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Pai é quem fica: laços que vão além do DNA

Entre adoção, famílias recompostas e reencontros com as origens, histórias mostram como a paternidade pode ser construída por afeto, convivência e cuidado diário

Leonardo Marinho e a filha Maria Eduarda Alves -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
Leonardo Marinho e a filha Maria Eduarda Alves - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Quando tinha 20 anos, a professora Maria Eduarda Alves Paes decidiu colocar em palavras um sentimento que havia sido construído ao longo de anos. Em uma carta, contou ao padrasto sobre o carinho e a admiração que sentia, e fez uma pergunta que transformaria a relação dos dois: poderia chamá-lo de pai?

O homem que havia entrado em sua vida quando ela tinha 6 anos se emocionou. O vídeo do momento foi publicado nas redes sociais e ganhou repercussão. Até hoje, Leonardo Marinho Moreira, de 55 anos, comove-se ao ouvir Maria Eduarda, hoje com 23, chamá-lo de pai.

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"Foi no dia a dia que eu percebi que ele tinha se tornado uma figura paterna para mim, porque ele sempre tentou me agradar de todas as formas. Sempre fez de tudo por mim, pela minha mãe, pela nossa família", conta. Leonardo acrescenta que a paternidade foi construída na escolha diária de cuidar. Para ele, a maior recompensa é acompanhar a trajetória da enteada. "Basta eu olhar para ela e ver a grande mulher que ela é."

A história dos dois é uma entre tantas que mostram que a paternidade pode ultrapassar o vínculo biológico. Em algumas famílias, ela começa com a adoção. Em outras, nasce da convivência entre padrastos e enteados ou se amplia quando alguém conhece o pai biológico depois de ter sido criado por outra figura paterna.

Apesar das diferentes trajetórias, os relatos se encontram na presença. A paternidade é construída em conversas, cuidados, brincadeiras, momentos difíceis e na decisão de permanecer.

Um vínculo construído com paciência

Maria Eduarda tinha 6 anos quando a mãe começou a se relacionar com Leonardo. A chegada dele, porém, não foi recebida imediatamente com naturalidade. "Eu era bem ciumenta, não aceitava muito bem. Depois, fui entendendo que ele era o namorado da minha mãe e que ela não iria me trocar por ele", lembra.

A aproximação aconteceu aos poucos. Maria Eduarda ainda sentia a ausência do pai biológico e precisava de tempo para compreender o espaço que o padrasto poderia ocupar. A paciência de Leonardo foi essencial. "Ele entendeu que eu era uma criança fragilizada. Foi cultivando em mim esse amor que sentia. Quando finalmente passei a vê-lo como pai, ele também se sentiu mais à vontade para dizer que me amava."

Não houve um momento único em que o padrasto passou a ser pai. A relação cresceu nas pequenas experiências do cotidiano. "Foi o convívio diário, a troca de conversas. Ele me ensina muita coisa, e eu quis aprender muita coisa com ele também."

Para Leonardo, o vínculo começou a surgir logo no início. Ele se recorda de que Maria Eduarda se aproximou por meio de um jogo de Uno. Em outro momento, durante um passeio em um clube, ela o convidou para ir à piscina. "Fiquei ali, cuidando e tentando fazê-la nadar. Vendo ela sorrir com as brincadeiras, surgiu em mim um sentimento de cuidado e satisfação. Então, pensei: 'Eu quero isso para a minha vida'", conta. 

Quando a enteada publicou a declaração e pediu para chamá-lo de pai, ele compreendeu a dimensão do vínculo. "Minha alegria e satisfação foram enormes. Foi o sentimento de que Deus estava me abençoando com mais um filho", diz. 

Leonardo afirma que, desde o início, buscou fazer com que Maria Eduarda se sentisse protegida. "Eu precisava mostrar que estava ali para qualquer coisa. Precisava mostrar que existem homens de verdade", ressalta. 

A jovem destaca que o pai de criação nunca tentou substituir ou desqualificar o pai biológico. "Meu padrasto nunca falou um 'a' do meu pai biológico. Nunca me induziu a chamá-lo de pai. Foi tudo muito natural, tudo no meu tempo."

Hoje, ela descreve a relação por meio de palavras como amor, dedicação, cuidado e proteção. "Eu sinto que pode estar acontecendo qualquer coisa comigo: se eu ligar para ele às três horas da manhã, ele vai dar um jeito de resolver meus problemas. Eu me sinto acolhida', declara. A experiência mudou o significado que Maria Eduarda atribuía à palavra "pai". "Hoje, eu falo: 'Eu tenho pai. Meu pai faz, meu pai resolve'. Ele é o pai que eu não tive."

Dois pais, sem precisar escolher

A bacharel em direito Rita Helen, de 48 anos, também aprendeu que o amor não precisa ser dividido ou colocado em disputa. Ela tinha apenas 12 meses quando João Macedo Prado entrou na vida de sua mãe, casou-se com ela e a registrou como filha. "Passei a carregar seu sobrenome e, mais do que isso, passei a carregar o seu amor", afirma.

Na infância, a existência de dois pais causava algumas dúvidas. Dentro de casa, porém, Rita cresceu cercada por afeto. "Hoje entendo que pai não é quem apenas participa do nascimento. Pai é quem decide permanecer. Meu pai Prado me escolheu todos os dias da vida dele", define.

Rita Helen e João Macedo Prado
Rita Helen e João Macedo Prado: pai do coração (foto: Fotos: Arquivo pessoal)

O pai biológico, José Roberto Biazon, sempre viveu em Brasília, mas os dois permaneceram distantes durante muitos anos. Há cerca de uma década, decidiram reconstruir a relação. Rita realizou o reconhecimento tardio de paternidade, passou a usar, oficialmente, o sobrenome Biazon e conheceu a avó, os irmãos e outros familiares paternos. "O mais bonito é que meu pai Prado nunca viu isso como uma ameaça. Pelo contrário, ele me apoiou em cada passo dessa aproximação", observa.

José Roberto Biazon com a filha, Rita Helen, e os quatro netos
José Roberto Biazon com a filha, Rita Helen, e os quatro netos: pai biológico (foto: Arquivo pessoal)

A busca pelas origens não diminuiu o vínculo com o pai que a criou. "Meu coração nunca precisou escolher entre um pai e outro. Ele sempre teve espaço para os dois."

A relação com Prado foi marcada pela presença. Ele incentivou os estudos da filha, apoiou sua formação em direito e acompanhou momentos importantes da vida dela e dos quatro netos. "Ele sempre me chamava de 'filhinha'. Nunca deixou passar um aniversário meu ou dos meus quatro filhos sem um abraço apertado e suas gargalhadas inesquecíveis", adiciona.

Prado morreu em 2020, durante a pandemia da covid-19. A família não pôde visitá-lo nem se despedir. "Não houve um último abraço. Não houve despedida. Recebemos um caixão lacrado."

Entre os filhos, Rita foi escolhida pelo pai para acompanhar os boletins médicos e receber informações sobre o tratamento. "Entre tantos filhos biológicos, fui eu — a filha escolhida pelo coração — quem ele escolheu para acompanhar tudo. Esse foi o maior reconhecimento de amor que poderia receber", enfatiza. A saudade permanece, mas também o legado. "O amor verdadeiro nunca morre. Ele apenas muda de endereço."

Hoje, Rita diz carregar dois sobrenomes, duas histórias e dois pais. A maior lição, porém, veio daquele que decidiu criá-la. "Família não é apenas quem nos gera; é, sobretudo, quem nos escolhe e permanece ao nosso lado", destaca. 

Escolhida pelo coração 

A fisioterapeuta Gabriela Santana do Valle, de 43 anos, também cresceu ouvindo que não havia nascido da barriga, mas do coração. A mãe biológica de Gabriela trabalhava na casa de Fortunato Santana e Eloá Menezes de Santana, em Porto Alegre, quando descobriu que estava grávida. Sem apoio e sem condições de criar outra criança, manifestou o desejo de entregá-la para adoção.

Alguns casais demonstraram interesse, mas impuseram condições. "Queriam saber se era menino, se era menina ou se não tinha nenhum problema. Como meus pais não concordavam com esse pensamento, decidiram que ficariam com a criança", conta Gabriela.

Fortunato e Eloá já tinham quatro filhos adolescentes. Depois de conversar com todos, a família decidiu acolher Gabriela, que se tornou a caçula.

Fortunato e Eloá Santana deram para Gabriela um lar e uma família, com quatro irmãos
Fortunato e Eloá Santana deram a Gabriela um lar e uma família, com quatro irmãos (foto: Arquivo pessoal)

O vínculo com o pai foi construído pela presença. Militar, Fortunato estava próximo de entrar para a reserva quando a filha nasceu, e acompanhou de perto sua infância. "Ele fazia o café da manhã, me levava e buscava na escola, ia comigo às aulas de natação", lembra.

Uma das lembranças mais importantes ocorreu durante as noites. Gabriela tinha dificuldade para dormir, e o pai permanecia ao lado da cama, segurando sua mão até que ela adormecesse. "Às vezes, isso levava horas, e ele nunca reclamava ou perdia a paciência."

No casamento da filha, Fortunato esteve ao lado dela antes da entrada na igreja. "Ele olhou para mim e disse: 'Coragem!'", conta. 

Gabriela Santana do Valle e Fortunato Santana
Fortunato Santana acompanhou Gabriela Santana do Valle em todos os momentos (foto: Arquivo pessoal)

Gabriela, hoje mãe de duas meninas, acredita que a paternidade nasce da convivência. "O ato de gerar uma criança não torna ninguém pai ou mãe. A maternidade e a paternidade vêm do vínculo que criamos com os nossos filhos ao longo da vida", enfatiza. 

Fortunato morreu em 2009. Se pudesse reencontrá-lo, ela sabe o que diria: "Gostaria muito de dar um abraço nele e dizer: 'Muito obrigada por ter me escolhido como filha'."

Pertencimento e amor

A ideia de pertencimento também acompanha a história de Thiago Porto, de 27 anos. Diferentemente de Gabriela, o estudante de economia não consegue apontar um momento em que percebeu que o pai adotivo ocupava esse lugar. Para ele, a relação sempre foi natural.

Os pais entraram na fila de adoção em 1997. Thiago nasceu em 1999 e foi adotado poucos meses depois, enquanto ainda passava por cuidados médicos. "Eu nunca tive um estranhamento ou uma sensação de que não fosse filho dele. Sempre me senti pertencente."

Carem Lúcia Guimarães, Thiago Porto e Carlos Henrique Porto
Carem Lúcia Guimarães, Thiago Porto e Carlos Henrique Porto (foto: Arquivo pessoal)

A presença dos pais foi constante, especialmente durante os primeiros anos, quando Thiago enfrentou problemas de saúde. "Meu pai sempre foi muito presente. Se tinha um problema na escola, de saúde ou qualquer outra situação, ele largava o que estava fazendo", diz. 

Para ele, a principal lição foi a importância de cuidar da família. "Se a base não está bem consolidada e tranquila, você não consegue fazer o resto. Aprendi a colocar a família em primeiro lugar", destaca. Hoje, Thiago define o pai, Carlos Henrique Porto, de 75 anos, como uma presença que reúne diferentes papéis. "Meu pai é meu tudo. Ele é meu pai, meu amigo, psicólogo, psicoterapeuta."

Três filhas, três caminhos

A adoção fazia parte dos planos do servidor público Flávio Santiago M. Silva, de 46 anos, e da esposa, Patrícia Felix de Lima, desde a juventude. A história dela, adotada ainda bebê, também influenciou o desejo do casal.

Flávio Silva se realizou quando conseguiu adotar três filhas
Silva se realizou quando conseguiu adotar três filhas (foto: Fotos: Arquivo pessoal)

Em 2016, Fátima, então com 7 anos, chegou à família. Anos depois, após fortalecer os vínculos, o casal iniciou um novo processo e acolheu Rita e Aparecida. Os nomes são fictícios para preservar a identidade das crianças. "Hoje, a família está completa. Sinto-me um homem, um pai realizado e muito amado pela família que Deus me concedeu", celebra.

Mesmo com a experiência da primeira adoção, Flávio sabia que cada filha teria necessidades e histórias diferentes. "Eu me perguntava: 'Seria eu capaz de fazê-las felizes, de oferecer todo o amor e a segurança de que necessitariam?'."

Algumas situações fizeram com que ele compreendesse a importância da própria presença. Em uma madrugada, Fátima machucou o braço e precisou ir ao hospital. Durante um exame, a menina sorriu. "Ela disse que estava feliz por eu estar ao lado dela, cuidando dela naquele momento", relata. 

Outra experiência aconteceu com Rita. Depois de receber uma repreensão, a menina escreveu uma carta pedindo desculpas e solicitando paciência. "Ela disse que nunca havia tido um pai presente e de verdade, e aquela era uma experiência muito nova para ela", completa.

Para Flávio, os episódios revelam a construção de confiança. "São valores plantados e regados no dia a dia. Elas precisam deles hoje e para sempre."

A chegada das filhas transformou a rotina e a forma como o servidor público enxerga a vida. Momentos simples passaram a ter um novo valor. "Assistir a um filme comendo pipoca, andar de bicicleta, passear, abraçar e beijar me fazem enxergar que o carinho e o afeto talvez tenham sido o maior investimento que fizemos por nossas filhas", diz. 

A construção do vínculo exigiu abordagens diferentes. Com Aparecida, o aprendizado foi valorizar a infância e a vontade de brincar com o pai. Com Rita, o desafio foi construir confiança e compreender o tempo necessário para que ela se abrisse à nova família. Com Fátima, foi necessário lidar com o medo de perder espaço após a chegada das irmãs. 

Para ele, a paternidade adotiva exige paciência, cuidado e disposição para permanecer. "Lidar com as rejeições das minhas filhas me obrigou a amá-las ainda mais. Não por culpa delas, pois sequer haviam experimentado um amor como mereciam", observa. 

Hoje, as meninas definem o pai de maneiras diferentes. Aparecida o considera "legal, churrasco, coraçãozinho de frango (alimento que ela adora e sempre ajuda o pai a temperar antes de assar), cosquinha e divertido". Fátima o define como amoroso. Para Rita, ele é divertido.

O afeto não é limitado

Para a psicóloga Cheila Alves Dias, a importância da figura paterna não depende da genética. “O que favorece o desenvolvimento saudável é a existência de um adulto que ofereça segurança, afeto, proteção, escuta e disponibilidade emocional.”

Segundo ela, a presença paterna pode contribuir para a autoestima, a autonomia e a capacidade de lidar com frustrações. “A paternidade é constituída muito mais pelo vínculo afetivo do que pela genética. Ser pai é assumir diariamente o compromisso de cuidar, orientar, proteger, educar e amar”, destaca. 

Os vínculos, afirma, são construídos na repetição dos pequenos gestos. “A rotina compartilhada, as conversas, o brincar, o incentivar e os cuidados fortalecem o sentimento de pertencimento e confiança”. afirma. 

A psicóloga destaca que uma criança pode ter mais de uma figura paterna. “O afeto não é limitado. Uma criança pode construir vínculos significativos com o pai biológico, o pai adotivo, o padrasto, o avô ou outro adulto”, explica. Para que essas relações coexistam de forma saudável, os adultos devem evitar disputas e priorizar o bem-estar da criança.

A médica de família Ana Caroline Viana Melo acrescenta que conhecer o pai biológico na vida adulta pode provocar uma reorganização da identidade, mas não apaga os vínculos construídos. “Conhecer a própria origem pode ajudar a preencher lacunas da história pessoal, mas não modifica o significado das relações que foram construídas ao longo da vida”, diz. 

Ela afirma que algumas pessoas podem sentir que precisam escolher entre o pai biológico e o pai afetivo, mas essa escolha não é necessária. “Os vínculos humanos não devem funcionar de maneira competitiva. O afeto não é um recurso limitado.” O pai afetivo e o pai biológico podem ocupar lugares diferentes. “Não existe um ‘pai verdadeiro’ e outro ‘falso’, mas relações diferentes, com significados próprios”, ressalta.  

No caso da adoção, a construção do vínculo depende da constância do cuidado. “Disponibilidade emocional, demonstrações de afeto, estabilidade, respeito ao tempo da criança e presença constante favorecem a construção de um vínculo sólido”, reforça.

As histórias de Maria Eduarda, Rita, Gabriela, Thiago e Flávio começaram de formas diferentes, mas se encontram na presença de alguém que escolheu cuidar.

Em uma família, o vínculo nasceu de um jogo de Uno e ganhou um nome em uma carta. Em outra, começou quando um homem decidiu registrar uma criança como filha e apoiá-la na busca pelas próprias origens. Também foi construído em noites passadas ao lado de uma cama, em trajetos para a escola, em idas ao hospital e na disposição de acolher crianças com histórias diferentes.

A paternidade, nessas trajetórias, não está apenas no sangue. Está na repetição dos cuidados, na proteção, na escuta e na escolha de permanecer. Para Rita, a experiência pode ser resumida em uma frase: “O sangue pode dar origem à vida, mas é o amor que constrói uma família. Meu pai me escolheu quando não tinha obrigação alguma. E essa foi a maior prova de amor que já recebi.”

 

  • Rita Helen e João Macedo Prado: pai do coração
    Rita Helen e João Macedo Prado: pai do coração Foto: Fotos: Arquivo pessoal
  • José Roberto Biazon com a filha, Rita Helen, e os quatro netos: pai biológico
    José Roberto Biazon com a filha, Rita Helen, e os quatro netos: pai biológico Foto: Arquivo pessoal
  • Carem Lúcia Guimarães, Thiago Porto e Carlos Henrique Porto
    Carem Lúcia Guimarães, Thiago Porto e Carlos Henrique Porto Foto: Arquivo pessoal
  • Fortunato Santana acompanhou Gabriela Santana do Valle em todos os momentos
    Fortunato Santana acompanhou Gabriela Santana do Valle em todos os momentos Foto: Arquivo pessoal
  • Fortunato e Eloá Santana deram a Gabriela um lar e uma família, com quatro irmãos
    Fortunato e Eloá Santana deram a Gabriela um lar e uma família, com quatro irmãos Foto: Arquivo pessoal
  • Silva se realizou quando conseguiu adotar três filhas
    Silva se realizou quando conseguiu adotar três filhas Foto: Fotos: Arquivo pessoal
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postado em 09/08/2026 06:00
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