A decisão do candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de evitar ataques diretos a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o debate presidencial deste domingo (18/10), na Band, não foi por acaso. Nas coxias do postulante, a avaliação é que o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem um "teto de vidro" que o impede de adotar um discurso mais agressivo contra integrantes do Judiciário, sobretudo diante da proximidade política com o ministro Kassio Nunes Marques.
Indicado ao STF por Jair Bolsonaro, Nunes Marques preside o TSE e mantém interlocução com o grupo político do ex-presidente. Ao Correio, integrantes das duas Cortes avaliam que o magistrado atua como uma espécie de auxiliar dos interesses do bolsonarismo nesta eleição. A leitura desses interlocutores é que a relação entre o ministro e o entorno de Flávio torna politicamente arriscada qualquer ofensiva do candidato contra o Judiciário.
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O cenário ganhou contornos ainda mais delicados após reportagens da revista Piauí trazerem denúncias envolvendo Nunes Marques, incluindo relatos sobre suposta participação em encontros de caráter sexual. As revelações ampliaram, na avaliação de interlocutores ouvidos pela reportagem, o desgaste em torno do presidente da Justiça Eleitoral e reforçaram a percepção de que uma ofensiva de Flávio contra ministros do Supremo poderia abrir espaço para questionamentos sobre sua própria relação com integrantes da Corte.
Nas hostes liberais, a avaliação é que atacar o STF seria um "tiro no pé" para o senador. Embora tenha recebido orientações para responder a eventuais questionamentos sobre a Suprema Corte durante o confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a estratégia traçada foi a de apresentar respostas superficiais, sem aprofundar críticas ou abrir novas frentes de desgaste com o Judiciário.
