Muito além dos procedimentos estéticos faciais, a toxina botulínica tem se consolidado como uma aliada poderosa na medicina terapêutica. A aplicação de botox na região dos ombros e do pescoço surge como uma solução eficaz e inovadora para quem convive com dores crônicas, problemas posturais ou algum questão relacionada à autoestima.
Conhecido como "botox da Barbie" ou "Traptox", o botox aplicado na região do trapézio vem ganhando fama nas redes sociais. A técnica atua no músculo que influencia na transição dos ombros e do pescoço e tem como proposta reduzir a projeção e modificar a proporção visual da área. O efeito, porém, depende de quanto esse músculo participa do contorno que a pessoa deseja mudar.
- Leia também: Nariz "perfeito" sem cirurgia: rinoplastia é alternativa em alguns casos
- Leia também: K-Beauty: o fenômeno dos cosméticos coreanos que conquistou o mundo
O procedimento tem dois objetivos principais: estético e terapêutico. No primeiro caso, os pacientes com hipertrofia do trapézio — apresentam ombro mais alto, volumoso e encurtado — tem a indicação para o uso da toxina para o relaxamento controlado do músculo, com a redução do volume, suavização de um contorno dos ombros e a aparência de um pescoço aparentemente mais longo e elegante.
A dermatologista Aline Zanatta explica o que é desejado em relação ao procedimento estético. "O resultado esperado é um ombro mais caído, mais feminino e delicado, o famoso efeito 'pescoço de bailarina'. O trapézio deixa de projetar aquele volume para cima, e a linha do pescoço fica mais alongada e definida."
Segundo a médica, o paciente começa a notar a diminuição da tensão entre três e cinco dias. O afinamento estético já é perceptível com duas semanas. "O resultado máximo acontece em torno de 30 dias, quando o músculo está totalmente relaxado e já houve uma leve atrofia por desuso", afirma Aline. Ela explica que os efeitos duram de três a quatro meses nas primeiras aplicações. E em pacientes que realizam o procedimento com regularidade, pode chegar a cinco ou seis meses, pois o músculo se reeduca a não contrair tanto.
Além do estético
Para pacientes com problemas funcionais, que apresentam tensão crônica, contratura, dores cervicais e cefaleia tensional causada por sobrecarga do trapézio, o botox atua no bloqueio da liberação da acetilcolina na junção neuromuscular. Assim, há a diminuição da contração excessiva e da dor, e o paciente não perde a força para atividades diárias, somente a hipercontração. "Para o tratamento terapêutico de dor, o intervalo é sempre definido conforme a necessidade clínica do paciente", diz Aline.
Nos quadros de tensão muscular, a investigação da causa da dor é fundamental. Ajustes ergonômicos, exercícios orientados, fisioterapia e estratégias de manejo do estresse podem fazer parte do tratamento, conforme a origem dos sintomas. A toxina botulínica não é indicada de forma automática para toda dor cervical ou cefaleia tensional.
O procedimento que traz esse nome popular 'bonitinho', no entanto, pode trazer riscos à integridade física quando feito por pessoas incapacitadas e de maneira incorreta. Aline exemplifica a problemática da região: "O trapézio é responsável pela sustentação e movimentação da escápula, do pescoço e dos braços." Nesse sentido, o procedimento feito de maneira errônea pode trazer consequências graves.
"Fraqueza cervical, sensação de peso na cabeça, dificuldade de elevar os braços ou segurar a postura, dor no ombro, assimetria, ptose do ombro (popular, ombro caído), alteração postural transitória, dor de cabeça e desconforto prolongada são alguns dos sintomas de uma aplicação errada", exemplifica a dermatologista.
Efeito Nefertiti
Além disso, a região tem ligação com outras áreas, como o pescoço, que recebem atenção do olhar e são importantes para a estrutura do corpo. "O pescoço também participa das nossas expressões, mesmo quando não percebemos. Existe um músculo chamado platisma, que se estende pelo pescoço e exerce uma força de tração para baixo sobre a região inferior da face", reforça a dermatologista Layanna Alencar.
Nesse sentido, o botox na região atua em pontos específicos para diminuir a tração descendente, suavizando as bandas musculares e proporcionando uma aparência mais definida à linha da mandíbula. "Essa abordagem é conhecida como efeito Nefertiti, uma referência à rainha egípcia famosa pelo pescoço alongado e pelo contorno facial elegante", elucida Layanna.
Para além da aplicação da toxina botulínica, existem outras técnicas que associadas atingem camadas mais profundas da pele. "O botox cuida da força muscular. Os bioestimuladores e as tecnologias podem cuidar de aspectos da qualidade e da firmeza da pele", explica Layanna, sobre a capacidade dessas outras tecnologias de melhorar gradualmente a firmeza da pele.
O pós-operatório
Ambos os procedimentos de aplicação de botox nos ombros e pescoço podem ser associados para um resultado harmônico. Alguns cuidados, no entanto, vêm após as aplicações. Nas primeiras horas, a recomendação é evitar massagear, esfregar ou exercer pressão intensa sobre os pontos de aplicação. "É prudente adiar massagens cervicais, manipulações musculares profundas e atividades que comprimam diretamente a região tratada", reforça Layanna.
Em relação a atividades físicas, que envolvam pescoço, ombro e trapézio de maneira mais intensa, é necessária uma pausa de pelo menos 24 horas, individualizando conforme a extensão do procedimento e a avaliação clínica. Além disso, o paciente deve saber que os primeiros resultados não são imediatos, eles aparecem por volta de 10 a 14 dias.
Antes da realização dos procedimentos, é importante que o paciente entenda que as aplicações são temporárias e uma pele boa depende de outros fatores. Layanna diz: "Além do rosto, o pescoço e o colo são prioridade absoluta. É muito comum encontrar pacientes com uma rotina facial completa, cheia de séruns e hidratantes, mas que interrompem todos os cuidados na linha do queixo".
Ela reafirma que o colo é uma região frequentemente exposta ao Sol, o que favorece o aparecimento de manchas, alterações de textura, vasos aparentes e perda progressiva. Por isso, o skincare deve ser estendido para essas áreas. "Uma limpeza suave, a hidratação e, principalmente, o protetor solar de amplo espectro, com FPS 30 ou superior, reaplicado conforme a exposição, como feito na pele do rosto. Ativos como antioxidantes e retinoides também podem fazer parte dos cuidados, desde que respeitem a sensibilidade dessas regiões e sejam indicados individualmente", aconselha Layanna.
Combinar o uso da toxina botulínica a bons hábitos de skincare e tecnologias dermatológicas garante resultados harmônicos, sem abrir mão da saúde e da segurança estrutural do corpo.
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
Saiba Mais
-
Revista do Correio Câncer de pele: por que consultas devem continuar mesmo após a retirada do tumor?
-
Revista do Correio TDAH vai além da falta de atenção: conheça 5 sinais que podem passar despercebidos
-
Revista do Correio O poder feminino do Centro-Oeste
-
Revista do Correio Lábios desenhados e olhos marcados: a make dos anos 1990 dita as novas tendências de maquiagem
