Operação Unha e Carne

Escrivão da PF é investigado por suspeita de vazar operação a esquema bilionário

Policial manteve contato com operador de organização criminosa na véspera de ação da PF; mensagens temporárias e encontro presencial levantaram suspeitas de vazamento de informações sigilosas

A Polícia Federal identificou indícios de que um escrivão da própria corporação teria repassado informações sigilosas a integrantes de uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro, corrupção e exploração irregular de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. O servidor Fábio Henrique Ferreira dos Santos, lotado na Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz/RJ), é apontado como possível integrante de um núcleo responsável pelo vazamento de informações sobre operações policiais.

Segundo as investigações, o escrivão mantinha contatos frequentes com Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como “Pablo Russo”, apontado como principal operador econômico do esquema. A organização teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões por meio de uma extensa rede empresarial, especialmente no setor de combustíveis, além de manter relações com agentes públicos para assegurar proteção institucional às atividades ilícitas.

Na decisão desta quinta-feira (15/10), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), destaca que a investigação identificou “mensagens temporárias e a combinação de encontro presencial em 6/7/2026”, um dia antes da sexta fase da Operação Unha e Carne. Para o magistrado, a proximidade entre o policial e o investigado, às vésperas do cumprimento das medidas cautelares, reforça o risco de interferência nas investigações e de comprometimento da apuração criminal.

A suspeita também foi destacada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou favoravelmente ao afastamento do servidor. “A investigação apontou a aproximação do policial com o investigado ‘PABLO RUSSO’, na agenda do qual foi salvo como ‘FABIO FEDERAL FERREIRA’”, registrou o órgão. A PGR acrescentou que o contato suspeito ocorreu na véspera da operação, da qual Pablo foi um dos alvos, e apontou “risco concreto de vazamento de informações sensíveis e de embaraço às diligências ainda pendentes”.

A Polícia Federal também identificou o uso de mecanismos de comunicação destinados a dificultar o rastreamento das mensagens. Os investigadores apontam que Fábio teria mantido contatos frequentes com integrantes da organização criminosa, havendo indícios de possível repasse de informações sigilosas relacionadas a operações policiais. A utilização de mensagens com desaparecimento automático, somada à combinação de um encontro presencial, passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela investigação.

Mais Lidas