Alegria, diversão, cores e festas marcam o período carnavalesco no Brasil. Nesse contexto agitado, muitos foliões desejam comemorar a época com os pets, os seres mais companheiros do mundo. Para que isso seja possível, especialistas explicam quais são os cuidados necessários para que cachorros e gatos aproveitem, com segurança e bem-estar, os bloquinhos pet friendly ao redor do país e deixem tudo mais colorido.
Apesar do clima festivo, nem todo ambiente de carnaval é adequado para os animais. Barulho excessivo, calor intenso e aglomerações podem causar estresse, ansiedade e até problemas de saúde em pets. Por isso, a principal recomendação é avaliar o perfil do bichinho e o local antes de levá-lo para a folia. O médico veterinário Pedro Ilha explica que a festa só é segura quando o ambiente está preparado para recebê-los. "Caso seja um bloquinho convencional, não é recomendado, assim, levá-los. Comportamentos agressivos e fugas podem ocorrer. O ideal é levá-los apenas a festas pet friendly", afirma.
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Ao optar por esses espaços, os cuidados com hidratação, descanso e condução devem ser redobrados. A água deve ser oferecida com frequência, devido ao calor extremo e à agitação característica dos bloquinhos. As altas temperaturas podem levar à desidratação e até a hipertermia, especialmente em cães. Por isso, a orientação é buscar áreas sombreadas e evitar horários de Sol intenso.
A duração do passeio também precisa ser controlada. Mesmo em eventos pensados para os pets, a exposição prolongada pode causar cansaço físico e emocional. "O ideal é observar constantemente o comportamento do animal. Se ele apresentar sinais de desconforto, como respiração ofegante, tentativas de se esconder, irritação ou língua arroxeada, é fundamental interromper o passeio e procurar atendimento veterinário imediatamente. Não adianta oferecer medicamentos sem prescrição", alerta Pedro.
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Outro ponto essencial é a segurança. Coleira com identificação, guia firme e vacinação em dia são medidas básicas antes de qualquer passeio. Em locais com muitos estímulos, o risco de fuga aumenta, e a identificação pode ser decisiva para que o animal seja encontrado. O veterinário também orienta que a escolha da guia considere o porte do pet. "Para cães de grande porte, as guias peitorais oferecem menos controle; nesses casos, a coleira de pescoço garante maior segurança. Já para os de pequeno porte, o peitoral é o mais indicado. Em todos os casos, a coleira deve estar bem ajustada, garantindo proteção e conforto", explica.
Mais vulneráveis
Embora todos os animais sejam sensíveis aos estímulos do carnaval, alguns grupos são mais vulneráveis, segundo o veterinário Robert Cunha. Filhotes possuem o sistema imunológico imaturo, maior sensibilidade ao estresse e dificuldade de regular a temperatura corporal. Já os pets idosos podem apresentar doenças cardíacas, respiratórias, articulares ou renais, que se agravam com o calor, a fadiga e a agitação.
Animais de pequeno porte também desidratam mais rapidamente e sofrem com variações térmicas. Raças braquicefálicas, como pug, buldogue, shih-tzu e persa, apresentam maior dificuldade respiratória e risco elevado de hipertermia e colapso respiratório. Além disso, pets com doenças pré-existentes e animais naturalmente ansiosos ou reativos têm maior chance de pânico, fugas, agressividade ou colapsos causados pelo estresse.
O uso de fantasias, tintas, sprays e acessórios pode representar riscos à saúde dos pets quando os produtos não são desenvolvidos especificamente para animais. "Tintas, sprays coloridos e maquiagens humanas podem causar intoxicação, alergias e irritações na pele, nos olhos e nas vias respiratórias", alerta o veterinário Robert. Ele também desaconselha o uso de glitter, perfumes humanos e fantasias com partes pequenas, que oferecem risco de ingestão, engasgos ou obstrução intestinal.
Caso o tutor opte por fantasiar o pet, a recomendação é utilizar apenas produtos veterinários. "O ideal é priorizar o conforto, com tecidos leves, acessórios bem ajustados e tempo curto de uso. Se o animal tentar retirar a fantasia, se coçar ou demonstrar incômodo, o acessório deve ser removido imediatamente", orienta. Por fim, ele lembra que "pet é uma vida, não um brinquedo".
Sinais de alerta após a folia
Nem sempre os efeitos do estresse aparecem durante o evento. Em alguns casos, sinais de intoxicação ou mal-estar surgem apenas horas ou até dias após a exposição a ambientes barulhentos e aglomerados. Entre os principais alertas estão apatia, prostração, isolamento, tremores, vocalização excessiva, mudanças de comportamento, falta de apetite ou sede exagerada, além de vômitos, diarreia, salivação em excesso e alterações na pele.
Sinais mais graves incluem dificuldade respiratória, respiração ofegante, língua arroxeada, desorientação, fraqueza, convulsões, sensibilidade ao toque ou agressividade repentina. "Ao observar qualquer um desses sintomas, é fundamental procurar um médico veterinário imediatamente", reforça Robert.
Curtindo com responsabilidade
Bárbara Gazzoli, tutora de Meg e de Cristal, só leva as cadelas a bloquinhos de carnaval quando o ambiente é, de fato, pensado para os animais. Segundo ela, a escolha envolve eventos exclusivos para pets, com estrutura adequada, horários mais amenos e locais já conhecidos pelas cachorras. "É sempre de manhã, com sombra, sem multidão e sem som alto. São bloquinhos parados, com ativações voltadas para os animais, hidratação disponível o tempo todo e até carro molhando o chão", relata.
Durante a folia, a atenção ao comportamento é constante. Bárbara observa se as cadelas caminham normalmente, aceitam água, interagem e demonstram curiosidade. "Qualquer sinal de estresse, como tentar se esconder, ficar muito ofegantes ou inquietas, já é motivo para ir embora na hora", afirma. Antes e durante os eventos, ela prioriza pausas para descanso, uso de peitoral confortável, guia curta e evita fantasias que possam esquentar ou limitar os movimentos.
A tutora conta que já deixou eventos ao perceber que o ambiente estava mais cheio ou barulhento do que o esperado. Para ela, o bem-estar dos animais deve vir sempre em primeiro lugar. "Nem todo ambiente é para o pet, mesmo que pareça legal para a gente. Carnaval bom é aquele em que o animal volta para casa tranquilo, hidratado e bem", conclui.
*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte
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