Reeleita governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) tem adotado o silêncio como estratégia política na disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Sem declarar apoio a nenhum dos candidatos, a chefe do Executivo pernambucano busca preservar pontes com os dois lados, de olho na governabilidade dos próximos quatro anos.
Ao Correio, aliados da governadora afirmam que a postura de neutralidade não é fruto de indecisão, mas de um cálculo político conduzido nas hostes do Palácio do Campo das Princesas. A avaliação é de que um posicionamento público neste momento poderia comprometer a relação com o futuro ocupante do Planalto, independentemente do resultado das urnas.
Nas coxias, auxiliares de Raquel sustentam que a prioridade é garantir interlocução com Brasília, sobretudo diante da dependência de recursos federais para investimentos e obras estruturantes no estado. A orientação, portanto, é evitar desgastes desnecessários na reta final da campanha.
Um dos interlocutores da gestora resume a estratégia ao afirmar que Raquel não pretende repetir as dificuldades enfrentadas pelo ex-governador Paulo Câmara (PSB) durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), marcada por divergências políticas entre os dois governos. A ordem no Campo das Princesas é não transformar a disputa presidencial em um obstáculo à administração estadual. Lula obteve 63,45% (3.553.971) dos votos no estado, contra 31.03% (1.738.043) de Flávio Bolsonaro.
