Casa

Madeira ganha destaque em paredes e móveis na CASACOR Brasília 2026

Do quarto infantil ao loft, a madeira aparece em paredes, móveis e detalhes e mostra como diferentes acabamentos podem transformar a atmosfera dos espaços

A madeira é um daqueles materiais capazes de atravessar diferentes estilos sem perder a força. Na Casacor Brasília 2026, ela aparece em quartos, lofts e ambientes de estar em propostas que exploram desde a matéria-prima natural até os revestimentos amadeirados. Em comum, os projetos encontram no material uma maneira de aproximar os espaços da ideia de casa, seja pelo aconchego da textura, seja pela presença dos veios, seja pela possibilidade de criar grandes superfícies que ajudam a organizar a arquitetura.

No ambiente Dois Universos, Uma Infância, assinado por Renata Dutra, da Milkshake Arquitetura Infantil, a madeira clara é usada para construir uma atmosfera acolhedora para duas irmãs, de 4 e 6 anos. O quarto de 40m² foi pensado a partir da criação de memórias afetivas, e divide o espaço em diferentes áreas, como o balanço transformado em cantinho de leitura. A palhinha no teto, o franjão contínuo e o mobiliário desenhado para destacar a individualidade das meninas completam a composição, que ainda reúne estampas exclusivas da artista Mariana Jabur.

A escolha foi pela marupá, também conhecida como caixeta. "É uma madeira maciça e resistente, clara, sem cheiro e uniforme", explica Renata. A tonalidade tem um papel importante na composição, especialmente quando combinada à palha, ao papel de parede verde e às cortinas com estampa chinoiserie (que reinterpreta motivos da cultura chinesa). Para a arquiteta, o resultado vai além da estética: "A madeira é clara e traz acolhimento, luminosidade; em composição com a palha, traz aconchego, faz com que a criança sinta que é seu cantinho emocional, seu lugar de segurança no mundo".

No quarto infantil, essa característica de acolhimento do material também permite explorar formas arredondadas e elementos lúdicos sem transformar o espaço em uma caricatura de infância. "Ela acolhe por meio da textura, da temperatura, torna o ambiente mais aconchegante, é atemporal, tem pequenas imperfeições que dão uma presença orgânica, permite curvas e formas lúdicas", detalha Renata.

Edgard Cesar - Quarto infantil com madeira, assinado por Renata Dutra

Parede que conduz o olhar

Se, no quarto infantil, a madeira ajuda a criar uma sensação de segurança, no Loft Jade, de Alessandra Passero e Didacio Duailibe, ela assume uma função diretamente ligada à arquitetura. Em 76m², o ambiente combina madeira, pedra natural, inox, tecidos e peças autorais em uma proposta contemporânea e atemporal. A escolha foi pela lâmina natural de freijó, justamente pela aparência singular de seus veios.

"Queríamos que a madeira fosse percebida como matéria natural, inclusive com as variações e pequenas imperfeições que fazem parte dela", explica Didacio. A intenção, segundo ele, não era criar uma superfície completamente uniforme, mas valorizar o desenho próprio de cada trecho da madeira.

Nesse caso, o material ultrapassa a função de acabamento. A única parede interna do loft é revestida em freijó e recebe um desenho curvo que delimita a área do banheiro, direciona o fluxo e conduz o percurso pelo ambiente. A madeira passa, assim, a participar da própria organização espacial. "A madeira não aparece apenas como revestimento ou elemento de aconchego. Ela participa da arquitetura e funciona como uma conexão entre os diferentes materiais", explica.

A escolha ganha ainda mais força diante da variedade de materiais presentes no loft. O inox aparece na cozinha. O painel acústico revestido em tecido e o piso monolítico goiabada cria uma base contínua. Nesse cenário, o freijó funciona como um ponto de equilíbrio. "A madeira tem uma capacidade muito natural de trazer acolhimento, mas, no Loft Jade, queríamos ir além disso", diz Didacio.

Edgard Cesar - A parede aparece como revestimento na parede

Do piso ao teto

Na Casa Caju, assinada por Hélio Albuquerque, a madeira ou o amadeirado aparece em diferentes pontos do ambiente. O projeto de 92m² é marcado pelo contraste entre o piso monolítico na tonalidade goiaba, o teto verde e os painéis amadeirados. 

Hélio faz questão, porém, de diferenciar a madeira natural do revestimento que reproduz sua aparência. Nas paredes, o arquiteto utilizou MDF jatobá. "Em meu ambiente, a madeira ou amadeirado aparece não apenas como revestimento, mas também na maior parte do mobiliário. Para revestir as paredes, o MDF jatobá contorna todo o espaço como um abraço e serve como elemento de transição entre o piso na cor goiaba e o teto verde", explica. Já nos móveis, predominam lâminas de madeira natural, principalmente pau-ferro e imbuia.

A parede, nesse caso, ganha protagonismo. O painel de Jatobá percorre o perímetro do ambiente e ainda recebe iluminação em sua parte superior. "O espaço aquece, e isso acaba trazendo esse aconchego que agrada muitas pessoas. Esteticamente, também podemos tirar partido dela. Na Casa Caju, por exemplo, todo o perímetro do painel de Jatobá recebe luz em sua parte superior, o que também traz personalidade ao espaço. Pequenos efeitos que fazem a diferença", destaca.

A proposta ainda se distancia da lógica de seguir tendências. "Definitivamente, não me prendo a tendências, mas estamos cada vez mais em busca do pessoal, do resgate às origens, da casa como local de acolhimento e segurança. A única tendência que sigo é respeitar a história do morador e torná-la parte integrante do lar", conta Hélio.

E, se revestir paredes com madeira pode parecer uma tendência contemporânea, o arquiteto lembra que a prática acompanha a própria história de Brasília. "Isso não é atual. Se pensarmos em Brasília, por exemplo, ela está presente desde sua concepção... não apenas nos prédios residenciais, como painéis em lambri, mas em todos os órgãos públicos", destaca.

Fotos: Edgard Cesar - Estante de madeira do espaço Casa Caju

Naturalidade

No ambiente Construtopia, da Brasal Incorporações, a madeira aparece novamente como elemento de equilíbrio. O projeto, assinado pelo arquiteto Bruno Pessoa, do Studio Ark, utiliza lâmina natural de freijó em dois acabamentos: natural e tingido na tonalidade café. A escolha parte da valorização da autenticidade e da textura do material, ao mesmo tempo em que a versão mais escura cria contraste e uma base mais sóbria para os outros elementos.

"A madeira traz calor, textura e acolhimento. Ela humaniza o espaço e cria uma sensação imediata de conforto, sem abrir mão da sofisticação", afirma Alessandra Nogueira, coordenadora de Implantação de Interiores da Brasal. No ambiente, os tons quentes do freijó conversam com o carpete amarelo, as paredes, a pedra das bancadas e o aço inox, formando uma composição que aposta justamente no encontro entre materiais diferentes.

Edgard Cesar - Móveis de madeira são atemporais

A variedade de usos também explica por que o material continua tão presente nos projetos. No Loft Jade, Didacio resume a característica que talvez melhor defina essa permanência: "Acho que uma das grandes qualidades da madeira é conseguir ser ancestral e contemporânea ao mesmo tempo." Para ele, sua versatilidade permite que apareça em uma escala arquitetônica, no mobiliário ou nos detalhes.

 


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