Durante sabatina no Jornal Nacional, nesta terça-feira (25/8), o candidato à Presidência Ronaldo Caiado evitou fazer uma avaliação direta sobre os relatos de ex-comandantes das Forças Armadas a respeito de uma suposta tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022 e voltou a defender a necessidade de “pacificar o Brasil”.
Questionado sobre declarações do então comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, e do então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, Caiado foi perguntado sobre como avaliava os relatos de que houve reuniões para discutir medidas de exceção e pressões sobre militares para aderirem a uma ruptura institucional.
Em resposta, o candidato afirmou que não pretende manter o debate político centrado na polarização e fez uma referência ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, defendendo que sua prioridade seria governar o país. “Eu quero é governar. Ninguém aguenta mais essa polarização”, afirmou.
Caiado citou episódios históricos envolvendo o governo de Juscelino Kubitschek e destacou que, segundo ele, parte dos anistiados durante aquele período participou, anos depois, do golpe de 1964. Também mencionou a revolta de Jacareacanga, quando integrantes da Aeronáutica se rebelaram contra o governo de JK.
Ao retomar sua defesa de uma anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, Caiado afirmou que sua intenção seria encerrar o conflito político em torno do tema e concentrar as discussões nos problemas que, segundo ele, atingem a população brasileira. “Deixa eu trabalhar, eu sou estadista, deixa eu pensar no Brasil”, declarou, ao mencionar Juscelino Kubitschek.
Na sequência, o candidato direcionou sua fala para temas como segurança pública, endividamento da população, saúde, educação, emprego e orçamento público. Caiado afirmou que o país enfrenta, em sua avaliação, um cenário de colapso provocado pelo avanço das facções criminosas e pelas dificuldades econômicas enfrentadas pelos brasileiros. “É milícia, é faccionado, ocupando o território brasileiro”, disse.
O candidato também citou filas na saúde, problemas na qualidade da educação e o elevado endividamento da população. Segundo ele, o debate eleitoral deveria se concentrar em propostas para enfrentar esses problemas.
“De repente, aquilo que eu quero é pacificar o Brasil e partir para o debate de conteúdo. Nós temos que fazer uma reunião aqui, debater conteúdo. Vamos debater a educação brasileira, vamos debater a segurança no Brasil”, afirmou.
Caiado sustentou ainda que uma eventual proposta de anistia seria encaminhada por ele ao Congresso Nacional, que ficaria responsável por deliberar sobre o assunto. O candidato afirmou que respeitaria as prerrogativas institucionais e destacou sua experiência como parlamentar. “Eu encaminharei ao Congresso, o Congresso vai deliberar sobre o assunto. Então, estou cumprindo as regras”, declarou.
Durante a sabatina, os entrevistadores voltaram a insistir no tema ao citar o depoimento do general Mário Fernandes, que confirmou a autoria do chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”, mencionado na pergunta como uma proposta que previa o assassinato do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Mesmo diante da nova referência aos depoimentos de militares e às acusações relacionadas à suposta trama golpista, Caiado manteve sua defesa de que o país precisa superar a polarização e voltar sua atenção para questões como segurança, educação e economia.
