Em dias cada vez mais quentes, buscar estratégias naturais para aliviar o calor dentro de casa virou uma necessidade. E uma das alternativas mais eficientes e acessíveis são as plantas. Além de decorarem, elas ajudam a regular a umidade, suavizar ambientes secos e até reduzir a sensação térmica. Para entender como funciona esse processo e quais espécies são mais indicadas, ouvimos as arquitetas Bárbara Castro e Gabriela Azeredo, que explicam por que um projeto verde pode transformar completamente o clima da casa.
Segundo Bárbara, o segredo está no comportamento natural das espécies. “As plantas que mais ‘refrescam’ são as que transpiram bastante, literalmente! Elas liberam vapor d’água pelas folhas, um processo chamado evapotranspiração, que aumenta a umidade do ar e dá aquela sensação de frescor”, afirma. Folhagens amplas e hidratadas são as campeãs nesse quesito, especialmente as jiboias, zamioculcas, areca-bambu, palmeira-ráfia, lança-de-São-Jorge (na versão africana) e as samambaias. O lírio-da-paz, que também transpira muito, figura entre as escolhas mais eficientes.
Para Gabriela, o frescor está diretamente ligado ao tamanho e ao comportamento das folhas. “A costela-de-Adão, a samambaia e a jiboia são plantas de folhagem ampla que ajudam no conforto térmico para poder refrescar o ambiente”, explica. O mecanismo é simples, folhas grandes mantêm mais água e realizam mais transpiração, o que contribui para quebrar o ar quente e seco típico de apartamentos e casas com pouca circulação de ar.
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O impacto das plantas vai além da temperatura, os benefícios são perceptíveis no corpo e no humor. Ambientes verdes aumentam a umidade, reduzem o abafamento e podem até absorver parte dos ruídos. “Essas composições de plantas melhoram a umidade do ar, evitando sensação de abafamento… e criam sensação de acolhimento, o que psicologicamente reduz o ‘estresse térmico’”, explica Bárbara. Um espaço verde, segundo ela, “transparece vida”.
Gabriela complementa que a relação é também emocional. “A planta humaniza o espaço. Ela ameniza as linhas mais duras da arquitetura e deixa o ambiente mais familiar, o que melhora diretamente a sensação de bem-estar”, diz.
Para quem vive em espaços com pouca ventilação ou luz solar, as arquitetas lembram que é possível, sim, apostar em plantas resistentes e adaptáveis. Bárbara indica as campeãs da sombra, zamioculca, jiboia, espada-de-São-Jorge, aglaonema, lírio-da-paz, marantas e até uma costela-de-Adão jovem. Já Gabriela menciona suas escolhas pessoais: “Eu gosto muito da espada-de-São-Jorge, da jiboia e do ficus para locais com pouca iluminação e ventilação”.
Como dispô-las
Integrar plantas sem poluir o ambiente é outra preocupação comum. Bárbara prefere agrupar plantas em vez de espalhá-las pela casa inteira, pois cria harmonia visual e facilita os cuidados. Ela recomenda variar alturas, escolher poucos tipos, entre três e cinco, e apostar em uma “planta protagonista” acompanhada de espécies menores. A paleta de vasos também ajuda: tons neutros, madeira ou terracota equilibram o visual com facilidade.
Na mesma linha, Gabriela reforça a importância de manter unidade estética, agrupar espécies, usar tons similares e integrar as plantas ao mobiliário, como aparadores, bancadas e mesas de centro, sempre com cuidado para não atrapalhar a circulação. Em um de seus projetos recentes, ela criou um jardim debaixo da escada, com vasos de diferentes tamanhos, mas escolhidos para conversar entre si e manter coerência visual.
Os vasos e suportes, aliás, também influenciam na sensação de frescor. Bárbara Castro recomenda cerâmica natural, cimento e fibras, como ráfia e sisal, que trazem leveza. Suportes altos ou pendentes ampliam a percepção de “ar” e deixam o ambiente mais arejado. Gabriela Azeredo destaca que os vasos devem seguir o estilo do projeto. “Vasos de cerâmica, barro e palha transmitem sensação de frescor… mas eu adapto tudo à identidade do ambiente. Se é contemporâneo, posso usar metal; se é rústico, sigo esse caminho.”
Outro recurso cada vez mais popular são os jardins verticais. “Eles criam uma ‘parede viva’ que funciona como isolante térmico e umidificador natural”, diz Bárbara. Para ela, são ideais em salas pequenas, varandas com luz difusa, corredores e até home offices.
Gabriela também aprova, desde que sejam bem executados. “Os jardins verticais ajudam no conforto térmico do espaço, desde que tenham bastante espécies, irrigação adequada e iluminação certa”, ressalta. Jardins pequenos demais ou mal iluminados podem não oferecer os mesmos benefícios.
No fim das contas, montar uma casa mais fresca com plantas é um equilíbrio entre ciência e estética. Entender a transpiração das espécies, apostar em folhagens amplas, escolher vasos adequados e integrar tudo ao estilo da decoração faz toda a diferença.
Melhores plantas para dentro de casa
- Jiboia
- Zamioculca
- Areca-bambu
- Palmeira-ráfia
- Lança-de-São-Jorge
- Lírio-da-paz
- Samambaias
Fonte: arquiteta Bárbara Castro
