A divulgação de desdobramentos do caso Banco Master tem repercutido de forma distinta entre os eleitores brasileiros. Pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (8/7) mostra que 39% dos entrevistados consideram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o político mais envolvido com o escândalo, enquanto 37,4% apontam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal personagem ligado ao caso.
Os números indicam um cenário de divisão na percepção pública sobre a responsabilidade política associada à investigação. Outros 22,5% disseram não saber responder à pergunta, e 1,1% afirmaram que nenhum dos dois estaria envolvido.
O levantamento é referente à repercussão de um áudio atribuído a uma conversa entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. No diálogo, divulgado no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, os dois tratariam de um aporte de R$ 134 milhões destinado à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador sustenta que não cometeu irregularidades e afirma que o encontro teve caráter empresarial.
A pesquisa também mediu os possíveis efeitos do episódio sobre a corrida presidencial de 2026. Para 36,5% dos entrevistados, a revelação do áudio não altera a disposição de votar em Flávio Bolsonaro. Já 29,5% afirmaram que o caso reduz as chances de apoio ao senador, enquanto 6,6% disseram que o episódio aumenta a intenção de voto. Outros 19,5% não souberam responder e 8% declararam que não pretendem participar da eleição.
O instituto também avaliou a repercussão das suspeitas envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos principais aliados de Lula no Congresso. A Polícia Federal investiga a relação do parlamentar com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, e apura se houve favorecimento a interesses ligados ao Banco Master. Wagner nega qualquer irregularidade e afirma não possuir vínculo relevante com o banqueiro.
Questionados sobre o impacto da proximidade entre Lula e Wagner, 42% dos entrevistados disseram que as suspeitas não alteram a disposição de votar pela reeleição do presidente. Outros 17,3% afirmaram que o episódio diminui as chances de apoio ao petista, enquanto 7% disseram que aumenta. O percentual dos que não souberam responder chegou a 24,7%, e 9% declararam que não pretendem votar.
O caso Banco Master tornou-se um dos principais temas do debate político neste ano após o avanço das investigações da Operação Compliance Zero. Além de apurar supostos crimes financeiros envolvendo o banco e seus dirigentes, a investigação alcançou figuras influentes do cenário político, ampliando o potencial de desgaste para lideranças tanto da direita quanto da esquerda.
A pesquisa ouviu 1.500 pessoas entre os dias 3 e 6 de julho em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05628/2026.
