
Fontes governistas ouvidas pelo Correio afirmaram que a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Senado Federal deve ficar para depois das eleições. O segundo turno ocorre neste domingo (25/10). O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), não convocou sessões deliberativas no Plenário para esta semana.
A matéria entrou em pauta na última quinta-feira (15), com a expectativa de ser votada na mesma sessão. No entanto, um impasse em torno da redução da maioridade penal adiou a apreciação da matéria, e os parlamentares ainda não chegaram a um acordo sobre o tema.
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De um lado, a oposição apresentou uma emenda sugerindo a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos gerais e para 14 anos em crimes hediondos. O grupo sustenta que tem o número de votos necessários para aprovar a emenda separadamente, mesmo que o relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), a rejeite em seu parecer.
Com receio de que a emenda seja aprovada, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE), tentou conter os danos e apresentou uma emenda que também reduziria a maioridade penal de 18 para 16 anos, mas somente em casos de crimes hediondos. Ou seja, a maioridade de 18 anos seria mantida para os demais crimes.
A iniciativa, no entanto, não encontrou consenso dentro do PT e do governo. Senadores mais antigos do partido resistem à ideia, tendo em vista que a legenda é historicamente contra a redução da maioridade penal. Eles defendiam que a discussão deveria ocorrer posteriormente e de forma separada da PEC da Segurança.
A estratégia de Camilo, no entanto, buscava inserir a campanha de Lula em um tema majoritariamente associado à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e bem avaliado pela população. O próprio presidente Lula disse ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em entrevista à TV Globo na semana passada. Segundo pesquisa Datafolha divulgada no dia 17, oito em cada dez brasileiros apoiam a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
No entanto, uma mudança no texto da PEC exigiria o adiamento de sua análise para depois das eleições. Isso porque, caso a proposta seja aprovada com a inclusão de uma emenda — como a que prevê a redução da maioridade penal —, terá de voltar à Câmara dos Deputados, onde já foi aprovada.
Além disso, caso o tema da redução da maioridade penal fosse incluído na PEC, a aprovação da matéria poderia representar uma vitória para o campo adversário de Lula, liderado por Flávio Bolsonaro.
O adiamento também interfere nos planos da campanha à reeleição de Lula, que pretendia usar a aprovação da proposta como uma resposta do governo na área da segurança pública e do combate ao crime organizado. Nas pesquisas, o tema aparece como uma das principais preocupações do eleitorado.
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