A escoliose — um desvio tridimensional na coluna vertebral — pode surgir em qualquer fase da vida. Suas origens são diversas: vão desde traumas, tumores e paralisia cerebral até condições genéticas. No entanto, em cerca de 80% dos casos, a causa permanece não identificável, configurando a chamada escoliose idiopática.
Durante muitos anos, pessoas com escolioses foram tratadas como frágeis e incapazes de praticar atividades físicas. Esse mito foi derrubado com pesquisas recentes que apontam os benefícios das práticas esportivas para o alívio de dores e o fortalecimento corporal.
Algumas práticas são mais indicadas, por favorecerem o controle corporal e o baixo impacto aos praticantes. A natação promove a distribuição uniforme das cargas, o pilates enfatiza o controle motor e o alinhamento e a yoga adaptada desenvolve consciência corporal e flexibilidade. Essas atividades contribuem para o equilíbrio global do tronco, principalmente em crianças e adultos.
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Para a profissional de educação física Adriana Coutinho, é importante combinar as atividade físicas, por exemplo, o pilates e a musculação, para que o benefício seja completo. Além disso, ela reforça: "É importante lembrar que nenhuma dessas modalidades 'corrige' estruturalmente uma escoliose já estabelecida em adultos, mas pode melhorar muito a função, a postura, a força e a qualidade de vida."
Os sinais da escoliose podem ser vistos, em alguns casos, antes do resultado dos exames. Ombro ou quadril mais alto que o outro, pernas com tamanhos diferentes, coluna torta ou mais curvada para os lados (em formato de C ou S), desconforto muscular e sensação de cansaço nas costas são alguns dos exemplos de sintomas que podem ser percebidos pelos pacientes ou por pessoas que os observem. O tratamento, nesses casos, pode incluir fisioterapia, uso de coletes ortopédicos e até intervenções cirúrgicas.
A musculação
Um questionamento frequente entre as pessoas com escoliose idiopática é: "posso praticar musculação com essa condição?" A resposta é sim, desde que com orientação adequada. Técnica correta, progressão gradual de carga, correção postural e planejamento individualizado são alguns dos requisitos necessários para que a prática seja benéfica. O problema não é a prática em si, mas a execução inadequada ou com excesso de carga.
Os movimentos realizados de forma equivocada e desacompanhada de profissional podem agravar a curvatura da coluna, causar dor e até comprometer os resultados obtidos em outros tratamentos. Dessa maneira, consultar um médico ou um fisioterapeuta antes de qualquer mudança nas práticas esportivas é essencial.
Raul Santana, fisioterapeuta e quiropraxista, explica que a transição da fisioterapia para a musculação deve ser feita somente após uma avaliação das condições do indivíduo. "Se o paciente não tem nenhuma dificuldade em realizar tarefas da rotina dele, como pentear o cabelo e se vestir, e também não tem dor, esse paciente já está preparado para migrar para a musculação."
O exercício praticado na academia ou com o acompanhamento de um profissional de educação física leva ao fortalecimento dos músculos das costas, do core (abdômen e lombar) e da postura, o que pode ajudar a estabilizar a coluna vertebral e reduzir o desconforto. No entanto, os exercícios devem ser adaptados às necessidades individuais. Raul explica que, no começo, as dores da prática esportiva e da escoliose podem se confundir, mas "se a dor tiver alguma irradiação e gerar incapacidade, a pessoa com escoliose deve ligar o sinal de alerta, para buscar um ortopedista".
Algumas dicas devem ser seguidas antes da realização de um treino para evitar que erros sejam cometidos e a condição seja agravada. Essencialmente, antes da prática, o profissional deve saber qual é o tipo e o grau da condição e, baseado no conhecimento prévio, ele deve aplicar um treino específico.
Os exercícios adequados
Alguns grupos musculares devem ser mais trabalhados e exercícios específicos podem ser aplicados nesse caso. O foco não é ganho de volume muscular, mas controle neuromuscular e alinhamento funcional, aspectos essenciais na reabilitação da escoliose.
Treinar a parte do abdômen e da lombar auxilia no suporte dinâmico, responsável por proteger a coluna e manter a estabilidade durante o movimento. Pranchas estáticas com alinhamento neutro, extensão alternada de braços e pernas e prancha lateral adaptada conforme
o padrão da curva da coluna são os exercícios indicados para essa área, para a estabilidade vertebral sem gerar sobrecarga rotacional.
Para os glúteos e a musculatura paravertebral (da coluna): ponte, elevação pélvicas e extensões controladas são os ideais, para contribuir para a melhor distribuição de cargas ao longo do tronco.
Além disso, a flexibilidade adquirida com a mobilidade torácica controlada e alongamentos específicos para o lado encurtado da curva, ajudam a reduzir tensões assimétricas. É importante destacar: o alongamento não corrige a deformidade estrutural, mas contribui para maior conforto e mobilidade.
Mais importante do que exercícios adequados, é a escuta do corpo. É fundamental que os sinais enviados pelo organismo sejam escutados, para evitar o agravamento das condições. Se houver dor intensa e irradiada para os membros, fraqueza muscular e piora perceptível no alinhamento, a atividade deve ser suspensa e um médico procurado.
Exercícios para se evitar
Movimentos que devem ser evitados ou adaptados: abdominais tradicionais com flexão repetitiva, exercícios com rotação forçada do tronco, flexão lateral com carga e movimentos repetidos de flexão intensa da coluna. Além disso, o médico ortopedista Thiago Cosentine alerta: "Nos graus mais elevados de escoliose, exercícios que colocam 'carga axial' — peso de cima para baixo na coluna, como agachamento com barra nas costas —, podem sobrecarregar o lado da curvatura de forma desigual, gerando dor ou desgaste nas articulações".
Assim, a prática de atividade física, principalmente em casos de escoliose, deve ser feita com acompanhamento médico e de profissionais de educação física e fisioterapia, para evitar que lesão aconteçam ou sejam atenuadas.
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
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