
Projetar um cantinho pensado para crianças vai muito além da escolha de cores e temas lúdicos. Toda a ideia envolve, ainda, espaços que consigam resistir e existir a longo prazo, sobretudo para evitar reformas drásticas em um curto período de tempo. Mais do que isso, imaginar que, nas férias, os pequenos podem se divertir dentro de casa, sem maiores preocupações, tanto para eles quanto para os pais.
Segundo o arquiteto Rick Hudson, a chave para o sucesso desse projeto mora na flexibilidade e no planejamento correto. "A maioria dos projetos deve levar em consideração soluções que possam ser adaptadas em pouco tempo devido ao desenvolvimento da personalidade da criança", afirma o profissional.
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Nesse início, de acordo com ele, o ideal é priorizar as áreas mais amplas, para que os pequenos consigam ter mais liberdade no local. "Evite móveis presos e pesados. Instale rodízios em peças que precisam ser movimentadas constantemente e sempre preze por deixar o piso livre para espalhar brinquedos, tapetes e almofadas", orienta o arquiteto.
A segurança, sem dúvidas, é outro pilar fundamental que vai além da proteção de quinas e tomadas. Naturalmente, em especial nas férias escolares, os pais costumam ter mais atenção às brincadeiras dos filhos dentro de casa. Assim, pensar na proteção é garantir que os pequenos possam, bem mais que brincar, deixar os familiares mais tranquilos.
"Opte por pisos de fácil limpeza e com pouca variação térmica, como vinílicos, mantas e tapetes", sugere Hudson. Ele também alerta para a importância de travas em janelas e portas para evitar batidas acidentais, além do uso de móveis proporcionais ao tamanho da criança, o que auxilia no desenvolvimento pessoal que varia de acordo com a idade.
Quanto ao uso de cores, um equilíbrio para não prejudicar o sono ou a concentração é uma ótima alternativa. Na visão do arquiteto, a recomendação é manter uma base neutra no ambiente e incorporar elementos vibrantes em itens de fácil substituição, como roupas de cama e cortinas. "Para a hora do sono, a melhor saída é optar por luminárias com dimerização para controlar a intensidade da luz", acrescenta.
Autonomia e cuidado
Um dos conceitos mais difundidos na decoração infantil, é o método Montessori — que preza por móveis na altura da criança — que continua sendo uma referência de autonomia nos projetos residenciais. Para a designer de interiores Aline Silva, da interiorAS design, a autonomia deve ser pensada a longo prazo. "A pergunta que eu sempre faço é: autonomia só para agora ou pensando no crescimento? Os melhores projetos, hoje, são aqueles que conversam com o tempo", explica.
Aline sugere o uso de prateleiras ajustáveis que "sobem" conforme a criança cresce, móveis com dupla função e cestos organizadores que incentivam o hábito de guardar os próprios brinquedos. "Autonomia não é deixar tudo ao alcance o tempo todo, mas ensinar a criança a escolher e cuidar do seu espaço", destaca a designer.
Inteligência em espaços reduzidos
Agora, quando o assunto é apartamentos pequenos, a delimitação do ambiente exige uma cautela maior e sutil com as soluções, para que não ocorra sobrecarga visual. "Um tapete define a área de brincar, uma iluminação diferente marca o canto de leitura e uma estante baixa organiza sem bloquear a visão", aconselha Aline Silva. Para ela, metragens reduzidas pedem "mais inteligência" e móveis multifuncionais que justifiquem sua presença em cada metro quadrado.
Na visão da designer de interiores, essa funcionalidade também se estende à transformação de áreas comuns, como salas e varandas, em espaços de aventura para a criança. A profissional também acredita que a casa deve ser "permissiva", com tapetes resistentes e pufes leves que permitam o brincar sem exigir que os pais montem e desmontem estruturas complexas diariamente.
Para as férias ou momentos de lazer intenso, que possam perdurar por meses, materiais simples podem se tornar grandes aliados na criação de circuitos de atividades. Aline, que compartilha sua experiência também como mãe de quatro filhos, afirma a fita crepe como uma ferramenta poderosa. "No chão, ela vira trilha, labirinto ou linha de equilíbrio. É barata, fácil de remover e não interfere na decoração", revela. Almofadas, lençóis e caixas organizadoras completam o arsenal para transformar o comum em uma experiência lúdica.
"A casa não precisa estar cheia de recursos para ser rica em memórias. Quando o espaço permite criatividade e movimento, ele acompanha a infância", conclui Aline Silva. Ao unir o olhar técnico da arquitetura com a sensibilidade do design funcional, é possível criar lares que não apenas organizam o espaço, mas acolhem a vida real das famílias.
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