
O diretor-executivo do RenovaBR, Rodrigo Cobra — escola apartidária para a formação de líderes políticos —, chama a atenção para o fato de que, em 4 de outubro, não se votará somente para presidente e governador, mas, também, para deputados (estaduais, distritais e federais) e senadores. E que isso parece passar despercebido ao eleitor, por causa da acirrada disputa presidencial. Ele frisa que a escolha para os ocupantes das cadeiras no Congresso são fundamentais para o equilíbrio entre os Poderes, mas o embate mais difícil do próximo mandato será dará no Senado.
"A gente tem um debate enorme sobre a campanha presidencial. A gente tem uma discussão gigantesca sobre o Judiciário e as campanhas ao Legislativo, principalmente. O Senado, que vai ser o freio contrapeso da República, onde está? Onde estão as discussões a respeito disso?", questionou, em entrevista aos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Denise Rothenburg para o Podcast do Correio.
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Isso porque a Casa tem o poder de abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. E as duas principais campanhas presidenciais — a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a do Flávio Bolsonaro (PL) — apostam pesadamente no maior número de senadores, a fim de fazerem uma maioria que dê suporte ao governo.
Rodrigo defendeu a importância da qualidade dos votos para as cadeiras no Legislativo e ressaltou o papel da entidade que dirige na formação de novos políticos. "O Renova é, hoje, a única instituição que forma pessoas de maneira pluripartidária", explicou.
O diretor do RenovaBR apresentou, na entrevista ao podcast, dados das últimas eleições. Neste ano, foram registradas mais de 20 mil candidaturas, mas isso representa uma queda de 33% se comparado à última eleição presidencial — em 2022, foram aproximadamente 30 mil postulantes. Porém, Rodrigo relacionou esse número à aplicação da cláusula de barreira, em vigor desde 2018, além da consolidação de fusões e federações partidárias.
"A gente teve, de 2018 para cá, um entendimento na sociedade, na mídia e nos formadores de opinião de que a ideia de ter menos partidos iria favorecer a política", observou Rodrigo. Ele explicou, também, que esse movimento acabou concentrando a estrutura partidária e dificultando a entrada de novos nomes no cenário político.
Vantagem
Outra questão ressaltada por Rodrigo, e que pesa contrariamente a novos nomes que postulam uma cadeira no Legislativo, é que as emendas parlamentares garantem mais visibilidade para quem já tem mandato. Quatro anos de mandato dão uma vantagem sobre quem está chegando agora.
"Um parlamentar, hoje, tem muitos recursos para se demonstrar muito mais atuante na sua regionalidade e colocar a sua cara para o eleitor durante os quatro anos de mandato", disse.
Ela chamou a atenção, ainda, para a reativação da plataforma "Tem Meu Voto", que permite aos eleitores escolher possíveis candidatos ao cargos do Legislativo. Os candidatos se inscrevem na página e respondem a oito perguntas objetivas sobre temas centrais. Os eleitores interessados fazem o mesmo — acessam a plataforma e respondem ao mesmo questionário. Ao final, o site faz o "match" entre o postulante e o eleitor. Isso, segundo Rodrigo, serve para qualificar o voto do eleitor, que costuma escolher em quem vai votar dias antes das eleições. Segundo do diretor do RenovaBR, 2.011 candidatos fizeram o registro.
O RenovaBR começou as atividades em 2017, um ano antes das eleições de 2018, atraindo 4 mil inscritos na primeira turma. Desse número, foram 133 selecionados para participar do curso. Dezessete candidatos foram eleitos em 2018. Nas eleições municipais de 2020, as turmas formaram 2.100 alunos, alcançando mais de 150 eleitos. Em 2022, 21 parlamentares estaduais e federais que obtiveram cadeiras no Legislativo participaram do programa. Em 2024, 365 ex-alunos foram eleitos.
Ao ser questionado sobre as críticas que recebeu no início da escola, Rodrigo reiterou que o RenovaBR é uma escola de formação pluripartidária. Explicou que o programa sempre se afastou dos partidos políticos. "Hoje somos entendidos, de fato, como uma escola de formação de líderes políticos", frisou.
Rodrigo garante que o RenovaBR funciona com investimento privado. Do total, 90% dos apoiadores são pessoas físicas e o restante são instituições e integrantes do terceiro setor nacionais e internacionais. Segundo Rodrigo, o programa é auditado desde a criação e publica relatórios anuais de gastos.
*Estagiária sob supervisão de Fabio Grecchi