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Pelos pela casa toda? Saiba quando a queda é normal nos pets

Saiba como identificar os sinais de alerta da alopecia em cães e gatos. A perda de pelos pode indicar desde alergias até doenças hormonais

Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitos tutores começam a notar uma quantidade maior de pelos espalhados pela casa. Sofás, roupas e tapetes passam a acumular fios, enquanto falhas na pelagem levantam dúvidas sobre a saúde dos animais. Embora a troca de pelos faça parte do ciclo natural de algumas espécies, a queda excessiva nem sempre deve ser encarada como algo normal.

Conhecida como alopecia, a perda parcial ou total de pelos pode ser um importante sinal de que algo não vai bem no organismo. A condição está associada a uma série de fatores, que vão desde alergias e infestações por parasitas até doenças hormonais e metabólicas. Em alguns casos, a pelagem é apenas o primeiro local onde o corpo demonstra que existe um problema mais profundo.

Segundo João Paulo Lacerda, professor do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), o inverno não costuma ser a causa direta da alopecia. "As baixas temperaturas, por si só, não costumam causar alopecia diretamente. No entanto, o inverno pode favorecer condições que contribuem para a perda de pelos, como o ressecamento da pele, a redução da exposição solar, alterações na imunidade e a piora de doenças dermatológicas já existentes", explica.

O especialista afirma que a redução da umidade do ar, o ressecamento da pele e até hábitos comuns, como banhos muito quentes, podem comprometer a barreira natural de proteção cutânea. Como consequência, surgem coceiras, inflamações e desconfortos que favorecem a perda de pelos. Além disso, algumas raças apresentam mudanças fisiológicas na pelagem durante determinadas épocas do ano.

Entre elas estão o spitz alemão, o husky siberiano e o golden retriever, conhecidos pela pelagem densa e a troca mais intensa de pelos em determinados períodos do ano. Nesses casos, a mudança é considerada natural e pode ser confundida com um quadro de alopecia. A diferença costuma estar nos detalhes: quando a queda de pelos é intensa, localizada ou acompanhada por falhas na cobertura da pele, o sinal de alerta deve ser ligado.

Pele em evidência

Para a médica veterinária Fernanda Maris, professora do Centro Universitário Braz Cubas, a alopecia raramente deve ser analisada de forma isolada. "É importante avaliar se a pele apresenta vermelhidão, descamação, coceira e até a presença de pulgas ou carrapatos. Todos esses fatores ajudam a identificar a verdadeira causa da alopecia", afirma.

A idade do animal também é uma informação importante para direcionar a investigação clínica. Segundo Fernanda, os filhotes costumam apresentar alopecia e problemas de pele mais relacionados a vermes e parasitoses. Já nos idosos, esses quadros estão mais ligados a distúrbios endócrinos ou outras alterações sistêmicas.

Entre os cães, problemas hormonais estão entre as causas mais frequentes. "A alopecia é um sinal clássico de diversas doenças endócrinas. Entre as mais comuns estão o hipotireoidismo e o hiperadrenocorticismo, conhecido como síndrome de Cushing", destaca João Paulo. Nos gatos, por outro lado, os quadros costumam seguir um caminho diferente.

Alopecias associadas a alergias, estresse, dor crônica ou lambedura excessiva são observadas com maior frequência na espécie felina, exigindo abordagens diagnósticas específicas. Também não podemos esquecer da influência dos ectoparasitas. Mesmo com a ampla oferta de medicamentos preventivos, pulgas, carrapatos e ácaros continuam entre os principais responsáveis por problemas dermatológicos em cães e gatos. Em muitos casos, não é apenas a presença do parasita que provoca o problema, mas a reação alérgica desencadeada pela picada, capaz de gerar um processo inflamatório intenso e persistente.

Qualidade de vida em risco

Embora a aparência seja o aspecto mais visível da alopecia, os impactos da condição vão muito além da estética. "A pelagem funciona como uma barreira natural de proteção. Quando o paciente perde essa cobertura adequada, a pele fica exposta e mais suscetível a ferimentos e lesões secundárias", afirma Fernanda. Animais que apresentam coceira constante acabam criando um ciclo de lesões. Ao se coçar, morder ou lamber repetidamente a região afetada, surgem escoriações que aumentam o desconforto e favorecem infecções secundárias. Outro fator que merece atenção é a exposição ao Sol.

Segundo Fernanda Maris, áreas sem proteção adequada podem sofrer queimaduras e desenvolver dermatites actínicas, aumentando inclusive o risco de câncer de pele, especialmente em animais de pelagem clara. Os cuidados diários também influenciam diretamente a saúde da pele. A escolha de produtos inadequados, principalmente xampus formulados para humanos, pode alterar o pH cutâneo e comprometer a proteção natural do organismo.

Para os especialistas, a principal recomendação é evitar soluções rápidas encontradas na internet. A crença de que toda queda de pelos está relacionada à falta de vitaminas ou exclusivamente à alimentação é um dos erros mais comuns entre os tutores.

Fernanda lembra que a pele é o maior órgão do corpo e, muitas vezes, reflete alterações que estão acontecendo em outras partes do organismo. Com os avanços da dermatologia veterinária, exames mais precisos e tratamentos personalizados têm ampliado as possibilidades terapêuticas. Ainda assim, o sucesso do tratamento continua dependendo do diagnóstico precoce. Por isso, ao perceber mudanças persistentes na pelagem ou na pele do animal, a orientação é procurar atendimento veterinário. "A regra de ouro é compreender que a pele é, antes de tudo, o espelho da saúde interna do animal", conclui Fernanda Maris.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

 

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