BICHOS

Pets na estrada: dicas para viajar com os animais

Incluir os animais no roteiro de férias é cada vez mais comum. Planejamento de alimentação, clima e transporte garante conforto e saúde

Antes de viajar, é necessário que o animal passe por uma avaliação com um veterinário -  (crédito: Freepik)
Antes de viajar, é necessário que o animal passe por uma avaliação com um veterinário - (crédito: Freepik)

Com a chegada das férias, cresce o número de tutores que decidem incluir os companheiros de quatro patas nos planos de viagem. Seja de carro, seja de avião, em trajetos longos ou viagens de fim de semana, o deslocamento exige atenção especial à saúde, ao conforto e à segurança dos animais. Para evitar imprevistos e garantir uma experiência tranquila, especialistas dão dicas e orientam tutores que desejam aproveitar esse período ao lado dos pets.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Antes mesmo de arrumar as malas, o planejamento é apontado como o principal cuidado. De acordo com o veterinário Bruno Alvarenga, é fundamental verificar se o destino aceita animais. "Antes de viajar, é interessante conversar com o veterinário (do pet) para saber quais são as doenças mais comuns da região de destino e se há necessidade de alguma medida profilática ou de cuidados específicos após o retorno", explica. O check-up antecipado permite avaliar o estado de saúde do animal, atualizar vacinas e prevenir possíveis infecções ou parasitas.

Segundo a médica veterinária Mariana Sampaio, a alimentação também merece atenção durante a viagem em família. Mudanças bruscas na dieta devem ser evitadas, já que podem causar alterações no sistema digestório, como vômitos, diarreias e dores abdominais. A recomendação é manter a alimentação à qual o animal já está adaptado e reforçar a hidratação ao longo do dia, especialmente em períodos de calor.

Além disso, as mudanças climáticas típicas do período de férias exigem cuidado. Embora muitos animais se adaptem bem, alterações bruscas de temperatura podem desencadear doenças. "Temperaturas muito frias ou climas muito secos predispõem a problemas respiratórios, assim como ocorre com os humanos", afirma Bruno Alvarenga. A orientação é evitar a exposição ao frio intenso, utilizar roupas para aquecer animais não adaptados e, em regiões muito quentes e secas, recorrer a climatizadores ou umidificadores para reduzir o desconforto.

Transporte seguro

Os cuidados no trajeto variam conforme o meio de transporte, especialmente em viagens de carro. Nesses casos, o animal deve estar sempre preso com cinto de segurança próprio ou acomodado em caixa de transporte. Em trajetos mais longos, são recomendadas paradas regulares para oferecer água, permitir que o pet caminhe e faça suas necessidades. A alimentação deve ser fracionada ao longo do dia e, em casos de enjoo, o manejo precisa ser orientado por um veterinário, que poderá prescrever medicação adequada.

Conforme orientações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ideal é utilizar cintos peitorais acoplados ao cinto de segurança, com a guia fixada no banco traseiro e ajustada para limitar os movimentos do animal, impedindo o acesso ao motorista. As caixas de transporte também são recomendadas, desde que tenham tamanho adequado, permitindo que o pet se movimente e se acomode de forma confortável e segura.

Além dos cuidados com a saúde e o bem-estar dos animais, Bruno alerta para a necessidade de atenção às regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O descumprimento da legislação pode resultar em multas, pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), retenção do veículo, enquadramento na Lei de Crimes Ambientais e até mesmo acidentes fatais.

Viagem aérea

As jornadas realizadas em aeronaves exigem um planejamento ainda mais cauteloso. O transporte de animais, tanto na cabine quanto no compartimento de bagagem, é autorizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas cabe às companhias aéreas definir a venda, as regras e a disponibilidade do serviço. Por isso, os tutores devem entrar em contato com a empresa escolhida para obter informações sobre taxas, limite de animais por voo, idade, raça, peso e dimensões permitidas, além da documentação exigida para cada tipo de viagem.

Durante o processo de deslocamento, os pets estão sujeitos à apresentação de documentos indispensáveis. Para voos nacionais, é obrigatória a carteira de vacinação completa e atualizada, sendo a vacina antirrábica a mais exigida pelas companhias aéreas. Além disso, o atestado médico-veterinário é imprescindível. Com validade de 10 dias, o documento deve conter informações como nome, idade, origem e raça do animal. Caso o pet seja fruto de cruzamento com raças braquicefálicas, essa condição também deve constar no atestado.

Já para voos internacionais, os documentos exigidos incluem aqueles solicitados nas viagens nacionais, acrescidos de certificações específicas. De acordo com orientações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), é obrigatória a apresentação do Certificado Veterinário Internacional (CVI) e do Passaporte para Trânsito de Cães e Gatos. Dependendo do país de destino, também podem ser exigidos laudos de sorologia e microchipagem.

Embora as viagens de avião possam ser desafiadoras para os animais, não é indicado medicá-los sem prescrição veterinária. "Antigamente, era comum o uso de tranquilizantes ou sedativos para cães que iriam viajar. No entanto, essas medicações podem causar supressão cardiorrespiratória e levar ao óbito", alerta o veterinário.

Segundo Bruno, atualmente a sedação é contraindicada, salvo em casos muito específicos e sempre com prescrição profissional. "Hoje, utilizam-se medicamentos que auxiliam na redução do estresse, de forma segura. Animais que necessitam de anestesia, geralmente de grande porte, devem estar obrigatoriamente acompanhados por um médico-veterinário, para que haja assistência imediata em caso de intercorrências", explica.

Destino ideal

Na hora de escolher o destino da viagem, alguns pontos devem ser considerados. O local precisa aceitar animais, oferecer segurança e condições adequadas para o bem-estar dos pets e permitir que eles vivenciem a experiência ao lado dos tutores. Em casos de hospedagem em hotéis, tanto no Brasil quanto no exterior, a reserva e a pesquisa prévia em aplicativos e plataformas de avaliação devem ser feitas com antecedência, garantindo mais tranquilidade e conforto durante a estadia.

Para quem pretende visitar familiares durante as férias, a hospedagem em casa também exige bom senso e cautela. Mesmo em ambientes conhecidos, a vigilância deve ser redobrada, principalmente em relação a portões, janelas, objetos perigosos e contato com outros animais. A adaptação ao novo espaço e à rotina da casa pode gerar estresse, o que reforça a importância da atenção constante por parte dos tutores.

Com todo esse cuidado, Diana da Silva Gonçalves, 51 anos, aproveita as férias ao lado do shih tzu Romeu, que a acompanha todos os anos em viagens até Paracatu e, em seguida, ao Piauí. Para ela, deixar o animal para trás não é uma opção. "Tenho que levar ele sempre comigo. Aproveitamos juntos e colecionamos memórias inesquecíveis", conta.

Durante as férias, a tutora de Romeu revisa a carteira de vacinação, administra o medicamento contra carrapatos e reforça a hidratação nos períodos mais quentes
Durante as férias, a tutora de Romeu revisa a carteira de vacinação, administra o medicamento contra carrapatos e reforça a hidratação nos períodos mais quentes (foto: Arquivo pessoal)

De forma antecipada, Diana revisa a carteira de vacinação, administra o medicamento contra carrapatos, reforça a hidratação nos períodos mais quentes e se mantém atenta a qualquer mudança no comportamento do pet. Além disso, busca manter uma rotina próxima à que Romeu vive no dia a dia. "Isso faz com que ele não estranhe o ambiente, evita estresse e ansiedade e promove uma experiência diferente", explica. Nas viagens de fim de ano, o cão ainda tem a oportunidade de socializar com outros animais. "Ele ama, e eu amo ver que ele consegue curtir", completa.

*Estagiária sob a supervisão de Eduardo Fernandes

 

  • Google Discover Icon
JC
postado em 04/01/2026 06:00
x