
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu adversário direto na corrida presidencial, senador Flávio Bolsonaro (PL), fizeram do Rio de Janeiro um palco não apenas da disputa eleitoral, mas, sobretudo, para falarem sobre segurança pública. Acompanhados dos seus respectivos candidatos ao Palácio Guanabara — Eduardo Paes (PSD) com o petista e Douglas Ruas (PL) com o filho 01 —, procuraram galvanizar a militância para as propostas que têm para o combate ao crime organizado, às facções e para a retomada de territórios controlado por estados paralelos.
Em comício no histórico Estádio Proletário Guilherme da Silveira, em Bangu, na Zona Oeste carioca, Lula defendeu a aprovação de uma proposta de emenda constitucional sobre segurança pública e afirmou que, caso a iniciativa avance no Senado, pretende criar um ministério somente para administrar a área. Também prometeu ampliar a atuação federal contra o crime organizado, com reforço da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
"Vamos tirar o bandido do território de vocês e vamos devolver o território ao povo do Rio de Janeiro", afirmou Lula, ao associar a recuperação do Estado à atuação integrada das forças de segurança e à eleição de seus aliados. Bangu é um dos bairros da Zona Oeste carioca, que tornou-se uma parte da cidade sob controle das milícias.
Flávio, por sua vez, mais uma vez entoou discurso bolsonarista de endurecimento da segurança pública. Em evento no Maracanazinho, estádio que é parte do Complexo do Maracanã, afirmou que o Brasil vive uma escalada da violência e resumiu sua crítica ao governo Lula com a afirmação de que "o Brasil não aguenta mais quatro anos de PT". Ele reafirmou que pretende classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as milícias como grupos terroristas, seguindo a lógica do governo dos Estados Unidos. Também defendeu penas mais duras, mudanças no sistema prisional e o aumento da punição para crimes como roubo de celulares.
"Esses caras vão mofar na cadeia ou vão ser neutralizados pela nossa polícia se enfrentarem", garantiu.
O candidato do PL também prometeu aprovar a castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças, e afirmou que pretende ampliar o uso de mecanismos tecnológicos de proteção às mulheres. Em outro momento, Flávio afirmou que, se eleito, irá "declarar guerra aos narcoterroristas" e voltou a associar a candidatura à promessa de devolver às ruas à população.
"Ou nós vencemos o PT, ou o PT vai acabar com o nosso Brasil", bradou.
O comício de Lula, porém, abriu espaço também para as mulheres. A estratégia petista no estado passa pela conquista do eleitorado feminino. Ao lado do presidente, a primeira-dama Janja Lula da Silva direcionou seu discurso para as demandas femininas e homenageou a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que tenta a vaga ao Senado. Também lembrou da vereadora assassinada Marielle Franco como símbolo de resistência e associou a disputa eleitoral às condições de vida de mulheres que trabalham, estudam, criam filhos e sustentam famílias.
"Nós, mulheres, somos as guardiãs da democracia brasileira", afirmou.
O palco de Lula também teve espaço para apresentar Eduardo Paes. Amenizou as diferenças partidárias e reforçou que a eleição do ex-prefeito carioca é uma necessidade para o Rio. "Hoje, eu posso dizer para vocês que o Eduardo Paes não é apenas meu amigo. É uma necessidade para o povo do Rio de Janeiro", frisou. O presidente também reforçou a mensagem de continuidade de seu projeto político e disse que pretende chegar novamente ao Palácio do Planalto para concluir iniciativas que considera inacabadas.
Pelo lado de Flávio, coube a Douglas Ruas fazer o discurso voltado ao público feminino. Disse que pretende colocar a proteção e a autonomia das mulheres entre as prioridades de uma eventual gestão.
"Vamos ter um governo que vai respeitar as mulheres aqui no Estado do Rio de Janeiro. Vocês são a maioria da população. Vocês é que vão decidir o futuro do Brasil", disse, no lançamento de sua campanha ao governo do Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, na zona norte da capital fluminense.
Ruas afirmou que pretende garantir às mulheres segurança, acesso à saúde e oportunidades. Segundo ele, a autonomia financeira deve ser uma ferramenta de proteção para evitar a dependência de parceiros. "Sabemos que a melhor política de proteção para as mulheres é a autonomia financeira", disse.
Saiba Mais

Política
Política
Política
Política