Fitness & Nutrição

O que é diástase pós-parto e como o exercício físico pode ajudar

São frequentes os casos de mulheres com diástase semanas depois de dar à luz. Embora faça parte dessa fase, ela precisa ser tratada para não comprometer a saúde da mãe

POR Giovanna Fischborn
postado em 08/05/2022 00:00 / atualizado em 06/05/2022 08:22
 (crédito: Reprodução/Beatriz Lassance)
(crédito: Reprodução/Beatriz Lassance)

Durante a gestação do bebê, a barriga cresce e os músculos esticam para acompanhar o aumento de peso e volume corporal da mãe. Nesse processo, acontece a distensão de todas as camadas do abdômen. E isso é necessário. Mas, muitas vezes, esse afastamento não regride, traduzindo-se em barriga inchada e flacidez.

"No abdômen, existem músculos separados verticalmente por uma membrana e, na gravidez, ela se distende, afastando os músculos da linha média. A esse alargamento damos o nome de diástase dos retos abdominais", detalha a cirurgiã plástica Beatriz Lassance (@drabeatrizlassance). Por isso que, no puerpério — que é o período após o parto, quando o corpo trabalha para voltar ao que era na pré-gestação —, muitas mulheres ficam com a região volumosa e com excesso de pele acima ou abaixo do umbigo ou mesmo por todo o centro da barriga.

E como saber que tem diástase? A médica explica que dá para fazer um autoexame. O músculo reto abdominal é o que exercitamos para conseguir o "tanquinho". Então, para sentir ou ver o afastamento que caracteriza a diástase, deite-se de barriga para cima, com as pernas flexionadas de modo que os pés fiquem apoiados no chão ou na cama. Movimente-se como se fosse fazer um abdominal. Nessa posição, coloque os dedos 5cm acima e 5cm abaixo do umbigo. No caso de diástase, você sente um afundamento ali.

O tipo mais comum é a periumbilical, que acontece por causa do crescimento do útero. Segundo Beatriz, em alguns casos, a diástase compromete a estabilização da coluna, podendo causar dores na lombar (além de outros sintomas percebidos no dia a dia), principalmente, em pacientes que não praticam atividade física. Daí a importância do exercício.

É importante fortalecer o core

Aida Kellen, 41 anos, é mãe de duas crianças. O mais velho tem 6 anos e a caçula, 2. No pós-parto das duas gestações, ela tratou a diástase com malhação e, hoje, diz que se sente mais bonita do que antes de engravidar. Ganhou consciência da musculatura pélvica e melhorou a postura.

Aida Kellen seguiu um protocolo de exercícios para melhorar a diástase após o nascimento do primeiro filho e, mais tarde, depois de ter o segundo
Aida Kellen seguiu um protocolo de exercícios para melhorar a diástase após o nascimento do primeiro filho e, mais tarde, depois de ter o segundo (foto: Arquivo pessoal)

Na primeira vez, Aida seguiu um protocolo na academia com orientação profissional. Tinha uma série adaptada e, depois de mais ou menos dois meses de treinos, a diástase já havia "fechado". Com o segundo filho foi até mais rápido. Nesse caso, ela já estava mais segura e fez os exercícios em casa, de maneira regrada.

Aida, que é psicóloga e cantora lírica, conta que o processo foi importante também para recuperar a capacidade da voz. Com a diástase, ela tinha a sensação que faltava musculatura para o diafragma se apoiar. Depois do tratamento, sente-se plena para cantar.

Às outras mamães, ela indica, sobretudo, paciência e carinho consigo mesma. "Você teve nove meses para o seu corpo mudar, então, terá pelo menos nove meses para ele retornar ao que era pré-gestação. O trabalho não é fácil. Esse pensamento foi meu mantra", conta.

Quem formulou o programa de exercícios de Aida foi Luciano Frazão (@lucianofrazao.personal), educador físico e parceiro da TAI Crossfit, que trabalha com gestão de pós-parto há quase oito anos. No método que criou, ele usa a ativação abdominal natural do corpo para fortalecer o core — músculos do centro do nosso corpo, o complexo lombar-pelve-abdominal-períneo-quadril.

Quem tem diástase não pode fazer todo e qualquer treino. Por isso, entre as adaptações, os exercícios não podem forçar a musculatura infra-abdominal, e a elevação pélvica (importante para o assoalho pélvico) precisa ser feita sem carga em cima da pelve.

"Acontece que boa parte das academias não está preparada para receber mulheres com diástase, justo elas que precisam se exercitar", observa Luciano. De acordo com ele, esse deficit ocorre em função da desinformação sobre o tema. "Essa mulher tem especificidades. É comum ter escape de urina durante uma corrida ou hérnia umbilical se fizer exercícios que não deveria, que acabam piorando o quadro. Por isso, é importantíssimo saber dizer o que ela deve e o que não deve executar", aponta.

Ele recomenda a prática de atividade física adaptada e orientada por especialista para mães de qualquer idade, mesmo as que, hoje, têm filhos adultos e queiram melhorar uma diástase que ainda existe. A malhação é indicada também entre gestações. Em relação à alimentação, um cardápio variado e saudável é importante para absorção de colágeno e nutrientes a mais que o corpo precisa nessa fase e complementa o tratamento.

Indicação deve ser individual e personalizada

Ainda assim, não é certo generalizar a indicação de tratamento. A hérnia umbilical, problema associado à diástase, pode aparecer quando se faz um exercício indevido e também quando a linha média do abdômen está muito fraca. "Em alguns casos, o alargamento da cicatriz umbilical é tanto que permite a saída de conteúdo da cavidade abdominal, o que causa dor e, eventualmente, outras complicações", afirma a cirurgião Beatriz Lassance.

Para essas mulheres, o recomendado, antes de tudo, é tratar a hérnia ou outro problema que tenha surgido. Importante lembrar que exercícios físicos orientados diminuem a distância, melhoram os sintomas e ajudam a diástase a regredir, mas, para algumas, a recuperação definitiva vem mesmo com cirurgia, na qual os músculos são aproximados da linha média.

"Quando a flacidez é pequena, podemos fazer a miniabdominoplastia, em que a diástase é corrigida com pontos e não deixa cicatriz ao redor do umbigo. Se há muita flacidez, optamos pela abdominoplastia clássica", explica.

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