OPERAÇÃO SEM DESCONTO

OAB acusa PF de violar sigilo profissional de Willer Tomaz, alvo de buscas no DF

Representante da entidade afirma em petição enviada ao STF que foram recolhidos documentos e itens de informática do advogado relativos a outros processos, alheios aos fatos investigados

Em uma petição enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acusa a Polícia Federal de violação do sigilo funcional do advogado Willer Tomaz, que foi alvo de mandado de busca e apreensão no Lago Sul, em Brasília, na semana passada. As supostas irregularidades foram constatadas por um representante da Ordem que acompanhou as diligências. A entidade pediu para ingressar como assistente no processo, em razão da situação.

De acordo com o documento, o qual o Correio teve acesso, os agentes policiais teriam recolhido do escritório equipamentos de informática e documentos referentes a clientes que não tinham relação com as diligências em curso. O mandado, expedido pelo ministro André Mendonça, determinou que o sigilo profissional fosse preservado e fosse recolhido apenas materiais relacionados às suspeitas de envolvimento do advogado com o senador Weverton Rocha, suspeito de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), investigado pela Operação Sem Desconto.

A reportagem apurou que no escritório estão processos de outros réus no Supremo, como acusados pelos atentados do 8 de janeiro e outros acusados de envolvimento no esquema de fraudes no INSS. Por lei, em buscas contra advogados, um representante da OAB deve participar das diligências.

"Invoquei, expressamente, a cautela prevista no próprio mandado (alínea “h”), segundo a qual o material vinculado a sigilo profissional ou a pessoas estranhas ao objeto da diligência deveria ser previamente submetido ao Excelentíssimo Ministro Relator para triagem, e somente após deliberação judicial disponibilizado à Polícia Federal. Não obstante, a autoridade policial opôs-se reiteradamente a essa determinação", descreveu o representante da OAB no documento.

"Presenciei, ainda, que integrantes da equipe fotografavam documentos com seus próprios aparelhos celulares, inclusive por meio do aplicativo WhatsApp, compartilhando-os com a “coordenação” da operação, de quem a orientação retornava no sentido de apreender o material", completa o documento.

Procurada para comentar o caso, a Polícia Federal ainda não respondeu aos questionamentos. O espaço segue aberto.

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