Comportamento

Terapia hormonal pode proteger o cérebro contra a demência?

Estudo associa estrogênio a menor risco de declínio cognitivo, mas especialistas alertam que evidências não comprovam efeito preventivo

A terapia hormonal envolve moduladores seletivos do receptor de estrogênio, inibidores da aromatase e degradadores seletivos de estrogênio
 -  (crédito: StockSnap.io/Divulgação)
A terapia hormonal envolve moduladores seletivos do receptor de estrogênio, inibidores da aromatase e degradadores seletivos de estrogênio - (crédito: StockSnap.io/Divulgação)

Um estudo publicado esta semana pela Neurology, periódico da Academia Americana de Neurologia, aponta que a terapia de reposição hormonal com estrogênio está ligada a um menor contingente de depósitos proteicos associados à doença de Alzheimer e menor chance de declínio cognitivo e de desenvolver um quadro demencial entre mulheres com mais de 50 anos, mas que iniciaram o tratamento em média após os 70 anos de idade.

Contrário a esses resultados estão pesquisas bem robustas conduzidas em 2003 e 2004 que não evidenciou efeitos neuroprotetores do tratamento de reposição hormonal, tanto com estrogênio puro, como com formulas conjugadas, em mulheres submetidas a esses tratamentos após os 65 anos de idade (Women’s Health Initiative Memory Study). Estudos menores vêm apresentando resultados promissores quando a reposição hormonal é feita em uma fase mais precoce, criando o conceito de uma janela crítica para que se tenha benefícios neuroprotetores desses tratamentos. Entretanto, esse conceito de janela crítica ainda está por ser confirmada, já que outros estudos não a apoiam.

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Já quando o assunto é derrame cerebral, há evidências de que a reposição de estrogênio traz proteção com o uso até os 60 anos de idade ou dentro de um período de dez anos após a menopausa. Após esse tempo, a resposta é indiferente ou o risco pode até aumentar.

Concluindo, o conjunto de evidências ainda não é suficiente para defendermos a terapia de reposição hormonal como método de prevenção de demência, mas o atual estudo lança uma luz para que se estude detalhadamente quais mulheres têm mais chance de se beneficiarem. Qual a melhor fórmula? Momento ideal para o início do tratamento?

*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília

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RA
postado em 12/08/2026 18:15
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