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Tetos ganham protagonismo e ampliam possibilidades na decoração

Da madeira às cores profundas, projetos da Casacor Brasília 2026 mostraram como a chamada quinta parede pode transformar a atmosfera dos ambientes

No espaço Câmara - A Casa como Espaço de Escuta o teto bordô foi pensado ara deixar o ambiente ainsa mais acolhedor  -  (crédito: Edgard Cesar/Divulgação)
No espaço Câmara - A Casa como Espaço de Escuta o teto bordô foi pensado ara deixar o ambiente ainsa mais acolhedor - (crédito: Edgard Cesar/Divulgação)

Durante muito tempo, o teto ocupou uma posição discreta nos projetos de interiores, geralmente pintado de branco e tratado apenas como uma superfície funcional. Essa lógica, porém, vem mudando. Cores, texturas, revestimentos e soluções de iluminação têm colocado o plano superior no centro das composições, ampliando as possibilidades estéticas dos ambientes.

A tendência esteve presente em diferentes espaços da Casacor Brasília 2026, encerrada em 12 de outubro. Embora a mostra tenha chegado ao fim, as propostas apresentadas continuam como referências para quem deseja renovar o lar. Entre as soluções adotadas pelos profissionais estão a continuidade visual entre paredes e teto, o uso de materiais que remetem à natureza e a criação de atmosferas por meio de cores e iluminação.

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Para Isabella Souza, da Orla Arquitetura, o teto vem ganhando cada vez mais protagonismo nos projetos de interiores. "Temos observado uma valorização de superfícies contínuas, acabamentos foscos, cores que fogem do branco tradicional e soluções que integram o teto à arquitetura do ambiente. A ideia é explorar esse plano como parte da composição, trazendo personalidade e criando uma atmosfera mais envolvente", explica.

Na Sala de Imprensa da Casacor Brasília, intitulada Câmara — A Casa como Espaço de Escuta, a arquiteta escolheu um tom de bordô da Tintas Coral para o teto. A cor foi definida em diálogo com o tema da edição, Mente e Coração, e com a atmosfera que a equipe pretendia criar.

"Buscamos um espaço acolhedor, com personalidade e uma identidade visual marcante. O bordô trouxe profundidade e uma sensação de envolvimento, além de criar uma continuidade visual com as demais superfícies. O teto passou a fazer parte da composição arquitetônica, reforçando a proposta de um ambiente que desperta sensações e vai além da função de receber", afirma Isabella.

A escolha das cores também interfere na maneira como as pessoas percebem um espaço. Segundo a arquiteta, a combinação entre tonalidade, acabamento e iluminação pode tornar o ambiente mais acolhedor e intimista ou contribuir para a sensação de amplitude. Por isso, a definição do teto deve considerar o conjunto do projeto, em vez de ser tratada como uma etapa isolada.

Continuidade visual

Uma das estratégias observadas nos projetos é utilizar a mesma cor ou textura nas paredes e no teto. O recurso cria uma unidade visual e permite explorar diferentes atmosferas, inclusive com tonalidades mais intensas. A proposta também pode ser aplicada em ambientes pequenos, nos quais o papel de parede no teto ajuda a construir uma composição mais envolvente.

No espaço Entre, o arquiteto Alex Claver apostou na textura Granos, da Coral, aplicada tanto nas paredes quanto no teto. A intenção foi criar uma espécie de caixa revestida pelo mesmo elemento, com uma base neutra no piso, coberto por carpete marrom. Dessa forma, o ambiente recebeu o mobiliário e as obras de arte sem que os acabamentos disputassem a atenção com as peças. "Ficou um ambiente todo sóbrio para receber tanto o mobiliário, que era o protagonista, quanto as obras de arte do nosso espaço", explica Claver.

Para o arquiteto, a pintura do teto na mesma cor das paredes é uma das soluções que mais têm aparecido nos projetos. Outra possibilidade é destacar a superfície superior com uma tonalidade diferente, criando uma faixa de cor na parte mais alta das paredes. O uso de papel de parede no teto, especialmente em lavabos, e a aplicação de madeira em áreas internas e externas também estão entre as escolhas adotadas pelo escritório. "Então o teto deixa de ser um elemento que passava despercebido para ter ali o seu protagonismo", resume.

No Entre foi utilizado o recurso de utilizar o mesmo material no teto e nas paredes
No Entre, foi utilizado o recurso de utilizar o mesmo material no teto e nas paredes (foto: Edgard Cesar/Divulgação)

A madeira, por sua vez, aparece como alternativa para quem procura aconchego e sofisticação. No ambiente Alma Brasileira, a arquiteta Daiana Pontes utilizou teto vinílico com acabamento amadeirado em diferentes alturas, respeitando a estrutura existente e as necessidades de circulação do espaço.

A escolha permitiu integrar visualmente o teto à marcenaria, além de considerar aspectos práticos da execução. "A escolha do material foi motivada pelo efeito estético do amadeirado que, integrado à marcenaria, cria uma continuidade quase simétrica. Somam-se a isso a praticidade de instalação e a baixa geração de resíduos, resultando em uma obra limpa e eficiente", afirma.

Daiana destaca ainda o retorno de materiais e elementos decorativos que ajudam a construir composições mais elaboradas. Entre eles estão as madeiras escuras, as pedras naturais de veios expressivos, os tons quentes e os materiais artesanais, como argila, cerâmica e tramas naturais. As molduras minimalistas e as boiseries também aparecem como recursos para marcar pontos específicos do teto de maneira discreta.

A arquiteta Daiana Pontes escolheu um teto vinílico com acabamento amadeirado para o ambiente Alma Brasileira
A arquiteta Daiana Pontes escolheu um teto vinílico com acabamento amadeirado para o ambiente Alma Brasileira (foto: Edgard Cesar/Divulgação)

Iluminação e funcionalidade

Além dos revestimentos, a iluminação é parte importante da composição. Perfis de LED, rasgos embutidos e luz indireta permitem criar diferentes cenários sem necessariamente recorrer a luminárias de grande destaque. Em outras propostas, as próprias peças de iluminação assumem papel escultórico e se tornam elementos centrais da decoração.

Para Isabella Souza, o objetivo é valorizar a arquitetura sem competir com os demais componentes do ambiente. "Na iluminação, temos priorizado soluções mais discretas, com luz indireta e pontos bem posicionados, que valorizam a arquitetura sem competir com os demais elementos do ambiente", diz.

Daiana também observa a presença de projetos que utilizam a iluminação para moldar a percepção espacial. Nesse contexto, o teto não serve apenas para receber pontos de luz, mas participa da construção da atmosfera e da identidade visual.

Apesar da variedade de possibilidades, transformar essa superfície não exige necessariamente uma reforma complexa ou um investimento elevado. A pintura, por exemplo, pode modificar a percepção de um ambiente sem demandar grandes intervenções. A escolha, no entanto, deve levar em conta as características do espaço, as necessidades técnicas e o efeito pretendido.

 


  • No Entre, foi utilizado o recurso de utilizar o mesmo material no teto e nas paredes
    No Entre, foi utilizado o recurso de utilizar o mesmo material no teto e nas paredes Foto: Edgard Cesar/Divulgação
  • A arquiteta Daiana Pontes escolheu um teto vinílico com acabamento amadeirado para o ambiente Alma Brasileira
    A arquiteta Daiana Pontes escolheu um teto vinílico com acabamento amadeirado para o ambiente Alma Brasileira Foto: Edgard Cesar/Divulgação
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postado em 18/10/2026 06:00
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