nos ajuda muito nos Estados Unidos, nas pautas que nós temos buscado junto com o meu irmão. (...) Em função disso, as pessoas tentam colocar no meu colo uma fala que não é minha", afirmou.

O pré-candidato ainda ressaltou que, se as mulheres tendem a não votar nele, é consequência de uma "falta de competência" dele próprio, como também, de uma falta de comunicação. "A partir do momento em que a gente conseguir ter esse diálogo aberto com todas as mulheres, mostrar que as pautas a que elas são favoráveis são as mesmas que a direita defende, a gente vai resolver. Não é acusando as mulheres de não saber votar, é mostrando para a maioria que nós temos as melhores propostas", destacou. 

Algumas das participantes da reunião afirmaram que o conflito é página virada. A deputada Julia Zanatta (PL-SC) disse que, agora, é "bola para a frente". "Todo time tem alguns problemas às vezes, e esse é um problema que já está resolvido", frisou. A parlamentar é uma das cotadas para vice na futura chapa de Flávio.

Damares cobra

Também nessa quarta-feira, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) fez um discurso em defesa da participação das mulheres na política e cobrou que lideranças masculinas condenem publicamente casos de violência política de gênero.

A declaração ocorreu durante reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, um dia após Michelle Bolsonaro deixar o comando do PL Mulher, em meio à crise com Flávio Bolsonaro.

Sem citar nominalmente o pré-candidato à Presidência, Damares direcionou um recado aos homens que já estão em campanha eleitoral. “Agora é para todos os homens que estão em cima de palanques, em palcos, já fazendo pré-campanha: se vocês não nos defendem, o silêncio de vocês é conivência”, disparou. E reiterou: “Há os homens que estão no processo político eleitoral. Se vocês se silenciam diante do ataque e da violência política contra a mulher, vocês são coniventes com o ataque, vocês são cúmplices dos ataques".

 

 

 

 

 

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