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Nariz "perfeito" sem cirurgia: rinoplastia é alternativa em alguns casos

Apesar de ser uma alternativa pouco invasiva, a rinomodelação exige cautela. O procedimento precisa ser feito por um profissional capacitado

Análises da estrutura e da pele são feitas antes do processo -  (crédito: Magnific)
Análises da estrutura e da pele são feitas antes do processo - (crédito: Magnific)

A busca pelo "nariz perfeito" sem encarar o bisturi nem o doloroso pós-operatório de uma cirurgia plástica virou febre nas clínicas de estética e nas redes sociais. A rinomodelação preenchedora surge como a principal alternativa para quem deseja corrigir pequenas imperfeições — como a giba óssea ou a ponta caída — em poucos minutos.

Diferentemente da rinoplastia cirúrgica — que altera a estrutura óssea e cartilaginosa do nariz de forma permanente —, a rinomodelação é um procedimento preenchedor. Utilizando substâncias reabsorvíveis pelo organismo, principalmente o ácido hialurônico, o profissional consegue camuflar pequenas assimetrias, alinhar o dorso nasal e até dar uma leve empinada na ponta.

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A cirurgiã plástica Carine Barreto explica qual é o perfil indicado para o procedimento. "Adultos que desejam corrigir pequenas irregularidades de contorno, depressões ou assimetrias discretas, com expectativas realistas." Em alguns casos, a médica explica que é possível disfarçar uma pequena saliência no dorso, preenchendo as áreas ao redor. "É fundamental, porém, explicar que o procedimento acrescenta volume e não diminui o nariz", afirma.

Existe um mito frequente de que o preenchimento pode diminuir o nariz. Na verdade, o que ocorre é um efeito visual. Ao preencher a depressão acima ou abaixo de uma giba óssea, por exemplo, o médico cria uma linha reta contínua no dorso. O nariz ganha volume real, mas passa a impressão visual de ser mais reto e harmônico, o que muitas pessoas interpretam, erroneamente, como uma redução de tamanho.

Cuidados

Para casos nos quais há a necessidade de cirurgia devido a problemas respiratórios causados por alterações estruturais, a solução é a rinoplastia. Além disso, Carine elucida que, quando o objetivo é reduzir o tamanho, estreitar estruturas, remover uma saliência óssea ou modificar de forma significativa os ossos e cartilagens, o preenchimento não consegue substituir o procedimento mais invasivo.

A rinomodelação sempre deve ser feita com os materiais adequados e por profissionais da área. A otorrinolaringologista Joana Tavares afirma que profissionais habilitados são aqueles que têm domínio sobre a anatomia nasal, como cirurgiões plásticos, otorrinolaringologistas e dermatologistas.

Além disso, a aplicação só deve ser feita com substâncias que tenham o aval de órgãos reguladores, como o Conselho Federal de Medicina e a Anvisa. "O ácido hialurônico é considerado a primeira escolha por oferecer uma segurança adicional. Além de ser uma substância absorvível pelo organismo ao longo do tempo, ele pode ser dissolvido com a aplicação de uma enzima chamada hialuronidase. Existem outros produtos absorvíveis, como a hidroxiapatita de cálcio, conhecida comercialmente como Radiesse, que teoricamente podem ser utilizados para fazer ajustes no nariz", afirma Joana.

As facilidades 

Uma das razões que explicam o sucesso da rinomodelação é sua praticidade e reversibilidade. Além de ser um procedimento que pode ser revertido, o processo leva somente de 20 a 45 minutos para ser concluído. Para garantir o conforto do paciente, a aplicação é realizada com anestesia local — seja por cremes anestésicos, seja injetáveis —, tornando a intervenção praticamente indolor.

Ao contrário da rinoplastia cirúrgica, que exige dias de repouso e afastamento das atividades diárias, o preenchimento não exige tempo de recuperação. O paciente pode sair diretamente da clínica e retornar à sua rotina habitual. No entanto, é comum surgir um leve inchaço, sensibilidade ao toque ou pequenos hematomas nos primeiros dias, reações normais e temporárias da manipulação da região.

Embora a ausência de um tempo de repouso longo seja um dos grandes atrativos do preenchimento, o pós-procedimento exige atenções específicas nas primeiras semanas para evitar o deslocamento do ácido hialurônico e garantir o resultado desejado. A recomendação principal é evitar o uso de óculos de grau ou de Sol pesados apoiados sobre o dorso nasal por pelo menos sete a 14 dias, pois a pressão contínua pode deformar o produto ainda em fase de acomodação.

Além disso, atividades físicas intensas devem ser suspensas nas primeiras 48 a 72 horas para minimizar inchaços e diminuir o risco de hematomas. A exposição direta ao Sol também deve ser evitada enquanto houver manchas roxas na pele para prevenir manchas permanentes, e o paciente não deve massagear, apertar ou manipular a região tratada nos primeiros dias.

Os resultados costumam durar de 10 a 12 meses. "Essa duração vai variar conforme o produto, a quantidade aplicada, a região tratada e as características individuais. A perda do efeito estético também não significa necessariamente que todo o material já tenha sido absorvido. Não existe um intervalo universal que garanta uma reaplicação segura", diz Carine.

Os cuidados

Como o efeito é temporário, novas aplicações podem ser necessárias para manter a correção. É justamente nesse ponto que a especialista chama a atenção para outra característica da técnica: o resultado obtido na primeira aplicação nem sempre consegue ser reproduzido da mesma forma nas seguintes. "Muitas vezes, o paciente faz a primeira rinomodelação e fica muito satisfeito. Na segunda aplicação, já pode não gostar tanto e, na terceira, começa a perceber que o nariz está ganhando mais volume sem necessariamente ganhar o mesmo formato ou os mesmos ângulos", afirma Joana.

Segundo a otorrinolaringologista, isso ocorre porque o tecido conjuntivo onde o preenchedor é aplicado sofre modificações ao longo das aplicações. "Com aplicações recorrentes, o preenchedor pode acabar dando mais volume do que forma. Por isso, alguns pacientes que inicialmente ficaram satisfeitos com a rinomodelação acabam procurando posteriormente a rinoplastia", diz.

Nesse sentido, a dermatologista Ana Carolina Sumam informa o que deve ser avaliado a cada nova sessão: "Com aplicações repetidas, pode haver acúmulo ou permanência de produto e alterações no contorno e nos tecidos. A ideia não é simplesmente adicionar mais produto, mas preservar a naturalidade e, principalmente, a segurança do paciente".

A cautela também abrange a possibilidade de deslocamento ou distribuição do produto para áreas próximas dentro do corpo. "O nariz tem uma rede de vasos com conexões com a circulação dos olhos. Se o preenchimento entrar em uma artéria, pode bloquear esse fluxo sanguíneo, e as consequências mais graves são necrose da pele, com possibilidade de cicatrizes e deformidades, perda visual (inclusive com cegueira permanente) e, em situações mais raras, o acidente vascular cerebral (AVC)", alerta Carine.

Também podem ocorrer infecções, nódulos e reações inflamatórias. Embora essas complicações mais graves sejam incomuns, sua severidade exige uma indicação criteriosa, conhecimento profundo de anatomia e estrutura adequada para atendimento imediato.

Para evitar complicações, além de contar com profissionais experientes e os produtos certos, a estrutura nasal e a pele do paciente devem passar por avaliação. Ana Carolina detalha como é feita essa análise: "Rosácea e acne ativa devem estar controladas, principalmente quando há inflamação na área a ser tratada. Já pacientes com histórico de queloides ou cicatrizes hipertróficas precisam de uma avaliação individualizada para entender os riscos e a melhor indicação."

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

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postado em 18/10/2026 06:00
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